sexta-feira, 30 de abril de 2010

Preso com dinamites perto de delegacia

Léo Arcoverdedo
Jornal Agora

Após receber uma denúncia anônima, a polícia prendeu, na madrugada de ontem, um homem próximo a uma delegacia. O suspeito estava com uma sacola com 3,2 quilos de dinamites. Segundo a polícia, o explosivo seria usado para destruir parte do 68º Distrito Policial (Lajeado), na zona leste da capital. O suspeito foi detido a duas quadras (cerca de 300 m) da delegacia.
Acusado confessa crime
De acordo com o delegado Sidney Alvarenga Rosa, Everton Camargo da Silva, 18 anos, confessou, em depoimento, que explodiria a delegacia a mando de um traficante com quem tinha uma dívida e lhe teria pedido como pagamento a destruição do prédio da polícia. "Esse traficante já foi preso por nossos policiais, há uns meses, e teria até ensinado o suspeito

Alerta: 22 novas drogas fatais ao coração



Relatório europeu mostra que “primas” do ecstasy são vendidas pela web

Fernanda Aranda, iG São Paulo
Um relatório divulgado esta semana mostra que foram identificadas, só durante o ano passado, 24 novas drogas ilegais vendidas no mercado paralelo, todas com potencial de aumentar os casos de infartos em jovens.



Das 24 novas drogas detectadas, 22 eram sintéticas
A European Monitoring Centre for Drug Addiction (Emcdda), responsável pelo levantamento feito em parceria com a Polícia Federal da União Europeia, classifica como “recorde” as identificações em apenas um ano. Foi mais do que o dobro das reportadas em 2008 (13 naquele ano).
O dossiê deixou autoridades do mundo todo em alerta por causa de dois motivos principais, avalia o fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone Walter Maierovitchi – entidade que também recebeu o documento.
O primeiro é que 22 das 24 novas drogas são sintéticas, ou seja, feitas em laboratório e com potencial tóxico ainda maior. O segundo é que a internet é o terreno fértil para a venda destes produtos ilegais, o que amplia o alcance de usuários em todos os continentes, não só o europeu.
Feitas a base de anfetamina e outras substâncias já identificadas em ecstasy, as novas drogas sintéticas contribuem para agravar o cenário dos problemas cardíacos em pessoas com menos de 30 anos. O consumo das chamadas “pílulas do amor” transforma o coração em bomba-relógio e é o principal responsável pela falência precoce do músculo cardíaco.
Coração “pilhado” e doente
No Brasil, uma em cada quatro vítimas de infarto nesta faixa-etária é usuária de cocaína, ecstasy ou outro psicoativo, dado que foi apresentado nesta quinta-feira, 29, aos principais médicos do País, durante o Congresso da Sociedade Paulista de Cardiologia (Socesp).
Rui Ramos, médico da Socesp e debatedor do tema, afirmou que o contexto do usuário deste tipo de droga é agravado por outros hábitos. No geral eles fumam cigarro e consomem bebidas alcoólicas, o que fragiliza ainda mais o coração. Outro agravante é: “ficar pilhado” também sobrecarrega o coração. O risco de problema é aumentado em 50%.
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializado em drogas, diz que o Brasil é um dos poucos países que ainda registra aumento de consumo de cocaína junto com ecastasy – na Europa há declínio só do uso de coca – e isso é o preço pago “por não ter um sistema de saúde estruturado para o atendimento do dependente”.

“É uma soma de fatores”, acrescenta Marcelo Sampaio, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese e autor de uma pesquisa sobre infartos em jovens. “Constatamos que dos que infartaram, 92% eram fumantes. Os mais novos estão mais estressados, mais obesos, comendo pior. Tudo isso favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares”, resume.




Foto: Edu César
Felipe usava crack e teve overdose por causa de ecstasy
Overdose na rave
Felipe, 22 anos, já colocou em risco sua vida por causa das drogas sintéticas. O “pescoço” foi a prêmio depois que foi preso, perdeu todas “as balas” que vendia na porta da faculdade e entrou em dívida com o dono da boca que oferecia o emprego de vendedor. Já o coração entrou em colapso quando, em uma só noite, o jovem consumiu oito comprimidos de ecstasy numa rave.
A overdose, a segunda da sua vida, foi o gatilho para buscar ajuda médica.
Apesar dos comprimidos, o crack é apontado pelo jovem como a droga que mais o devastou. “Uma mistura letal", reconhece ele. "Um alerta também para os jovens que pensam que bala não vicia. Eu traficava para usar", afirmou.
O mesmo ecstasy que fez Felipe ver a morte de perto para procurar uma nova vida, poderia ter sido o último capítulo caso a personagem real fosse uma mulher. Para o sexo feminino, o infarto é suas vezes mais fulminante, ainda mais se incentivado pelo uso de drogas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais de 8 milhões de armas seguem em circulação no País, aponta estudo

Análise do Instituto Sou da Paz indica que mais de 1,8 milhão de armas foram destruídas pelo Exército entre 1997 e 2008; em São Paulo, a cada 18 apreensões da polícia, uma vida foi salva


Gabriel Pinheiro, do estadão.com.br

SÃO PAULO - Mais de seis anos após o Estatuto do Desarmamento entrar em vigor no País, mais de 8 milhões de armas de fogo continuam nas mãos da população e forças de segurança. Entre 1997 e 2008, mais de 1,8 milhão de armas foram destruídas pelo Exército. Os dados são de uma pesquisa nacional sobre a implementação da lei do desarmamento, realizada entre 2008 e 2009 pelo Instituto Sou da Paz e divulgada nesta quarta-feira, 29.
Entre os avanços, o levantamento inédito aponta, citando pesquisa do IPEA-PUC, que a cada 18 armas apreendidas pela polícia paulista, uma vida foi poupada. Segundo o estudo, as apreensões realizadas entre 2001 e 2007 em São Paulo salvaram 13 mil pessoas. No País, estima-se que 70% dos homicídios são cometidos com armas de fogo.
Entre 2008 e 2009, a análise indica que 22.451 novas armas foram registradas. Os dados mostram que há tendência tanto na queda quanto na compra de novas armas e emissão de porte.
Em 2008, o Distrito Federal foi o Estado que mais registrou novas armas, com 5.913. Em São Paulo, foram 2.241 novos registros no mesmo período. Paraíba (com duas novas armas registradas) e Maranhão (com uma) foram os Estados que menos comercializaram.
Falhas
O estudo também aponta diversos problemas identificados na implementação da lei. Entre eles, desorganização no controle de armas nas diferentes instâncias responsáveis, falhas na marcação do equipamento das forças de segurança pública e falta de controle físico dos arsenais.
Além disso, a pesquisa indica que há um grande número de armas registradas em nome de empresas de segurança privada e transporte de valores (69.613, até março de 2010) e um volume considerável (21.240) de furtos e roubos, o que equivale a quase um terço do total de registros.
Segundo a análise, a Coordenação Geral do Controle da Segurança Privada da Policial Federal aponta que, desde 2003, mais de 17 mil armas foram extraviadas de empresas de segurança privada. 1,5 mil foram registradas como "perdidas."
"Trata-se de índices complementares fora dos padrões e que podem dar razão às teses que apontam que muitas empresas de segurança servem de fachada para organizações criminosas ou para facilitar o acesso destas às armas de fogo", conclui o estudo.

Cerco ao tráfico faz maconha quase sumir em SP


Em 2009 foram apreendidas 44 toneladas da droga, ante 38 nos 2 anos anteriores; crime organizado agora prefere vender cocaína

Bruno Paes Manso, Diego Zanchetta e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo
A descoberta da logística dos traficantes para colocar maconha no mercado brasileiro levou a uma apreensão recorde no último ano. Somado a isso, o Primeiro Comando da Capital (PCC), que domina a distribuição da droga no Estado, decidiu priorizar o comércio de cocaína e pasta-base. Resultado: a maconha quase sumiu de São Paulo. O fenômeno, que ganhou força nas últimas semanas, tem intrigado a polícia paulista e da fronteira.
Uma das consequências da diminuição da oferta é que o preço da maconha multiplicou por dez no Estado. O quilo, antes adquirido por R$ 200, já vale até R$ 2 mil. "Detectamos que os traficantes estão com dificuldades na fronteira. Não tem passado nenhum grande carregamento", afirmou o delegado Marco Antônio Paula Santos, diretor do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).
O vizinho Paraguai sempre foi o maior fornecedor para o Brasil. A droga entrava principalmente por Foz do Iguaçu, no Paraná, e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Com o aumento da fiscalização nessas regiões, a rota entre Guaira, no Paraná, e Salto Del Guairá, no Paraguai, ganhou importância.
No ano passado, depois de um trabalho conjunto entre Polícia Federal, Ministério Público do Paraná e Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, foram apreendidas 44 toneladas da droga. Nos dois anos anteriores, as autoridades haviam apreendido um total de 38 toneladas. Também foram presos, em 2009, cinco importantes fornecedores de maconha do Paraguai. Mais de 200 mulas, os pequenos traficantes, foram detidas na região.
"Tiramos do mercado dois grandes carregamentos que iriam abastecer São Paulo, com embalagens marcadas, que ajudaram a dar prosseguimento nas investigações e render mais prisões. É esperado que os criminosos passem a repensar rotas e mecanismos de entrada, depois de grandes tombos como esses", disse o promotor de Justiça Marcos Cristiano Andrade.
PCC. Há ainda outros fatores. No Estado de São Paulo, a maconha é distribuída por traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital. Para o diretor do Denarc, o aumento das apreensões levou a uma mudança nos negócios da organização criminosa. "O PCC resolveu apostar na cocaína e na pasta-base para fazer o crack, já que os lucros são muito maiores", afirmou o delegado Marco Antônio Paula Santos.
Para trazer maconha, é necessário esconder grandes carregamentos em caminhões, muito mais facilmente detectados do que as mulas que transportam até 10 quilos de cocaína em malas ou até 70 quilos em carros.
O que ninguém sabe é se a situação vai durar. O delegado da Polícia Federal do Paraná Érico Ricardo Saconato afirma que o aumento da fiscalização pode criar novas rotas. Para Marcos F., assistente especial chefe da Oficina de Salto de Guayra da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, que pediu para não revelar o sobrenome, se a maconha continuar em falta no segundo semestre, quando a oferta é maior por causa do período de colheita, será possível afirmar que houve uma mudança estrutural no tráfico entre os dois países. "Só então poderemos dizer que as autoridades fizeram o que era preciso."

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sequestro relâmpago: Crime vira epidemia em São Paulo



Com média de três casos por dia, registrada de janeiro a março deste ano, segundo levantamento do JT, o crime atinge vítimas de várias classes sociais

CAMILLA HADDAD
A vendedora ambulante Leilane Souza, de 23 anos, e o empresário Silvio Fisberg, 50 anos, nunca se viram. Mas foram personagens de uma história que se repetiu em média três vezes por dia na capital este ano: o sequestro relâmpago.
Ao todo, entre 1º de janeiro e 31 março houve 285 casos, segundo levantamento feito pelo Jornal da Tarde em delegacias da capital.
Os boletins de ocorrência mostram que o sequestro relâmpago atinge pessoas de várias classes sociais e idades e afeta com mais frequência quem passa em bairros como Pinheiros, Alto de Pinheiros, Vila Madalena, Alto da Lapa (zona oeste), Moema e Jardins (zona sul).
As vítimas são pegas abrindo ou fechando portas de seus carros, ao celular ou simplesmente caminhando pelas ruas. Sob ameaça constante, os reféns são obrigados a trocar o semblante de pânico por um sorriso.
A partir daí, são levados para sacar nos caixas eletrônicos ou fazer compras em shoppings. Para disfarçar, o suspeito dá as mãos para a vítima, como ocorreu com uma bibliotecária de 61 anos, moradora da Granja Viana (leia ao lado).
Nas ocorrências, um dado comum: as vítimas estão sempre sozinhas, ficam sob a mira de revólveres, relatam ameaças de morte e quase sempre presenciam um motoqueiro acompanhando a ação. A primeira exigência do assaltante é o cartão bancário.
É com ele que o criminoso saca quantias elevadas entre dois horários: pela manhã e à tarde.Não se sabe se o número de casos aumentou ou não em comparação a 2009.
A Secretaria da Segurança Pública não forneceu os dados. “São para uso interno e destinados ao planejamento do trabalho policial”, justificou a pasta.Até abril do ano passado, essa modalidade de crime era registrada como roubo, extorsão mediante sequestro e roubo com retenção de vítima. Para pôr fim à confusão, em abril de 2009 entrou em vigor a Lei nº 11.923, que tipificou a conduta como crime de extorsão, cuja pena prevista (de 6 a 12 anos) supera a de roubo (de 4 a 10), tornando-o mais grave.
A Polícia Militar diz que esse tipo de crime é visto pelos infratores como fácil de cometer e rentável. Basta pegar uma pessoa, geralmente distraída dentro de um carro, ir a um caixa e sacar o dinheiro. Esse processo leva menos de uma hora e os bandidos podem fazer várias ações num mesmo dia.
No 11º Distrito Policial (Santo Amaro), o delegado titular, Armando Bellio, destaca uma peculiaridade de sua área: as vítimas costumam ficar com uma parte do bando em postos de gasolina. “O funcionário acha que a pessoa está parada e nem questiona”, diz. Enquanto isso, outro ladrão faz o saque.
O psiquiatra Felipe Corchs, do Hospital das Clínicas e do Núcleo Paradigma, conta que mesmo após irem para a casa ilesas, as vítimas desenvolvem o chamado estresse pós-traumático.
O transtorno requer tratamento e, em alguns casos, remédio com prescrição médica.

AINDA A NOVELA DO ALE

Ontem após várias discussões, o Governo, digam-se PSDB (viu senhores Campos Machado e Capez!) não aceitou levar a votação ao Plenário. As condições no dia de ontem favorecia a nós policiais, no entanto, o Governo sabedor da derrota que alguns de seus próprios aliados aplicariam obstruiram a votação.Hoje haverá nova tentativa de votação.
Há um prazo regimental – por ser o projeto enviado em regime de urgência - isto é, passando do prazo o projeto passará como foi enviado à Assembléia Legislativa.
Vamos tentar melhorar o projeto, através de emendas apresentadas, ou seja, 100% do ALE a todos os policiais ou o ALE em 3 vezes, sendo 20% a partir de março/10, 40% março/11 e 40% março /2012.
Esperamos que o Governo aceite uma das propostas acima e teremos finalmente a votação nesta quarta- 28/04/2010.
É só as lideranças que dizem serem favoráveis, votarem o projeto, pelo menos o ALE ser pago em 3 vezes ao invés de 5 vezes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

GOVERNO PLANEJA SOLTAR 20% DOS PRESOS DO PAÍS

O Globo

Depois de longos debates no 12º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, em Salvador, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) decidiu elaborar um projeto de monitoramento eletrônico que pode resultar na soltura de cerca de 80 mil presos, quase um quinto da população carcerária brasileira.
O monitoramento poderá ser feito pela tornozeleira eletrônica, que permite saber a localização de quem a usa. O governo entende que o controle de criminosos de baixa periculosidade fora das cadeias é uma das poucas alternativas para desafogar os presídios no país. O número de detentos aumenta a uma taxa de 7,3% ao ano, e, para o Depen, não há investimento em ampliação da estrutura prisional que dê conta da demanda.
Benefício poderá ser estendido a condenados A cada ano, o déficit carcerário aumenta em quatro mil vagas, e a tendência é a deterioração do quadro, já crítico, mesmo com o crescente aporte de recursos federais. Pela proposta em estudo, o monitoramento eletrônico poderia beneficiar presos provisórios (sem condenação) que não tenham posto em risco a vida ou a integridade física das vítimas. O diretor do Depen, Airton Michels, entende que o benefício poderia ser estendido a condenados, que, sendo primários e de bom comportamento, teriam a progressão de regime antecipada em um ano.
— Fizemos um mapa mundial da questão prisional. Em toda a América, tem aumentado a população carcerária. A sociedade tem que buscar alternativas. O Brasil já tem uma legislação muito avançada em termos de penas alternativas. A outra opção agora é a coerção eletrônica, com o uso da pulseirinha ou da tornozeleira — disse Michels.
Vários projetos sobre monitoramento eletrônico de presos estão tramitando no Congresso, mas nenhum agrada integralmente ao governo. Michels acredita ser importante elaborar uma nova proposta a partir de experiências internacionais. Técnicos do Ministério da Justiça vão colher informações em Portugal, Colômbia e outros países onde o sistema já esteja em vigor.
A ideia é comparar e elaborar um modelo mais adequado ao Brasil. Acusados de crimes contra o patrimônio público, os criminosos de colarinho branco não seriam beneficiados.
Só com o controle eletrônico, o governo entende que poderia reduzir a quase metade o déficit de vagas (180 mil).
— Um número entre 75 mil e 80 mil presos pode cumprir pena com cerceamento eletrônico — disse Michels.
Os dados apresentados no congresso da ONU reforçaram o consenso no governo sobre o monitoramento eletrônico. Estatísticas apresentadas durante o encontro de representantes de quase todos os países indicam que o Brasil está batendo recordes de prisões. O país estaria, em termos proporcionais, superando até os Estados Unidos, que têm a maior população carcerária do planeta. De 1995 até agora, o número de detentos brasileiros pulou de 148 mil para 473 mil, ou seja, triplicou.
Neste mesmo período, o número de internos nas cadeias americanas passou de 1,2 milhão para 2,5 milhões. Os números não são pequenos, mas a situação estaria se tornando ainda mais crítica no sistema carcerário nacional. Em entrevista durante o congresso, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, admitiu que o sistema prisional brasileiro está falido. Michels sustenta que o monitoramento não implica impunidade, sendo um tipo de punição, com menor custo para o Estado.
Resistência política atrasa humanização de presídios Numa tentativa de minimizar o drama, o governo deve liberar, semana que vem, R$ 470 milhões para a construção de centros de detenção provisória, que vão abrigar 32 mil presos que hoje se amontoam em delegacias.
Segundo o Depen, a situação destes presos é, em muitos casos, mais degradante que nos presídios. As delegacias estão abarrotadas com 58 mil pessoas não condenadas, um número bem superior ao de vagas (15 mil). Mas as dificuldades não são apenas financeiras.
A humanização dos presídios tem enfrentado forte resistência política. Segundo Michels, governadores e prefeitos quase nunca veem com bons olhos a ideia de construir presídios. Por um motivo simples: isso desvaloriza terrenos vizinhos e cria sensação de insegurança. A expansão do sistema prisional esbarra ainda nas deficiências de parte dos governos estaduais e na corrupção. Alguns governos mantêm parados na Caixa Econômica Federal R$ 806 milhões destinados às obras e liberados pelo governo federal em 2004. A verba não teve utilidade prática por falta de projetos adequados, por disputas políticas ou por pendências judiciais.

Explosão de violência põe em pânico o litoral de São Paulo

Toque de recolher determinado por traficantes faz com que as ruas da cidade fiquem desertas
A população da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, está submetida a um regime de terror há quase dez dias, sem que a polícia do Governo Alberto Goldman (PSDB) esclareça os motivos ou detenha os responsáveis pela explosão de violência que, na última semana, matou 23 pessoas – a maioria delas, jovens entre 18 e 30 anos e sem antecedentes criminais – e deixou outras 12 pessoas feridas a bala. Em algumas cidades os moradores estão em pânico. Segundo reportagem exibida à noite passada pelo Fantástico, da Rede Globo, muitas escolas do Guarujá não tiveram aula durante a semana, por falta de alunos, de acordo a Prefeitura.Em Vicente de Carvalho, um distrito do Guarujá, os comerciantes fecharam as lojas na segunda e na terça-feira, dias 19 e 20/04, diante de rumores de que traficantes teriam ordenado toque de recolher. Ruas e praças de cidades da Baixada que ficavam cheias de gente, mesmo à noite, se tornaram desertas, descreveu o Fantástico. A matança se sucede praticamente a cada dia. Na segunda-feira, seis pessoas foram assassinadas. De terça para quarta, mais duas foram mortas na mesma cidade e outras três em São Vicente, por assassinos encapuzados. Quinta-feira, um rapaz de 29 anos foi executado com um tiro na nuca e cinco homens e uma mulher foram baleados em Cubatão.Nem a Polícia Militar e nem a Polícia Civil do Governo Goldman chegaram, até a noite passada, a qualquer conclusão sobre a origem da matança que não conseguem deter ou sobre os envolvidos nos crimes. Comandante da PM na região, o coronel Sérgio Del Bel Junior disse que a corporação foi surpreendida. Entre policiais militares, a explosão de violência que está matando inocentes é descrita como uma guerra entre policiais e traficantes, que estariam vingando a prisão de nove ladrões e a morte de outro, em confronto com a PM, em 23/03. A hipótese de vingança estaria fortalecida pelo assassinato, no dia 19, de um dos soldados que participara da prisão da quadrilha. O delegado Josias Teixeira de Souza, que investiga os assassinatos praticados no Guarujá também suspeita de represália. “Nota-se uma orquestração de condutas que nos apontam na direção da prática do crime organizado”, disse ao Fantástico. A Corregedoria da Polícia Militar está na região para investigar se há envolvimento de PMs nos assassinatos.

NOVO CÓDIGO REDUZIRÁ Nº DE PRESOS, DIZ PROFESSOR

Folha de S. Paulo

FOLHA - Quem é o responsável pelo aumento da quantidade de presos provisórios no país?
ANTONIO GOMES FILHO - Não acho possível dizer "quem" é responsável, mas penso que um dos motivos é a fórmula muito ampla do artigo 302 do Código de Processo Penal, que permite a prisão preventiva para "garantia da ordem pública". Esse conceito tem permitido aos juízes invocar razões como a "exemplaridade", a pronta reação ao crime, a gravidade do crime, motivos que se confundem, muitas vezes, com a punição antecipada. A prisão provisória deveria ser adotada em uma excepcional necessidade do processo que justificasse o encarceramento. Exemplos: evitar a fuga do acusado, ameaças a testemunhas.
FOLHA - Qual é a alternativa para que esse número se reduza?
GOMES FILHO - O projeto prevê algumas medidas que poderiam reduzir os casos de prisão provisória ou a sua duração. Nele, são previstas medidas alternativas, como recolhimento domiciliar, monitoramento eletrônico, proibição de ausentar-se da comarca ou do país, comparecimento periódico a juízo, que seriam adotadas para assegurar o comparecimento do acusado ao processo, sem necessidade de uma providência extrema, como é a prisão.

domingo, 25 de abril de 2010

Os casos não param de acontecer!

PM é morto a tiros e outro fica ferido durante festa em Itapecerica da Serra (SP)
25/04/2010
Folha
Um policial militar morreu e outro ficou ferido após um homem disparar contra eles em uma festa na madrugada deste domingo em Itapecerica da Serra (região metropolitana de São Paulo).
De acordo com a Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 5h30 durante festa em um sítio localizado na estrada das Piúvas, no bairro Chácara Santa Maria. Os dois policiais baleados foram socorridos para o pronto socorro do M'Boi Mirim, mas um deles não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 10h30.
Os dois eram soldados e trabalhavam na cidade de São Paulo. No momento do crime, eles estavam à paisana. A polícia não confirmou a ocorrência de brigas no local da festa.
Ninguém foi preso até a tarde deste domingo. O caso foi registrado no DP Central de Itapecerica.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Preso assassino de policial civil

e-mail enviado por Hilton Carlos Cunha

Na terça feira passada um colega nosso da DIG local( SOROCABA), o investigador NETO foi morto a tiros por um mala, este foi preso nesta madrugada por um grupo de policiais civis daqui. O nome do mala é Claudio Aparecido de Moura.
Menos um FDP!!

Os critérios da esquerda nas eleições



As referências estratégicas para uma análise de esquerda dos governos são a inserção internacional e o enfrentamento do neoliberalismo. A hegemonia imperial norteamericana e o modelo neoliberal são os dois pilares fundamentais de sustentação de um mundo violento e injusto.A caracterização de governos latinoamericanos como progressistas ou de direita, vem daí. A liquidação da Alca – Área de Livre Comércio das Americas, que os EUA e o governo FHC tentavam impor ao continente e que foi derrotada com a participação decisiva do governo Lula – e a prioridade das alianças estratégicas com países da região – mediante os processos de integração regional, do Mercosul à Alba, passando pelo Banco do Sul, pela Unasul, pelo Conselho Sulamericano de Defesa, entre outros – e das alianças com o Sul do mundo – de que os Brics são a expressão mais clara – redefiniu o lugar do Brasil no mundo, conquistou mais espaços de soberania para que definamos de forma autônoma nosso destino.Um governo de direita – como o de FHC e os propostos por Alckmin e por Serra – centrava nossa inserção internacional na aliança subordinada com os EUA e com os países do centro do capitalismo – os que foram colonizadores e agora são imperialistas e globalizadores -, nos distanciando da América Latina e do Sul do mundo – Ásia e África. É a política de um país como o México – cuja eleição, fraudada, do presidente atual, foi saudada por Alckmin na campanha de 2002, com o caminho que desejam para o Brasil e que levou à bancarrota atual daquele país, situação similar à que teríamos, caso tivessem ganho os tucanos naquela oportunidade.Graças à derrota tucana, nos livramos da Alca, dos Tratados de Livre Comercio com os EUA e de termos atrelado nossa economia aos países que se tornaram os epicentros da crise internacional. Ao contrário, diversificamos nosso comércio exterior com o Sul do mundo – a China se tornou o primeiro parceiro comercial do Brasil, deslocando, pela primeira vez, os EUA dessa posição – e com os países da região.Essa reinserção internacional é um dos avanços estratégicos que tem que ser considerados prioritariamente pela esquerda, cuja luta por enfraquecer a hegemonia imperial norteamericana e trabalhar por um mundo multipolar, é uma das marcas que a caracteriza como esquerda no período histórico atual.Quando o candidato tucano fala em sair ou enfraquecer ainda mais o Mercosul – ainda mais quando a Venezuela ingressa -, em terminar com as alianças com o Sul do mundo para restabelecê-las – obrigatoriamente de maneira subordinada e vulnerando nossa soberania – com as potências centrais do capitalismo, não apenas quer restabelecer nossa posição subordinada e de perfil baixo no mundo, mas também retomar as condições da falta de autonomia para nossas políticas internas. Embora queira aparecer como continuidade do governo Lula – sabendo que, eleitoralmente, será derrotado, se aparecer como opositor frontal -, o candidato tucano vai deixando escapar o que realmente pretenderia fazer, caso ganhasse. A inserção internacional do Brasil seria radicalmente reformulada, em detrimento da prioridade de alianças regionais e com o Sul do mundo, vulnerando assim abertamente as condições de soberania, que são condição não apenas da nossa força externa, mas também da nossa autonomia para desenvolver nossas políticas internas.Aqui entra o segundo ponto: a avaliação de políticas e de governos, conforme se coloquem a favor ou contra o modelo neoliberal. O governo FHC, depois do fracasso do governo Collor e da retomada do projeto neoliberal pelo governo Itamar, representou o mais coerente projeto neoliberal que o país conheceu, promovendo a desregulamentação e a mercantilização de forma generalizadas. Debilitou o papel do Estado em todos os planos, promoveu privatizações corruptas do patrimônio público, abertura acelerada da economia, proteção do capital financeiro, promoção das políticas de livre comercio no plano externo, exemplificadas no seu mais alto nível na promoção da Alca, precarização das relações de trabalho – com a maioria dos brasileiros passando a não dispor de carteira de trabalho -, entre outros atentados aos direitos sociais, à igualdade e justiça sociais, à democracia e à soberania do Brasil. Expropriou direitos em favor do mercado e da mercantilização, na educação, na saúde, na cultura, em tudo o que pôde.O governo Lula freou o processo de privatizações – que teria avançado para a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Eletrobrás, caso os tucanos seguissem governando -, retomou a temática do desenvolvimento econômico, como central, aliada indissoluvelmente à extensão dos direitos econômicos e sociais da grande maioria dos brasileiros, situados na pobreza e na miséria, retomou o papel central do Estado na indução do crescimento econômico e da distribuição de renda, brecou o processo de privatização da educação, fortalecendo as universidades publicas, entre outras ações, todas na contramão do modelo neoliberal. Fortaleceu direitos, promoveu a desmercantilização, avançou na democratização das nossas relações sociais e econômicas, como nenhum outro governo tinha feito.São essas duas referências que dão o caráter da candidatura da Dilma para a esquerda: reinserção internacional do Brasil, fortalecendo os processos de integração regional e as alianças com o Sul do mundo, e enfraquecimento do processo de mercantilizacao desenfreada promovido pelos tucanos, fortalecendo os direitos, a esfera pública, o papel regulador e indutor do crescimento e dos direitos sociais do Estado.Quem se propõe a afetar a soberania do Brasil e a questionar ações centrais para a retomada do tema do desenvolvimento – abolida e substituído pelo do ajuste fiscal pelos tucanos -, tentando desqualificar o PAC, prega o maior retrocesso que o Brasil poderia ter hoje, retomando temas jurásicos como as alianças prioritárias com os EUA, o abandono dos processos de integração regional na America Latina e no Sul do mundo.Daí a polarização entre o campo progressista e o de direita nas eleições deste ano. Qualquer postura que pregue a anulação das diferenças substanciais entre os dois campos, desconhece a realidade objetiva, tenta fazer passar seus desejos com a realidade, e a ameaça cometer de novo o gravíssimo erro estratégico de fazer o jogo da direita, ao considerar – como fizeram em 2006, que Alckmin e Lula seriam iguais, sem que tenham feito autocrítica, por exemplo, sobre o que seria do Brasil na crise, sob direção tucano-demista – de que em um segundo turno se absteriam. A definição da posição no segundo turno deve ser feita desde hoje – pelos candidatos da extrema esquerda, assim como por Marina -, e revela a inserção de cada candidatura no campo da esquerda ou não.A vitória do campo popular permitirá impor uma derrota estratégica à direita, mandará para a aposentadoria uma geração de políticos de direita, abrirá espaço para a saída definitiva do modelo neoliberal e a construção de um país democrático, justo, solidário, soberano, ao longo de toda a primeira metade do novo século.
Postado por Emir Sader

Policiais Civis de todo país param nesta sexta-feira


Policiais civis de todo o país prometem parar suas atividades nesta sexta-feira, dia 23, pelo retorno à pauta de votação da Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 446/09, que cria o Piso Salarial Nacional. A matéria foi aprovada em primeiro turno no início do mês de março, ficando quatro destaques para serem apreciados. Mas a PEC foi retirada da pauta logo em seguida, por meio de um acordo de líderes. De acordo com o presidente da Cobrapol, Jânio Bosco Gandra, caso a Câmara dos Deputados não vote a PEC 446/09, os policiais podem deflagrar uma greve por tempo indeterminado.
Ato em Brasília
Na próxima terça-feira, dia 27, os policiais civis unem forças com os policiais militares, bombeiros e agentes penitenciários em um ato conjunto em Brasília, para cobrar a aprovar da PEC 446/09. Se o Piso Salarial Nacional for aprovado, a remuneração inicial do policial em todo o país será de R$ 3,5 mil. "É qualidade de vida para o policial e sua família, mas também representa melhoria da segurança pública, a medida que o policial não precisará mais fazer trabalhos extras para complementar sua renda", ressalta Gandra.
Por Giselle do Valle
Fonte: Imprensa Cobrapol

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Delegado Neto defende polícia judiciária independente

JURÍDICO
Por Alexandre Neto
O desfecho do Caso Isabella haverá de servir como um marco para a Polícia Judiciária brasileira. Um marco triste para a sociedade, mas também um marco de partida para a independência de uma polícia investigativa e voltada para os aspectos científicos da atividade policial, cuja interferência externa se mostra mais difícil para aqueles que insistem em burlar a lei, até porque nosso programa de proteção à testemunhas não passa de uma piada de mau gosto.Sentimo-nos no dever de falar em prol da sociedade, pois além de sermos servidores públicos, somos parte indissociável dela. Tudo que fazemos ou deixamos de fazer haverá de se refletir sobre nós mesmos, indiscriminadamente.Como bem disse o Dr Levi Inimá, “a real e imprescindível autonomia faltante é a ética e moral”. Assim, a primeira independência desejável a qualquer Polícia seria essa, como supedâneo para todas as demais independências, quer seja a administrativa, a funcional e a financeira, tal qual já ocorre com o Poder Judiciário, com o Ministério Público e com a Defensoria Pública.A Polícia Judiciária é, sem sombra de dúvidas, uma carreira de Estado. As autoridades policiais são, sem sombra de dúvidas, os juízes do primeiro momento, os juízes da fase pré-processual, onde o equilíbrio entre quem acusa (o Ministério Público) e o investigado (possível indiciado) se mostram imprescindíveis para uma investigação isenta e voltada para o interesse público.Quem promove não investiga, mas apenas requisita, fundamentadamente. E depois fiscaliza (o que nem sempre acontece, pois dá trabalho !). É o que diz a Constituição Federal. Assim, falar-se acerca de uma “Polícia Judiciária independente” é, primordialmente, conferir a ela, ab initio, a capacidade de se desincumbir de tudo aquilo que está contemplado nos artigos 4º a 22, do Código de Processo Penal, cujo Título (II) trata do Inquérito Policial. Discorrer sobre tal tema daria um livro (existem vários autores renomados a respeito do assunto), mas isso não interessaria à pessoa comum, que quer ver a solução conjuntural para o problema da segurança pública, e não a solução legal, que apenas importa aos operadores do Direito e seus auxiliares técnicos (peritos).Desta forma, mister se faz repisar aquilo que já foi dito : “POLÍCIA SE FAZ COM 3 S’s – SELEÇÃO, SALÁRIO E SUPERVISÃO”. Simples, não ? Mas nem sempre o que é simples deve ser mostrado, pois é a magia que faz a fama do mago. Porém, a Polícia Judiciária paulista mostrou que na busca da verdade real não há mágica, e que a integração entre aqueles que investigam e aqueles que acusam é a chave para o sucesso, é a chave para levar os criminosos - comuns e de colarinho branco – pro xadrez.Assim, no que diz respeito ao estado do Rio de Janeiro, o chamado “PROJETO DELEGACIA LEGAL” foi lançado nos idos da primeira dinastia “Garotinho”, mas já nasceu como um projeto político que visava a promover a imagem de um “governo”, e não de uma Instituição. Começou-se pelo fim. Começou-se por onde dava dinheiro, ou seja, pelas obras públicas de caráter emergencial, tendo como ponta de lança um “técnico em águas profundas” e expert no assunto. Criou-se um “Grupo Executivo” que acabou numa patota privilegiada de autoridades que executava tudo aquilo que interessava ao projeto político de um pretenso “presidente da república”, cujo desfecho se deu na segunda dinastia daquela família, com dois ex-chefes de polícia presos pela Polícia Federal.Ora, qualquer “Polícia Legal” que se queira inaugurar deveria começar com uma “SELEÇÃO LEGAL”, com uma “ACADEPOL LEGAL”, e não com um monte de obras ilegais, tal qual se apura em um inquérito em trâmite perante a PF, cujo desfecho ainda se desconhece. Criou-se então o policial “GARÇA LEGAL” - todo arrumadinho, de gravata e com os pés enfiados no lodo - pois não existe valorização institucional - e profissional - que não passe primeiro pelos homens que a compõem. De nada adianta se entregar computadores, viaturas e armas novas a servidores desmotivados e desvalorizados.O passo inicial para o chamado “PROJETO DELEGACIA LEGAL” deveria ter sido a “ACADEPOL LEGAL”, mas o projeto político-pessoal do então chefe do Executivo estadual estaria fadado ao insucesso. O ex-radialista não seria o presidente da república, e continuaria sendo apenas um “Garotinho”. Vulnerou-se, assim, o primeiro “S”. A SELEÇÃO foi esquecida em detrimento da PROMOÇÃO pessoal e política do então governador do estado, e não faltaram delegados de polícia para abanar a ideia. Eles passaram, mas a Polícia continua.Desta forma, sem SELEÇÃO, o SALÁRIO foi relegado ao banimento, pois quem tem carteira, arma e distintivo faz o seu próprio salafrário, digo, salário. E aí então vieram os “policiaisinhos” comandados pelo “mago prodígio” do salário fácil e arrecadável todo dia 10 de cada mês. Decretou-se assim a falência do segundo “S”, pois quem pode contar com a grana das maquininhas e de outras coisinhas não vai se preocupar com as “filigraninhas” salariais das “DELEGACIAS LEGAIS”.Restou, afinal, o terceiro “S”, onde a SUPERVISÃO foi substituída pela “SACANAGEM”, que ninguém consegue enxergar, mas que sempre beneficia meia dúzia de espertos que sabem os caminhos das pedras numeradas da contravenção. É igualzinho ao tráfico de drogas: meia dúzia controla e desvirtua toda uma Instituição em troca de migalhas pagas mensalmente. Se tornam “escravos” dessa propina e só se aposentam aos 70 (setenta) anos de idade por “amor à profissão”, que carinhosamente chamam de “cachaça”. Alguns até viram cachaceiros na vida real e terminam alcoolizados pela própria profissão que abraçaram, enquanto outros acabam como “colecionadores de figurinhas carimbadas”, pois é a posse do álbum que lhes garante o “poder”. Triste fim em ambos os casos.Mas a “Polícia Judiciária independente” que queremos passa, principalmente, por uma LEI ORGÂNICA que lhe garanta uma CORREGEDORIA INDEPENDENTE, onde o CORREGEDOR deva ser escolhido entre seus próprios pares, e não pelo Chefe de Polícia apenas, pois assim fica fácil controlar e manter a própria corrupção e impunidade internas. A Chefia de Polícia e a Corregedoria haverão de ter o mesmo status institucional, tal qual já acontece no Ministério Público e no Poder Judiciário, apenas se reportando ao Chefe do Poder Executivo ou ao Secretário de Segurança, onde houver. O mesmo se daria com a “eleição” do Chefe de Polícia, escolhido pelo Chefe do Poder Executivo a partir de uma lista tríplice submetida ao escrutínio institucional, tal qual ocorre no Ministério Público, tudo isso com a dotação de uma autonomia administrativa e financeira capazes de traçar os interesses institucionais em compasso com o interesse público, sem o desvio ou a escassez de verbas orçamentárias que findam por transformar a Polícia Judiciária num órgão dependente da vontade política e totalmente inoperante sob o aspecto social e, sobretudo, técnico-científico.Não sei se estarei vivo para ver isso acontecer, mas prometo que irei lutar por isso até o final de minha vida, pois ainda sonho com UMA INSTITUIÇÃO LEGAL no seu todo, onde tudo não passe de mera troca de “figurinhas carimbadas” e apelidadas de “HOMENS DE OURO”, “ASTRAS”, “JÓQUEIS”, “INHOS” e “ADIDOS”. Sonho com uma POLÍCIA que não precise virar ESCOLA DE SAMBA S/A para se ver subempregada por uma entidade endeusada por governadores, prefeitos, secretários e políticos, pois a remuneração desses policiais designados para o maior evento festivo do mundo deveria ser feita de forma direta e oficial aos seus órgãos de origem, a fim de prestigiar o próprio estado e o serviço público, e não a “segurança privada”, mascarada, apadrinhada e comprometida com interesses sempre obscuros.Sonho com uma POLÍCIA onde a remoção de delegados para outras unidades de Polícia Judiciária se opere de forma motivada, sob o crivo do interesse público e designação colegiada do Conselho Superior de Polícia, evitando-se as transferências e “punições geográficas”, sempre realizadas sob um suposto “juízo de conveniência e oportunidade” daqueles mesmos interesses políticos que fazem nascer e brotar a corrupção institucionalizada. Tenho certeza que, um dia, chegaremos lá...
Rio de Janeiro, 28 de Março de 2010.
Alexandre Neto "delegado Alexandre Neto, da Polícia Civil do Rio
FÁBIO GAUDÊNCIO
Revista da Defesa Social
Portal Nacional dos Delegados

segunda-feira, 19 de abril de 2010

http://www.sipesp.org.br/







Todos os policiais de todos os estados brasileiros farão uma PARALISAÇÃO NACIONAL no dia 23 de Abril em prol da votação da PEC 300 e 446, já aprovada em primeiro turno em Brasília.Vamos desta maneira com esta paralisação pressionar os Deputados Federais a votarem a PEC.Com a aprovação deste Projeto todos ganham: a sociedade e os policiais.Estaremos dando uma demonstração de força e que a Família Policial do Brasil está unida em torno de dignidade profissional e material.No dia 23 de abril em todos os estados brasileiros, sem exceção haverá paralisação e mobilizações pela aprovação da PEC 446 e 300.Os Sindicatos dos estados entraram em contato com o SIPESP e conforme ficou decidido no 1º Encontro Nacional em defesa dos policiais, na Assembléia Legislativa de São Paulo, dia 15 de março com a presença de 23 estados, confirmaram a paralisação.São Paulo não poderá ficar de fora. Vamos dar uma demonstração de que também somos policiais sérios e compromissados com o interesse nacional, que é um salário justo para todos.Se o crime é igual em todo o país, as condições de trabalho e o Piso Salarial Nacional para o policial Também Precisa Ser.Piso Salarial já!Os estados de Sergipe e Rio Grande do Norte, já conseguiram o Piso e mesmo assim, estarão solidários com os demais estados.Aqui em São Paulo estaremos participando no dia 23 de abril a partir das 12h00min horas, de uma grande carreata partindo da Praça Campos Bagateli (Zona Norte) e passando pelo Quartel do Comando da PM, Delegacia Geral, Secretaria da Segurança e encerrando o ato em apoio a PEC 446 e 300, na Assembléia Legislativa, no Plenário Teotônio Villela.Esperamos contar com todos os policiais.O momento é de união. E que a Família Policial tenha o seu valor reconhecido nacionalmente. E que os Deputados Federais que ainda não apoiaram a referida PEC, fiquem atentos, pois a recompensa do trabalho de hoje é o VOTO de amanha.
Policial que não luta pelo seu salário, não precisa dele.

PROJETO DE REESTRUTURAÇÃO- JÁ FOI TARDE...

e-mail enviado por Tania Alencar

Colegas,Soubemos que o projeto de reestruturação havia retornado da Secretaria de Gestão Pública para a Delegacia Geral de Polícia e fomos então buscar notícias e informações oficiais, obtendo cópia do despacho exarado pelo setor técnico da Secretaria, onde do projeto original, pouco (ou nada) restou.Um exame ainda superficial do “texto”, sugere o sepultamento do projeto, portanto, diante desse fato novo, novas ações devem ser implementadas.Estaremos nos reunindo com a Diretoria Executiva, com o Departamento Jurídico e de Comunicação, além do SINDPESP para traçarmos novas estratégias, haja vista a nossa insatisfação com o tratamento que nos tem sido dispensado, ferindo nossa DIGNIDADE.Se de um lado a frustação com o falecimento do projeto nos aborrece, de outro “desmascara” a tentativa de nos ludibriar enviando textos daqui para ali e dali para acolá se esvaiu de vez…Gostaria de, mais uma vez, agradecer aos colegas que se debruçaram sobre aquestão da “inamovibilidade” e ao DGP que “abraçou” a proposta, transformando-a em Portaria que deve ser publicada amanhã no DOE, que surge como bálsamo para nos motivar a dar continuidade na nossa luta árdua, estafante, desigual e “quase” inglória, não fosse a força e a confiança dos colegas.Vamos iniciar uma nova etapa no nosso movimento, considerando que o principal objetivo da Operação Padrão era o projeto…Vamos definir com inteligência, estratégia e união nossos próximos passos, con tan do agora, quem sabe, com TODOS os colegas que se posicionaram contrários ao nosso movimento, haja vista que caminhamos para um trágico fim onde apenas haverão “estrelas” e não “cadeiras”…. E “estrelas” não são para civis…Um abraço e força a todos…Marilda – ADPESP 2010
Opinião: Se for verdade isso já foi tarde! Só apoiava esse projeto aqueles que só estavam pensando nos seus umbigos e não na coletividade! Só beneficiar algumas carreiras é inadmissível. Ou se faz uma Polícia Civil forte e respeitada como um todo ou a deixe-mos como está!
José Sanches

domingo, 18 de abril de 2010

DURAS CRÍTICAS AO JUDICIÁRIO

Correio Braziliense

A decisão da Justiça que colocou em liberdade o pedreiro Ademar de Jesus Silva, 40 anos, assassino confesso dos seis adolescentes moradores de Luziânia, foi alvo de duras críticas de senadores, autoridades policiais e até do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, durante audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada na manhã de ontem, no Senado Federal. Barreto reconheceu que as mortes poderiam ter sido evitadas se Ademar tivesse um acompanhamento rigoroso ao deixar a cadeia. Em 23 de dezembro do ano passado, ele saiu do cárcere após cumprir dois sextos da pena. Uma semana depois, teria executado a primeira vítima (Diego Alves Rodrigues, 13 anos). “É fato que houve falha de todo o sistema, porque um indivíduo que já havia sido condenado por crimes sexuais e com tendência psicopata não deveria ser posto na rua sem uma análise precisa do seu comportamento”, disse o ministro.
Ele também prometeu apoiar a volta da obrigatoriedade do exame criminológico, que é feito para avaliar a personalidade do criminoso e para saber se ele reúne condições de ser solto sem reincidir. Este exame deixou de ser obrigatório em dezembro de 2003, mas apesar da alteração na legislação, o magistrado responsável pode e deve solicitá-lo quando está diante de uma pessoa que, no seu entendimento, ofereça perigo à sociedade. No caso de Ademar, o exame foi feito. O texto alertava que o pedreiro apresentava traços de psicopatia. Em dezembro, o juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Luiz Carlos de Miranda(1), julgou favorável o pedido de progressão de pena.
O presidente da CCJ, senador Demostenes Torres (DEM-GO) foi duro ao comentar a interpretação de Miranda. “Ele (juiz) simplesmente jogou o laudo fora. Agiu como despreparado e negligente”, atacou Demostenes, que diante desse fato, sugeriu que a CCJ convoque o magistrado para que ele se explique. “Defendo a investigação desta decisão do juiz no Conselho Nacional de Justiça. Saber por que, mesmo com uma recomendação expressa da promotora, o juiz determinou sua soltura. O governo tem que acabar com essa filosofia de que se cadeia não recupera, então solta. Esse romantismo implantado no Brasil produziu uma consequência drástica em Luziânia e, se nada for feito, vai continuar produzindo no restante do país”, afirmou.
Exame
Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei nº 1.294/2007, que torna obrigatório o exame para a progressão de regime quando o detento tiver sido “condenado com violência ou grave ameaça à pessoa”. A proposta já foi aprovada no Senado e está na fila para ser votada na Câmara dos Deputados. O caso de Luziânia também aqueceu o debate sobre a Lei nº 8.072 de 1990, que fala de crimes hediondos. Existe um projeto de lei de autoria do deputado Sabino Castelo Branco (PTB-AM), que pune o autor de crimes da natureza do que cometeu Ademar à pena de prisão perpétua. “A mudança na lei serviria de exemplo. Creio que a incidência de muitos crimes bárbaros diminuiria substancialmente”, acredita o parlamentar. Para Barreto, é preciso cautela ao discutir alterações nas leis. “Modificar legislação às pressas não é o melhor caminho”, ponderou.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também quer saber por que a Justiça concedeu a progressão de regime a Ademar. Ontem, o presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante, protocolou um ofício ao corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, solicitando detalhes dos procedimentos adotados no caso do pedreiro.
Em nota, a Associação de Magistrados do Brasil (AMB) esclareceu que os juízes decidem sempre de acordo com a lei, baseando-se em laudos técnicos e informações sobre o comportamento do detento durante o cárcere. “O último laudo do processo, no qual o magistrado se embasou, atestava que o apenado não era portador de doença mental e não necessitava de tratamento medicamentoso”, destacou a AMB.
A entidade defendeu que a independência do juiz em julgar é a base do Estado Democrático de Direito. Disse, ainda, que não cabe aos demais poderes interferir na autonomia da jurisdição. “A cada novo crime bárbaro, volta-se a discutir a necessidade de reforma da legislação penal, cujo projeto está em tramitação no Senado”, ressalta a nota. Por fim, a entidade diz que “em vez de buscar bodes expiatórios para problemas que são estruturais, representantes do poder público precisam caminhar para a modernização de processos e procedimentos de forma a elevar a qualidade e a segurança da aplicação da Justiça”.
1 - Silêncio quebrado
Hoje, às 10h30, o juiz Luiz Carlos de Miranda, que concedeu a progressão de regime a Ademar, dará uma entrevista coletiva no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Ele deve esclarecer por que assinou a medida mesmo tendo em mãos laudos que contrariavam a decisão. Desde a prisão do pedreiro, o magistrado se mantém calado.
O que diz a leiPedofilia
Não é classificada como crime hediondo, mas o Projeto de Lei nº 5.658/09, em tramitação na Câmara, determina que seja enquadrada nessa relação. Progressão de pena
No Brasil, hoje, a progressão de regime em casos de crimes hediondos ocorre da seguinte forma: cumprimento de 2/5 da pena para réu primário e de 3/5, em caso de reincidência. Exame criminológico
Em 2003, uma alteração no artigo 112 da Lei de Execuções Penais (LEP) tornou facultativo o exame criminológico para a concessão de regime de progressão de pena. Porém, juristas recomendam que ele sempre seja adotado nos casos de crimes hediondos.
Mães cobram justiça
As mães dos seis jovens assassinados de forma brutal pelo pedreiro Ademar de Jesus Silva participaram da audiência na CCJ, mas não chegaram a falar no debate. Ao final, cobraram empenho da Justiça em condenar Ademar e pediram que ele seja transferido de Goiânia para Brasília. “Acho que aqui eles não vão esquecer do caso. Ainda acho que ele não agia sozinho e a polícia daqui deve ficar em cima do caso até esgotar todas as possibilidades”, disse a dona de casa Aldenira Alves de Souza, 51 anos, mãe de Diego Alves Rodrigues, 13.
Elas também cogitaram entrar com pedido de indenização contra o Estado. Para a contadora Valdirene Fernandes, 36 anos, mãe de Flávio Augusto, 14, o assunto não é prioridade no momento, mas será discutido num futuro próximo. “No momento, não discutimos isso, mas com certeza, no futuro, vamos contratar um advogado para processar o governo. Lógico que nada paga a perda de um filho, mas não podemos deixar que isso passe em vão”, ressaltou.
Já a funcionária pública Sônia Vieira de Azevedo, 45 anos, mãe de Paulo Victor, 16, fez um apelo para que as leis sejam modificadas. “Precisam ser mais severas. Não entra na minha cabeça que alguém tenha direito de soltar um monstro como esse, mesmo depois de Deus e o mundo falarem que ele era perigoso. Quero saber o que esse juiz tem a nos dizer agora que perdemos nossos meninos”, desabafou.

POLICIAIS CRITICAM RIGOR DE PROJETO SOBRE ABUSO DE AUTORIDADE

Agência Câmara

Para os representantes de entidades policiais, as punições propostas são desproporcionais e podem inibir a repressão ao crime.
Representantes de entidades de policiais civis, militares e federais criticaram nesta quinta-feira o rigor das penas previstas nos projetos de lei 6418/09 e 3886/08, ambos do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que tratam de crimes de abuso de autoridade. O assunto foi discutido em audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
O delegado Marcos Leoncio Sousa Ribeiro, representante da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), disse que esses projetos tratam o tema de forma exagerada. “O legislador deve ser astuto para não impor pena que beneficie o infrator, na medida em que torna tímido o agente do Estado”, disse.
Ribeiro afirmou que a lei atual sobre abuso de autoridade (Lei 4.898/65) pode ser considerada branda, mas ressaltou que, em geral, os crimes de abuso de autoridade são associados a outros crimes que já têm pena prevista.
Segundo o delegado, os projetos em discussão não asseguram o direito de defesa aos policiais e podem gerar denunciação caluniosa – crime em que pessoas denunciam o policial sem ele ter feito nada. “O Estado deseja tratar seus agentes como criminosos”, disse.
Punição desproporcional
Para o representante da Federação Nacional das Entidades dos Oficiais Militares Estaduais, Elias Miler da Silva, o PL 6418/09 é desproporcional em suas punições. Segundo ele, 54 das condutas elencadas são típicas de policial e apenas 7 de juiz e 2 de integrante do Ministério Público. Ele afirmou que é preciso fazer uma lei mais isonômica e que possa ser efetivamente aplicada.
“Vamos atualizar a lei em vigor, mas não desvirtuá-la. Queremos uma lei efetiva que englobe todo agente que comete abuso e não apenas policiais”, disse.
O representante dos oficiais militares lembrou que, além da lei sobre abuso de autoridade, existem outras leis que punem crimes associados à conduta policial – como a Lei dos Crimes de Tortura (9.455/97), o Estatuto do Idoso e a Lei de Improbidade Administrativa (8.429/92).
Intimidação
O delegado Benito Augusto Galiani Tiezzi, representante da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), também criticou a punição prevista no PL 6418/09. “Ao impor penas de reclusão que chegam a oito anos, multas, perda do cargo e inabilitação de direitos, a lei poderá levar o policial a ser marginal”, disse.
Segundo Tiezzi, é preciso levar em consideração que o trabalho do policial é complexo e que deve haver um equilíbrio para não intimidar o agente público. Ele defendeu, portanto, a rejeição do PL 6418/09.
Para o deputado Paes de Lira (PTC-SP), os projetos de lei merecem ampla reformulação. "A lei vigente pode ser revista, mas sem a ótica de impedir o trabalho policial ou de "acovardar" ou "encurralar" o agente".
O relator do projeto na Comissão de Segurança Pública, deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), afirmou que o aperfeiçoamento da legislação é importante para corrigir desvios de conduta dentro das corporações. "Todos nós queremos uma polícia justa, correta, bem remunerada", disse. Itagiba ainda não apresentou seu parecer sobre os projetos.
Continua:
Uso de algemas também foi discutido na audiência
Íntegra da proposta:
PL-3886/2008
PL-6418/2009
Reportagem - Rachel Librelon e Lara Haje

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Assembléia votará o projeto do ALE no próximo dia 27


Em reunião do Colégio de Lideres, a Assembléia Legislativa definiu o próximo dia 27 de abril para a votar o Projeto de Lei Complementar nº 13/2010, que propõe a incorporação do ALE – Adicional de Local de Exercício, atendendo os colegas inativos.
O Projeto se encontra com o relator da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Estevam Galvão – DEM que elaborará parecer sobre as duas emendas apresentadas em plenário, sendo uma delas a da redução do tempo de incorporação do adicional, de cinco para três anos, proposta pela ADPESP.

Convocamos os associados para estarem presentes na ALESP – Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, no próximo dia 27 a fim de acompanharmos a votação do projeto.
site da ADPESP

SISTEMA DE PENAS ALTERNATIVAS É REFERÊNCIA PARA OUTROS PAÍSES

Ministério da Justiça

Iniciativa brasileira foi considerada pela ONU como modelo mundial de estratégia para lidar com presos que cometeram crimes sem violência e será aplicada em outros países
O Sistema Brasileiro de Penas e Medidas Alternativas, que teve seu modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das melhores práticas para redução da superlotação carcerária no mundo, foi apresentado(13), no 12º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal. A coordenadora do departamento, ligado ao Ministério da Justiça, Márcia Alencar, trouxe um panorama com estatísticas bastantes animadoras para o setor. De acordo com os dados, em 2009, 671.068 pessoas cumpriram penas alternativas, contra 473 mil pessoas presas o Brasil.
As penas e medidas alternativas, no Brasil, são aplicadas para crimes praticados sem violência ou grave ameaça, como uso de drogas, acidente de trânsito, lesão corporal leve e difamação, dentre outros. E, quando julgados, as penas devem variar entre zero a quatro anos. Entre as grandes conquistas atingidas com a aplicação do modelo está a redução da reincidência em até 12% para os que cometeram crimes de zero a dois anos e em até 25% para os que cumpriram penas de até quatro anos, segundo dados recentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça.
Baseados nesses resultados, a ONU convidou o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, a replicar em países da África, América Latina e Ásia. O convite surgiu durante o Congresso Mundial de Penas e Medidas Alternativas, no Japão. “No congresso o programa fez uma defesa da técnica de metodologia de monitoramento psicossocial e interdisciplinar e fomos contemplados como uma das melhores práticas do mundo”, explicou Márcia Alencar. Atualmente, o Sistema Brasileiro de Penas e Medidas Alternativas conta com 20 varas especializadas, 389 centrais e núcleos de monitoramento e uma rede social composta de aproximadamente 12.673 entidades parceiras.
O modelo brasileiro propõe, após os julgamentos, dois tipos de pena: prestação de serviços à comunidade e reparação pecuniária. Segundo a coordenadora, um dos fatores que contribuíram para a escolha do sistema brasileiro foram as semelhanças sociais com os países onde ele será aplicado. “O modelo brasileiro tem grande ressonância para ser aplicado nos países citados por ter o mesmo processo de criminalização da pobreza e grande semelhança na constituição da rede social”, declarou a coordenadora.
Siga o Congresso no twitter - www.twitter.com/crimecongress

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Insensibilidade e descaso até na morte dos nossos policiais

(Archimedes Marques)

A árdua missão policial fielmente desempenhada e tão cobrada pela sociedade brasileira continua sendo incompreendida por muitos. Os caminhos tortuosos e espinhosos seguidos pelas policias parecem ser intransponíveis e intermináveis.
Infelizmente há ainda uma tradição arraigada no âmago do povo em generalizar que a Polícia é ineficiente e corrupta, que os nossos policiais são ignorantes, irresponsáveis, arbitrários e criminosos, por isso muitos até torcem pelo nosso fracasso.
Para boa parte da população policial é sinônimo de bandido, de algo imprestável, um reles ser do submundo da sociedade e pouco se importam com os seus problemas, ou seja, são tais pessoas insensíveis na vida e até na morte dos nossos policiais.
Quando morre um policial na maioria dos países desenvolvidos ocorre um verdadeiro desfile de despedida pelas principais avenidas da cidade em agradecimento aos seus relevantes serviços prestados à sociedade, com o seu caixão exposto em caminhão do Corpo dos Bombeiros, sirenes e batedores dos carros policiais ligados, seus colegas trajando farda de gala, com a presença dos chefes de Polícia, Prefeito, Governador e demais autoridades, além da cobertura da imprensa local. A população pára tudo o que está fazendo e aplaude homenageando a passagem do féretro do herói morto com muita comoção.
A viúva e seus filhos nunca são desamparados pelo Estado, muito pelo contrário, além da pensão justa relativa ao próprio digno salário do morto, ainda recebem bons seguros de vida que obrigatoriamente são feitos pelo poder público e, quando morrem em serviço defendendo o povo, aí é que esses valores duplicam.
Entretanto, quando morre um policial aqui no nosso País, mesmo em serviço, defendendo a sociedade dos criminosos não aparece autoridade alguma, somente a presença dos seus familiares, amigos ou colegas de profissão e, em ocasiões especiais os chefes de Polícia. Imprensa só de quando em vez faz a cobertura do evento fúnebre.
Até o próprio povo se impacienta e se chateia quando os colegas do policial morto querem lhes prestar uma condigna última homenagem, como foi um caso recente ocorrido aqui na nossa região em que um policial civil ao interferir num assalto fora abatido pelos marginais e, no seu cortejo fúnebre bem organizado com a Polícia Militar parando o trânsito até o cemitério, escutei perfeitamente de um motorista apressado que estava numa rua paralela sem poder passar por alguns instantes e que falou em alto e bom som: QUANTA PALHAÇADA. ATÉ NA MORTE ELES ATRAPALHAM O TRÂNSITO!... Outros motoristas, motociclistas ou transeuntes apenas assistiam com semblante alheio, raivoso, indiferente ou insensível o cortejo passar “atrapalhando o trânsito” e atrapalhando os seus preciosos tempos...
Nossos policiais e seus familiares não são apenas abandonados, desprezados e renegados por grande parte da sociedade, são de igual modo, tratados em descaso pelo Poder público. Em vida são humilhados e desvalorizados profissionalmente com salários não condizentes com a importância do cargo. Na morte, além dos desprezos citados, os herdeiros que possuem direitos aos seus baixos salários transformados em pensões são até diminuídos com a perda de certas gratificações, fato que também ocorre quando os policiais são feridos em batalha contra o crime e ficam inválidos para o resto das suas vidas. De pronto perdem logo o adicional noturno e a gratificação de periculosidade, quando o certo, por uma questão de gratidão e justiça era incorporar tais gratificações nas suas pensões.
O policial vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas do que qualquer outra pessoa. Trabalha independente das condições de tempo ou de lugar, mas a sua maneira de ver a vida em proteção da sociedade continua a mesma apesar dos percalços na sua caminhada. Na maioria das vezes é entristecido por conta das desilusões encontradas, mas no fundo é um forte, sempre esperando por um mundo melhor.
A sociedade brasileira precisa confiar mais na sua Polícia. Tem que ver e sentir a Polícia à luz do valor da amizade, pois os nossos policiais lutam o morrem por ela em busca paz social, enquanto que, por sua vez, o poder público deve ver a Polícia como valorosa instituição pagando salários dignos aos seus membros, como já ocorre em raros Estados da Nação, assim valorizando e respeitando-os na vida e na morte.

Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) - archimedes-marques@bol.com.br -

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Movimento Nacional em Defesa dos Policiais Civis

http://www.cobrapol.org.br/noticias.asp?cod=1289

A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) lança oficialmente na próxima quarta-feira, dia 21 de abril, em Manaus, o “Movimento Nacional em Defesa dos Policiais Civis”. Com o slogan “Valorizar o policial é respeitar o contribuinte”, a campanha visa levantar um debate nacional sobre as dificuldades que a categoria enfrenta e, em especial, sobre a diferença salarial existente entre uma região para outra do país.
Neste sentido, uma das principais reivindicações defendidas pela categoria é a criação do Piso Salarial Nacional (PEC 446/09), em tramitação na Câmara dos Deputados. “Existe uma diferença salarial muito grande entre uma região e outra do país. O salário é maior ou menor, de acordo com o local onde o policial trabalhe. Porém, os riscos são os mesmos. Mudar essa realidade é um dos eixos da campanha”, explica Jânio Bosco Gandra, presidente da Cobrapol, que confirmou presença em Manaus para o lançamento do Movimento.

A campanha foi inaugurada nacionalmente no dia 15 de março, na Assembleia Legislativa de São Paulo, com a presença de centenas de policiais vindos de todas as regiões do país. Quem quiser contribuir com o movimento, pode doar R$ 20,00 e ganhar uma camiseta. “É importante que os policiais de todo o país vistam a camisa do Movimento Nacional, não só literalmente, mas também participando das atividades de mobilização convocadas pela Cobrapol e os sindicatos nos estados”, alerta Gandra.

Uma paralisação nacional de 24 horas está prevista para a próxima sexta-feira, dia 23 de abril. E, caso a Câmara dos Deputados não vote a PEC 446/09, os policiais podem deflagrar uma greve por tempo indeterminado. Se o Piso Salarial Nacional for aprovado, a remuneração inicial do policial em todo o país será de R$ 3,5 mil. “É qualidade de vida para o policial e sua família, mas também representa melhoria da segurança pública, na medida que o policial não precisará mais fazer trabalhos extras para complementar a renda”, ressalta Gandra.

Por Giselle do Valle
Fonte: Imprensa Cobrapol

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os empregados do povo



Papéis invertidos, mentira em verniz de verdade, são ambos casos socialmente curiosos, perfeitamente factíveis no hodierno contexto. O caso que mais me vem à cabeça é o comportamento paradoxal de alguns dos políticos. Em um momento, às festejadas eleições, estão sorridentemente comendo à mesa do povo aos abraços de juras de amor eterno. Em outro, estão recolhidos nos recônditos de seus escritórios, quase ninguém mais os vê com tanta frequência, nem mesmo aqueles responsáveis por colocá-los no poder. Mas qual a hierarquia? Se o povo proporciona o poder ao político, logo esse é dependente daquele. Então, infere-se que o político eleito deve ao povo um trabalho, um projeto, uma produção, um resultado. Daí concluí-se que os políticos estão subordinados ao povo que decide sua entrada e até mesmo, se for o caso, sua saída do poder. O problema é que o povo, ah, o povo, não sabe disso, ou se sabe finge que não sabe. Por isso, o povo comporta-se como se fosse empregado dos políticos, esperando que eles decidam o que fazer, sem ao menos guiá-los, liderá-los. Não, não, não, não. Tá tudo errado. No mundo político a hierarquia é diferente e o povo está no topo. Os políticos trabalham para o povo. Então, o povo é o empregador dos políticos. Ele é quem paga seus altos salários quando compra um quilo de feijão na “budega” do Seu João. Ele, sim, ele, o povo, é quem paga para eles pensarem e agirem. Ele, sim, ele, o povo, é quem dá as cartas, quem admite e quem demite. Então, vamos inverter a inversão desse papel e colocar tudo no seu devido lugar. Senhoras e senhores eu vos apresento o patrão de todos os políticos brasileiros: o povo brasileiro.
Calma, imagino que você até está mais feliz por saber disso e que, inclusive, pensou em comprar um terno alinhado e uma gravata bacana para parecer um executivo. Mas, não precisa de tanto. Você é importante aí na sua simplicidade mesmo. Isso, chefe, é você quem decide. A Dona Maria que vende cocada, o Seu João que vendo Cuscuz, o Seu José que vende tapioca. Você, Zé da Feira, ou você, Chicão dos Caranguejos, não importa quem você seja ou o que faça, é um cidadão e faz parte do grupo dos patrões dos políticos que estão aí para trabalhar para o povo. Então, feita a desinversão dos papéis, e apresentados os atores, vamos explorar mais um pouco as nuances dessa relação tão diária e duradoura.
Você, cidadão, tem empregados que trabalham diariamente para criar leis e executá-las em seu benefício, em benefício do povo. Se você não assumir sua posição de patrão, ah, sinto muito dizer, mas você vai ser tapeado, com certeza. Vai porque o patrão não pode eximir-se da função de líder, pois se assim o fizer estará colocando seus subordinados num barco sem rumo. Ora, como pode um deputado trabalhar para o povo se o povo não o inspecionar de perto, mandando emails, perguntando, exigindo, investigando, colhendo informações, olhando de perto seu trabalho diário? Não funcionam as empresas assim? Quando não há um líder o barco fica sem direção. A liderança é necessária, pois caso não exista um líder, então, vários líderes aparecerão e haverá conflito. Então, quando o povo não assume a função de responsável pelos políticos, logo os políticos invertem os papéis e pensam ser eles os manda-chuva. Opa, nada disso. Os políticos não são meninos, eles sabem que o povo os elegeu, o povo pode tirá-los de lá e que o povo tem uma lista de exigências para o bem da sociedade e que eles devem lutar por isso e prestar conta disso, como fazem os subordinados aos seus patrões.
Portando, você tem cumprido bem seu papel de líder cidadão? Tem inspecionado o político em quem você votou? Tem procurado saber o que ele anda fazendo? Você tem olhado se seu trabalho tem a qualidade necessária para que você o pague com seus impostos o tanto que ele ganha? Você tem visto se ele está sendo assíduo, se está participando ativamente, se está por dentro dos problemas da sociedade? Sim, claro, como não poderia deixar de ser, você tem exigido capacitação profissional dos seus empregados políticos? Você sabe se ele já fez uma preparação para assumir o cargo tão importante que ocupa? A mão de obra que você colocou no poder tem qualidade realmente? Está certo disso? Bota a mão no fogo por ele? Senão, exija imediatamente uma preparação desses seus políticos empregados para que o País, o Estado e a Cidade não sofram. Por isso você, patrão, povo, líder, deve buscar sempre a resposta para essa pergunta: meu empregado político produziu alguma coisa hoje?
Win Rodrigues - wintemberg@digi.com.br

Presidente da Adpesp fala sobre operação padrão e projeto de reestruturação da Polícia Civil

Do Blog do Delegado, com informações da rádio CBN

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), Dra. Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, falou, em entrevista à rádio CBN (10), sobre a operação padrão dos delegados paulistas e sobre o projeto de reestruturação de carreiras da Polícia Civil.
Os delegados de polícia do Estado de São Paulo realizam, desde o dia 23 de março, operação padrão nas delegacias e reivindicam do governo o envio para a Assembléia Legislativa do projeto de reestruturação de carreiras da Polícia Civil, já aprovado na Secretaria de Segurança Pública, mas que aguarda pareceres de outras Secretarias envolvidas na questão. Com informações da rádio CBN.
Clique aqui para ouvir a entrevista

http://cbn.globoradio.globo.com/Player/player.htm?audio=2010/noticias/delegadossp_100410&OAS_sitepage=cbn/saopaulo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA DISPONIBILIZA LEIS PENAIS

Conjur

O Ministério da Justiça disponibilizou para consulta, na internet, um banco de dados com toda a legislação penal em vigor no Brasil. Agora, advogados, estudantes, professores, formuladores de políticas públicas e demais operadores do Direito pode entrar no site para consultar o sistema que ganhou o nome de Sispenas.
De acordo com o MJ, além dos crimes, o banco de dados mostra as respectivas penas e as alternativas possíveis à prisão. A proposta é oferecer informações para tornar a relação entre os tipos penais e benefícios mais clara e acessível.
Fácil de consultar, o sistema permite fazer pesquisa de diferentes formas: por ano de criação de leis, penas máximas e mínimas ou palavras-chave. Se o interessado digitar, por exemplo, a palavra "prostituição", ele terá em sua tela todos os crimes relacionados, as penas e os benefícios previstos no Brasil. O Sispenas também possibilita simulações simples diante de propostas de alteração legislativa.
A ausência do quadro geral das penas aplicáveis no país dificultava o acesso dos operadores do Direito a uma descrição mais ampla do sistema jurídico-penal brasileiro para identificar seus gargalos e desconformidades. "Esse é um grande esforço do Ministério da Justiça a fim de que possamos conseguir racionalidade para o sistema penal. O Sispenas é uma ferramenta fundamental para atingirmos esse objetivo", destacou o secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay.
O Sispenas é mais um resultado do Projeto Pensando o Direito, que promove a parceria entre o Executivo e a academia por meio do financiamento de projetos de pesquisa que proporcionem ganho qualitativo às atividades da Secretaria de Assuntos Legislativos, do Ministério da Justiça, em temas considerados prioritários. Vencedora do edital na área de "penas alternativas", a Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas foi a responsável pelo desenvolvimento do software.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça.

sábado, 10 de abril de 2010

GILMAR PEDE CAUTELA NAS PRISÕES PREVENTIVAS

O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, pediu mais cautela por parte dos juízes criminais ao decretar prisões preventivas. Segundo ele, muitas vezes uma pessoa é presa antes do julgamento e, ao fim das investigações, constata-se sua inocência. Ou, em caso de condenação, é aplicada uma punição mais branda que o encarceramento. O alerta foi feito em discurso de abertura de um congresso de juízes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão também presidido por Gilmar.
- Queremos que os juízes sejam criteriosos na decretação de prisão provisória. Temos muitas pessoas presas que, após o julgamento, sequer vão receber pena de restrição de liberdade. Essa é uma chance para refletirmos, um aprendizado institucional - afirmou Gilmar.
Gilmar Mendes disse que, nos mutirões carcerários promovidos no país pelo CNJ, para apurar irregularidades em presídios, foi vista a existência de presos provisórios, sem terem sido julgados, por 14 anos.
Ontem, Gilmar admitiu que a decisão sobre o futuro administrativo do Distrito Federal não será mais dele. Ele disse que não haverá tempo de julgar o processo de intervenção federal, do qual é relator, antes do fim de seu mandato na presidência do Supremo, em 23 de abril. Como a ação deve ser conduzida pelo presidente, a tarefa caberá ao sucessor, Cezar Peluso.
O novo presidente terá a incumbência de elaborar um voto sobre o tema e levá-lo ao plenário do tribunal para julgamento. A ação já estava pronta para ser julgada, mas na quarta-feira Gilmar resolveu pedir mais um ofício ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, explicando como seria, em detalhes, a intervenção no Legislativo local. Gilmar admitiu que ainda não tem um voto pronto:
- É um tema difícil, temos de aquilatar todas as questões. O procurador-geral da República tem reiterado a necessidade da intervenção federal devido ao quadro de grave situação administrativa. Não tenho um juízo formado ainda.

POLÍCIA NÃO PODE RESISTIR À FISCALIZAÇÃO DO MP


O presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Roberto Gurgel, assinou na quarta-feira (7/4) uma Recomendação destinada aos integrantes do Ministério Público lembrando que é de responsabilidade deles o controle externo da Polícia. A recomendação é reflexo de uma resolução do Conselho Superior de Polícia que delimitava a atuação do MP no âmbito do controle externo da polícia.
De acordo com a nota, o CNMP reitera que o controle externo da atividade policial é prerrogativa constitucional do Ministério Público, e que não cabem aos órgãos policiais controlados estabelecer restrições ao exercício desse trabalho.
No dia 1º de abril, o Conselho Superior de Polícia publicou a Resolução 1/2010 que reduz o poder do Ministério Público dentro da Polícia Federal e cria um órgão independente para fiscalizar as atividades policiais. Atual responsável pelo controle externo, o MP limita o acesso aos documentos internos, como sindicâncias, bancos de dados, memorandos e relatórios de missão.
Além da Nota Técnica, o presidente do CNMP também assinou Recomendação, a ser referendada pelo Plenário, sobre a atividade de controle externo das polícias pelo Ministério Público. O texto da Recomendação 15/2010 cita a Constituição Federal e as leis que regem as carreiras do Ministério Público da União e dos Estados e as resoluções do CNMP.
Leia a recomenadação
NOTA TÉCNICA DO CNMP
MINISTÉRIO PÚBLICO E CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL
O Conselho Nacional do Ministério Público, a propósito do controle externo da atividade policial por parte do Ministério Público, esclarece que:
1. A atuação dos membros do Ministério Público, no exercício da função institucional de controle externo da atividade policial, deve obediência aos termos do artigo 129, caput, incisos I, II e VII, da Constituição Federal, artigo 9 da Lei Complementar 75/93 e artigo 80 da Lei 8.625/93, bem como à Resolução CNMP 20, de 28 de maio de 2007, editada com fundamento no artigo 130-A, parágrafo 2º, da Constituição Federal, em consonância com os dispositivos constitucionais e legais citados.
2. O controle externo da atividade policial pelo Ministério Público tem como objetivos, dentre outros, o respeito aos direitos humanos, a prevenção ou correção de ilegalidades e abuso de poder relativos à atividade de investigação criminal e a probidade administrativa no exercício da atividade policial.
3. Não cabe aos órgãos policiais controlados estabelecer restrições ao exercício do controle externo de suas atividades, levado a efeito pelo Ministério Público, nem opor embaraços de qualquer natureza ao cumprimento de requisições que lhes sejam dirigidas por parte do Ministério Público, no exercício de suas atribuições institucionais, inclusive nos termos do disposto na Resolução CNMP 13, de 02 de outubro de 2006.
4. Os membros do Ministério Público zelarão sempre para que as requisições de diligências e de instauração de inquérito policial, indicados os respectivos fundamentos jurídicos, na forma do artigo 129, inciso VIII da Constituição Federal e artigos 7 e 8, incisos I e IX da Lei Complementar 75/93 e artigo 26, incisos I da Lei 8625/93, sejam cumpridas pela autoridade policial, à qual não cabe substituir-se ao Ministério Público na formação da opinio delicti, nem recusar-se ao cumprimento das requisições do órgão ministerial, sob pena de responsabilização.
ROBERTO MONTEIRO GURGEL SANTOS
Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público
RECOMENDAÇÃO
“Recomendar aos membros do Ministério Público da União e dos Estados que realizem o controle externo da atividade policial nos termos dos dispositivos constitucionais e legais pertinentes, bem como em consonância com as orientações regulamentares expedidas por este Conselho, em especial por meio da Resolução n. 20, de 28 de maio de 2007, promovendo, se for o caso, a responsabilização de servidores públicos que agirem no sentido de impedir, frustrar ou dificultar a prática de atos relacionados ao exercício do controle externo da atividade policial ou que desatenderem as requisições de diligências formuladas nos termos da legislação pertinente, dotando-se as medidas cabíveis no plano criminal, sem prejuízo das providências que se mostrarem pertinentes à luz da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/91).”
Fonte: Sinpofesc

INSTALADA SUBCOMISSÃO SOBRE TRÁFICO DE DROGAS

Agência Câmara

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado instalou na quarta-feira (7) subcomissão especial que vai avaliar ações e programas de combate ao tráfico de entorpecentes e para a recuperação do usuários. O deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL) foi eleito presidente.
Segundo Carimbão, que também é autor do requerimento para a criação da subcomissão, os instrumentos atuais para o combate às drogas têm se mostrado insuficientes. “ A criminalidade está mais sofisticada e está ampliando sua influência em todas as camadas sociais”.
Ele afirma que o poder público não tem agido de forma satisfatória no apoio e na recuperação de usuários de drogas.
A subcomissão volta a se reunir na próxima quarta-feira (14), às 13 horas, para definir o roteiro de trabalho.

Lula quer plano integrado de combate às drogas



LEONÊNCIO NOSSA - Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, no final da tarde de hoje, à equipe de governo um plano de políticas integradas dos ministérios de combate às drogas, com foco principal no crack. Em entrevista realizada após reunião com o presidente, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, disse que o número de apreensões de crack aumentou de 500 quilos em 2008 para 4.500 quilos no ano passado.
Pelo números das apreensões da droga pela Polícia Federal (PF), o governo estima um aumento no total de dependentes. Não há levantamentos oficiais a respeito do número de pessoas dependentes do crack. São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul são os principais mercados consumidores da droga no País, segundo Barreto.
O ministro afirmou que os ministérios da Justiça, da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social devem apresentar em 15 dias propostas para o plano de ação integrada contra as drogas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ATÉ ONDE ESTADO RESPONDE POR SEGURANÇA PÚBLICA

Conjur

POR GEIZA MARTINS

A falta de policiamento no local do crime não acarreta responsabilidade civil do Estado. Se o crime não foi atribuído aos policiais, nem se omitindo estes, posto que não chamados a intervir, não há que se falar em indenização. Esse é o entendimento do Tribunal de Justiça do desembargador Borelli Thomaz, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que desobrigou o Estado paulista de pagar indenização a uma vítima de grupo skinhead.
A vítima foi agredida pelo grupo de skinhead nas imediações da Praça da República, no centro da capital, em outubro de 2006 — ele estava acompanhado de um amigo na ocasião. O ataque resultou na perda de seu rim direito. Ele entrou com uma ação contra a Fazenda de São Paulo, alegando que a segurança pública é responsabilidade do estado.
A primeira instância deu vitória ao autor e condenou o EStado a pagar danos morais fixados em 50 salarios mínimos, ressarcimento dos gastos com transporte e tratamento médico e pensão mensal em quantia equivalente a 1,10 salário mínimo. Ambas as partes recorreram.
O TJ-SP desconsiderou o recurso do autor e deu provimento ao recurso da Fazenda. O relator, Borelli Thomaz, ressaltou que o caso deve ser tratado como teoria subjetiva. “Afasta-se situação de responsabilidade objetiva e entra-se em circunstância daquelas de falta do serviço, a exigir ocorra culpa da Administração Pública, a resultar em situação que se perquire por responsabilidade subjetiva do Estado”, informou.
O desembargador ressaltou que só pode ser admitida responsabilidade objetiva do estado caso “agentes policiais relapsos assistiram à ocorrência inertes e desinteressados ou se alertados a tempo de evitá-lo omitiram-se na adoção de providências cautelatres”, o que não houve.
Por fim, o relator ainda destacou que o autor assumiu em seu depoimento que o local onde foi atacado não é de frequência de homossexuais e que os skinheads não são vistos no local. “Isso considerado, nada malgrado o entendimento original, merece reforma a sentença, invertidos os ônus da sucumbência, dos quais se livra o autor por beneficiário de assistência judiciária gratuita”.

EM PRIMEIRO LUGAR, O TRÁFICO

Carta Capital

Representa 60% do faturamento total da multinacional do crime
Stendhal, tomado em 1799 por impulsos proféticos, vaticinou o nascimento na Calábria de uma perigosa sociedade secreta. Estudioso das coisas da Itália, onde viveu por muito tempo, o autor de O Vermelho e o Negro e A Cartuxa de Parma, percebeu o desfecho inevitável de situações vincadas pela miséria e pela violência. De fato, a origem da ‘Ndrangheta remonta aos começos de 1800.
O nome vem de uma palavra do grego antigo, andraghetos, que significa homem corajoso, coerente com reminiscência dos tempos em que a Baixa Itália foi Magna Grécia, terra de Pitágoras e Arquimedes. Segundo a polícia italiana, atualmente militam na ‘Ndrangheta 155 clãs locais, ‘ndrine, com cerca de 6 mil filiados.
Na Península, pela qual se espalhou até as cidades principais do norte, controla setores da indústria, finanças, comércio, agricultura, amiúde com a conivência de administrações locais e regionais. De todo modo, o tráfico de drogas é o item principal de faturamento de 44 bilhões de euros em 2008 (acima de 27 bilhões, do total de 44). Segundo o professor Donato Masciadaro, da Universidade Bocconi de Milão, o faturamento seria ainda superior, chegaria a 55 bilhões de euros, pois teriam de ser acrescentados os ganhos com a reclicagem de dinheiro.
Maior organização mafiosa do mundo, a ‘Ndrangheta atirou seus tentáculos mundo afora a partir do tempo da emigração calabresa, que em vários casos estabeleceu espécies de cabeças de ponte, como a Mano Nera nos Estados Unidos, no começo do século passado. Como multinacional do crime, opera em 49 países. No Brasil, há tempo atuam em Fortaleza as ‘ndrine dos Mazzaferro e dos Morabito. Estes estão igualmente na Argentina e na Colômbia. Aqueles também, e ainda em Curaçao. Mas a invasão do Brasil já alcança muitas outras cidades além da capital do Ceará, a começar pelo Rio e por São Paulo.
As ‘ndrine estão ligadas por decisivos vínculos familiares e é bastante comum o casamento entre representantes de ‘ndrine diferentes. A filiação se dá por nascimento, quando se trata do filho de ‘ndranghetista, ou pelo batismo, que implica o juramento “em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”. O padrinho garante a lealdade do batizado com a própria vida, e por qualquer deslize deste pode pagar também a família. Esta é a primeira razão pela qual colaboradores de Justiça saídos
da ‘Ndrangheta são muito raros. Uomo di panza, homem de barriga, e capobastone, chefe do bastão, são alguns dos nomes que designam figuras do comando, e todos são uomini d’onore, homens honrados.

Bezerra da Silva - Os DPs de São Paulo

Enviado por Walter Jr. Valeu!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

GREVE DE SERVIDOR SERÁ REGULAMENTADA

Correio Braziliense

LUCIANO PIRES
Senado aprova a Convenção 151 da OIT, que obriga governos e funcionalismo a sentarem à mesa para negociar antes de qualquer greve. Modelo já vale na iniciativa privada.
Sem alarde e por votação simbólica, o Senado aprovou na noite de terça-feira a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Baixada em 1978 com ampla receptividade pelos países, o texto estabelece a negociação coletiva no âmbito da administração pública. Nos mesmos moldes do que ocorre atualmente na iniciativa privada, governos (federal, estaduais e municipais) e entidades representativas do funcionalismo terão de sentar à mesa para tentar encontrar uma saída consensual antes do início de qualquer greve.
A regra internacional altera profundamente a maneira como os conflitos trabalhistas no setor público são tratados no Brasil. Sem parâmetros legais definidos, a relação entre patrões e empregados ao longo dos anos se deteriorou, motivando abusos de ambos os lados. No caso do Estado, o aumento das restrições aos sindicatos e das punições desproporcionais aos grevistas. No caso dos servidores, um excesso de paralisações — muitas delas com caráter político.
Encaminhada ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008, a convenção da OIT foi aprovada na Câmara dos Deputados no ano seguinte. Agora, depois de ratificada pelo Senado, para começar a valer, a regra 151 precisa ser sancionada por Lula e, dentro de um ano, regulamentada. O Ministério do Planejamento e as organizações que representam os servidores negociam um relatório-base que, até o fim de 2010, se transformará em projeto de lei. Denise Motta Dau, secretária Nacional de Organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que esse avanço impulsionará outros.
“A gente espera que com a aprovação da 151 a aprovação de outras propostas que estão no Congresso ganhe força, entre elas a que trata do direito de greve no funcionalismo”, completa. O presidente da CUT, Artur Henrique, deverá se encontrar com o presidente Lula ainda este mês para pedir urgência.
Pressão
A partir da regulamentação da norma da OIT, a pressão maior recairá sobre estados e municípios. Na avaliação dos sindicatos, governadores e prefeitos são os que impõem mais dificuldades no trato com os servidores. Não há, por exemplo, mesas de negociação permanentes ou calendários de acompanhamento que serviriam para evitar paralisações. Tais ferramentas, apesar de não serem utilizadas em sua plenitude, já estão consolidadas na União.
Com o direito à sindicalização reconhecido, a negociação coletiva consolidada e as regras para a realização de greves definidas, a previsão da CUT é de que os conflitos diminuam em todas as esferas de governo. A expectativa é a mesma da área técnica do Ministério do Planejamento, que dentro da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) formata os detalhes do relatório que subsidiará o projeto de lei que vai regulamentar a convenção 151.
Líderes resistentes
O texto base da Convenção 151 ficou parado no Senado por mais de um ano devido à resistência de parlamentares da base aliada do governo federal, que sempre defenderam as greves e os servidores, em aprová-lo. Sua votação só ocorreu depois de um delicado acordo de líderes partidários firmado na semana passada. A expectativa em torno da regulamentação é grande, pois tocará em um ponto delicadíssimo que é a relação entre Estado e servidores.

CCJ RECONHECE PAPILOSCOPISTA COMO PERITO OFICIAL

Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou substitutivo ao Projeto de Lei 5649/09, do Senado, que reconhece os papiloscopistas como peritos oficiais para fins cíveis e criminais. O texto, que tramita em caráter volta agora para o Senado.
O substitutivo aprovado resultou dos debates entre os parlamentares a respeito da competência do Legislativo para iniciar a proposta. O relator, deputado Décio Lima (PT-SC), afirmou que, apesar do desejo de celeridade, as modificações são necessárias a fim de assegurar direitos aos profissionais do setor.
Reportagem – Vania Alves

CCJ ADMITE PEC SOBRE ADICIONAL NOTURNO PARA PMS E BOMBEIROS

Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 339/09, do deputado Vicentinho (PT-SP), que assegura adicional de trabalho noturno para policiais militares, bombeiros militares e integrantes dos órgãos de segurança pública.
No entanto, o relator da proposta, deputado Roberto Magalhães (DEM-PE), disse que a técnica legislativa deverá ser aperfeiçoada.
Reportagem – Vania Alves

terça-feira, 6 de abril de 2010