quinta-feira, 16 de junho de 2016

Porte de ARMA é aprovado para mais categorias Profissionais





O direito ao porte de arma, já autorizado em lei para auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e auditores do trabalho, poderá ser concedido também para mais cinco categorias profissionais.

A medida é prevista em projeto de lei da Câmara dos Deputados (PLC 30/2007) aprovado nesta quarta-feira (8) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Agora a proposta do ex-deputado Nelson Pelegrino será examinada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), antes da decisão final em Plenário.

As categorias contempladas são: oficiais de justiça, peritos médicos do INSS, auditores tributários dos estados e do DF, avaliadores do Judiciário e defensores públicos.

O relator, senador José Medeiros (PSD-MT), reconheceu a necessidade de porte de armas de fogo por membros das carreiras indicadas na proposição. O motivo seria o risco de sofrerem retaliações de pessoas que se sentem prejudicadas pela natureza das decisões associadas ao trabalho que executam.


Fiscalizados

No caso dos auditores tributários, a extensão do porte de arma, de acordo com o relator, deverá contribuir para evitar atos de violência cometidos por fiscalizados. Lembrou que esses servidores muitas vezes exercem sua função em áreas de divisas entre estados, afastados dos grandes centros e distantes de postos policiais.

Medeiros afirmou que os oficiais de justiça estão igualmente expostos a condições de periculosidade no desempenho de suas funções. Observou que as ordens judiciais decorrentes de decisões dos juízes são cumpridas nas mais diversas condições e localidades. Para isso, observa o senador, os oficiais são levados a percorrer “desde os tapetes vermelho dos palácios até as vielas enlameadas das favelas”.

O relator destacou ainda que os peritos médicos da Previdência Social, avaliadores judiciais e defensores públicos também desempenham funções que os colocam em situação de risco, uma vez que podem contrariar interesses e, assim, tornarem-se vítimas de agressões.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Mais uma matéria tendenciosa da imprensa. A diferença de cidadãos morrendo nas mãos dos bandidos é imensamente superior.

Uma em cada 4 pessoas assassinadas em SP foi morta pela polícia

Mortes classificadas na capital como confronto aumentaram 61% em 2015.
SPTV teve acesso a mais de 4 mil boletins de ocorrência via Lei de Acesso.

Amanda Rossi e Luísa Brito*Da TV Globo, em São Paulo
A polícia paulista foi responsável por uma em cada quatro pessoas assassinadas na cidade de São Paulo em 2015, a maior taxa já registrada, segundo levantamento do SPTV. Os dados indicam ainda que as mortes classificadas como confronto entre suspeitos e policiais militares de folga aumentaram 61%.
Em todo o ano de 2015, a polícia matou 412 pessoas na capital, o que representa 26% dos 1.591 assassinatos da cidade, um recorde. Em 2014, a polícia matou 24% das vítimas de assassinato. Em 2013, 16% e em 2005, 5%. O número inclui apenas as mortes em supostos confrontos.
Em algumas regiões da cidade, a polícia matou ainda mais em 2015. No Butantã, Jaguaré e Jardim Arpoador, na Zona Oeste, uma em cada duas vítimas foram mortas por policiais, segundo informações exclusivas obtidas pelo SPTV via Lei de Acesso à Informação.
Mais de quatro mil boletins de ocorrência de mortes violentas entre janeiro e novembro do ano passado foram analisados antes desses documentos se tornarem sigilosos pelo governo do estado.
Mapa da violência em São Paulo (Foto: Editoria de Arte/G1)
Familiares das vítimas de policiais relatam a dor e a “maldade” dos assassinos. “Eu fiquei muito chocada, muito arrasada. Mexe com o coração da gente. Mexe com tudo. Esses assassinos que executaram meu filho podem pensar que chorei só no dia do velório, mas eu choro todo o dia, isso aí é eterno. Saber que não vou ter mais o meu Fernando”, disse Cleusa Glória da Silva, 37 anos, mãe de Fernando, morto pela polícia mesmo depois de ter se rendido.
Imagens de câmeras de seguranças mostraram que Fernando e o colega Paulo Henrique tentaram roubar uma moto e foram executados em 7 de setembro, na região do Butantã.
“No vídeo ele fez assim, se deitou. Aí se deitou. Policial foi lá, verificou ele se estava armado ou não. Viu que ele não tava. Pegou ele por trás assim. Foi lá e segurou ele na maldade e jogou meu filho”, disse a mãe.
Depoimento mãe de vítima de violência (Foto: TV Globo/Reprodução)
“Eles sendo errado ou não, os dois, Paulo Henrique e Fernando, eles tinham que prender. Não executar.  E depois armar armadilha como se eles fosse o assassino. Como se tivesse troca de tiro. Não teve troca de tiro coisa nenhuma. Eles mataram os dois jovens covardemente”, completou.
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Mapa da violência em São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Para Cleusa, a polícia executa jovens negros. “Hoje acho que polícia é corrupta, é assassina, é cruel. Ela tá matando sem dó e piedade. Se for moreno, se for raça negra, eles tão executando, eles não quer nem saber”, disse.
Os dados obtidos pelo SPTV revelam em números o que diz a mãe; 72% das vítimas da polícia eram pretas ou pardas, como Fernando, Paulo Henrique e Carlos Milton, assassinado em maio por um policial de folga.
Milton era agente penitenciário, mas naquele dia estava fazendo um bico para uma empresa de caixa eletrônico e foi fotografar um equipamento em um supermercado, ao lado da casa de um policial militar.
Regiões com mais homicídios (Foto: TV Globo/Reprodução)
O filho do policial explicou o trabalho nos caixas eletrônicos. “Ele me falava que tinha que chegar no local, olhar o caixa eletrônico, averiguar se tem algum dano, se foi furtado e tudo, isso daí, só que a palavra dele não bastava, ele tinha que tirar uma foto e mandar via whatsapp para empresa”, disse Marcelo Silva dos Santos, 20, filho de Carlos.
Para polícia, o PM Cláudio Roberto Calisto contou que saiu de um bar e viu Milton tirando fotos da casa dele e viu que o agente teria sacado arma e por isso revidou com 15 tiros.
“Meu cunhado tem tiro nas costas, como que a pessoa toma tiro nas costas reagiu à agressão do polícia? Não reagiu”, disse Wilhiam Oliveira Linhares, supervisor de padarias, cunhado de Carlos Milton.
Depoimento párente de vítima de violência (Foto: TV Globo/Reprodução)
O policial Calisto foi preso em flagrante, mas foi solto depois. Para a Secretaria da Segurança Pública, a morte não foi um homicídio, mas o promotor do caso discorda.
“Eu recebi um inquérito onde se apura um crime de homicídio e o réu diz que agiu em legítima defesa. Não há nada que possa vir em favor da legítima defesa. Até agora o que se verifica bem claro, tecnicamente, é que houve uma execução”, disse José Carlos Cosenzo, promotor.
Estatísticas
Os dados compilados pelo SPTV também indicam que as mortes classificadas como confronto entre suspeitos e policiais militares de folga aumentaram 61%, chegando a 113, em 2015. Em 2014, foram 70 casos. Essas mortes onde se alega que houve reação não entram na estatística de homicídio.
O cálculo foi feito seguindo metodologia usada pela própria Secretária da Segurança Pública, publicada em documento. Até março, o número era divulgado apenas no Diário Oficial como “homicídio doloso fora de serviço reações”. A partir de abril, passou a aparecer nas estatísticas trimestrais publicadas no site da SSP como “pessoas mortas por policiais militares de folga”.
Mapa da violência em São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Ao mesmo tempo que subiu o número de mortes em supostos confrontos, os homicídios causados por policiais em folga quase zeraram. São casos em que não teria havido reação policial e que deveriam constar na estatística de homicídio. Foram apenas foram três vítimas assassinadas por policiais em 2015, de acordo com dados compilados nas edições do Diário Oficial de 2015. Em 2014, o número era maior, 36.
"Um movimento de forma tão abrupta - de 30 mortes cair para próximo de 0 - indica mais uma mudança de critério de classificação do que uma boa notícia, de que o problema não existe mais ou foi reduzido a praticamente zero”, diz Renato Sérgio de Lima, pesquisador do Fórum de Segurança Pública.
“Nós não temos como auditar essa informação devido à proibição do acesso ao conteúdo dos boletins de ocorrência. Temos que acreditar no que está sendo feito, quase dando à Secretaria de Segurança Pública um cheque em branco assinado. Isso não existe em política pública”, completa.
O promotor do caso do agente penitenciário concorda. “Se o caso do Carlos Milton não constar como crime de homicídio, por exemplo, qualquer outro registro feito em ocorrência é irregular e não corresponde à realidade. Você não pode dizer que pessoa que levou uma série de tiros disparados por um policial fora de serviço seria crime que não seria de homicídio. Faço a indagação: e se a pessoa que atirou não fosse policial militar e fosse civil que tivesse efetuado disparos no Carlos Milton? Seria crime de homicídio. Você não pode tipificar a situação pela condição daquele que matou. Se foi policial, juiz, promotor, operário, seja lá quem for. Se atirou, foi crime de homicídio”, disse o promotor Cosenzo.
A defesa do policial Calisto disse que não poderia se pronunciar. A SPPrev disse que a família do agente penitenciário vai receber a pensão agora em maio.
SSP responde
A Secretaria da Segurança Pública disse que o estado não considera as mortes por intervenção policial como homicídio porque não há relação entre os crimes e diz que segue classificação internacional.
Sobre as mortes provocadas por policiais, a SSP afirmou que “os confrontos ocorrem principalmente em decorrência dos roubos, onde os autores estão armados. O investimento na inteligência das polícias e nos recursos materiais e humanos contribuiu para que os agentes cheguem cada vez mais rápido nos locais das ocorrências. Na tentativa de evitar as prisões em flagrante, os criminosos optam, muitas vezes, por resistir provocando a reação policial, ação legítima dos agentes no exercício de suas funções”.
Nesta terça-feira (26), por meio de nota, a Secretaria reconheceu que é correta a comparação entre os dados de "homicídio doloso - fora de serviço (reações)" e "morte decorrente de intervenção policial em folga".
A SSP informou que quatro PMs envolvidos no caso da morte do filho da Cleusa estão presos. Já o PM que atirou no agente penitenciário está solto, mas afastados das ruas.
* Colaborou Cíntia Acayaba, do G1 São Paulo

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ladrões usam colete da PF e assaltam prédio de preso da Lava Jato em SP

Um grupo de ladrões utilizando uniforme de agentes da Polícia Federal fez um arrastão em prédio de Santo André (SP), no final da madrugada desta quinta-feira (14).
O prédio passou por uma ação verdadeira da PF no começo do mês, quando um de seus moradores, o empresário Ronan Maria Pinto, dono do "Diário do Grande ABC" foi preso, na 27ª fase da Operação Lava Jato.
Sergio Lima - 17.nov.2005/Folhapress
ORG XMIT: 551501_1.tif Caso Celso Daniel: o empresário Ronan Maria Pinto durante depoimento na CPI dos Bingos, no Senado, em Brasília (DF). O empresário é acusado de envolvimento num esquema de cobrança de propina na gestão de o prefeito Celso Daniel (PT) em Santo André (SP), cujo dinheiro seria usado em campanhas do PT. (Brasília, DF, 17.11.2005. Sérgio Lima/Folhapress. Digital)
Prédio em que Ronan Maria Pinto mora foi alvo de ação da PF e, dias depois, de criminosos disfarçados
Segundo a Polícia Militar, os criminosos convenceram o porteiro a deixá-los entrar ao dizer que tinham mandado de prisão. Eles então assaltaram quatro apartamentos do prédio, rendendo funcionários e moradores. A Secretaria de Segurança Pública informa que a ação foi feita por cerca de dez homens, todos trajados como agentes da PF, e que foram levados dinheiro e joias. Não houve feridos.
O grupo fugiu após o roubo e não havia, até o final da tarde desta quinta, qualquer informação sobre seu paradeiro.
Ao "SPTV", do Grupo Globo, o síndico do prédio, Jeremias de Oliveira, disse que o grupo tinha muitas armas, inclusive o fuzil. "Eu percebi de cara que era bandido. Eles entraram falando que era a Polícia Federal, mas tinha um cara com paletó e gravata, a gravata toda torta, o paletó maior que ele." Outro, segundo o síndico, que também teve o apartamento assaltado, estava com um "tênis velho, a calça velha e só com o colete da Polícia Federal".
O 1º DP de Santo André instaurou inquérito e ouve testemunhas e vítimas. A polícia procura por imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a ação para identificar os autores do crime. De acordo com o site "G1", as gravações das câmeras de segurança do prédio também foram levadas.
LAVA JATO
Ronan Maria Pinto foi preso pela Polícia Federal no último dia 1º, na 27ª fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. O empresário é investigado para apurar sua ligação com a morte de Celso Daniel (PT), então prefeito de Santo André, em 2002. O caso nunca foi esclarecido.

A defesa de Ronan entrou com pedido de habeas corpus, que foi negado na sexta-feira (8). 

quarta-feira, 30 de março de 2016

PF vai investigar morte de policial que acusava Aécio de ligação com tráfico



Encontrado enforcado com gravata, Lucas Gomes Arcanjo fazia diversas acusações contra presidente do PSDB, como lavagem de dinheiro, compra de habeas corpus e até homicídio




Arcanjo ficou conhecido pelas críticas e acusações ao ex-governador e senador Aécio Neves




A pedido do ministro da Justiça, Eugênio Aragão, a Polícia Federal vai acompanhar as investigações sobre a morte do investigador da Polícia Civil de Minas Gerais Lucas Gomes Arcanjo, encontrado enforcado com uma gravata em sua casa em Belo Horizonte no sábado (26).

Arcanjo ficou conhecido por fazer críticas e acusações ao ex-governador de Minas e atualmente presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, divulgadas em seus perfis nas redes sociais.

O Ministério da Justiça informou que vai apoiar a investigação "tendo em vista as circunstâncias de óbito repentino do policial". Seguido no Facebook por quase 23 mil usuários, em diversos vídeos o policial acusava o tucano de ligação com narcotráfico, compra de habeas corpus, lavagem de dinheiro, corrupção e até homicídio.

Araújo criticava ainda a corrupção na própria Polícia Civil. Em uma das gravações, o policial diz que um corpo foi achado na propriedade de um primo do tucano, em Cláudio, onde o governo Aécio construiu um aeroporto. "Mas nada é investigado", afirmava Araújo, que estava de licença para fazer tratamento psicológico.

A Polícia Civil informou que não vai comentar o caso. A assessoria de Aécio divulgou nota dizendo que o caso "não guarda relação com política". "Trata-se de assunto da competência das polícias. É lamentável a irresponsável exploração que vem sendo feita pelo PT e seus aliados", diz o texto.

terça-feira, 29 de março de 2016

Polícia prende ex-presidente da Assembleia de SP e mais 6 por fraude na merenda




A Operação Alba Branca, que investiga desvio de dinheiro público destinado a merendas escolares, prendeu na manhã desta terça-feira (29) o ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo Leonel Julio e mais seis investigados por fraude na merenda escolar. Também foi decretada a prisão do presidente da União dos Vereadores do Estado, Sebastião Miziara. A decisão é da Justiça de Bebedouro (a 381 km da capital), onde ficava a base da organização.


Os alvos das ações são suspeitos de participar de um esquema de fraudes nos contratos para fornecimento de merenda para escolas da rede pública estadual e também municipais.

Segundo as investigações, o esquema envolvia o pagamento de propina a agentes públicos e era liderado pela Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), que mantinha contratos para fornecimento de alimentos com diversas prefeituras. A empresa é acusada de fraudar a modalidade de compra "chamada pública", que pressupõe a aquisição de produtos de pequenos produtores agrícolas. A empresa cadastrou cerca de mil pequenos produtores, mas comprava de apenas 30 ou 40 deles, e adquiria também de grandes produtores e na central de abastecimento do estado, informou o MP.

A Alba Branca aponta para o suposto envolvimento do atual presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB) e de outros parlamentares. A investigação sobre Capez, que já teve a quebra de sigilo decretada por um juiz, está em curso no Tribunal de Justiça do Estado.

Procurado pela reportagem, o deputado Fernando Capez diz em comunicado que "continua à disposição para colaborar com as investigações e espera que os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível". Além disso, afirma que "repudia com veemência a ligação de seu nome ao escândalo Alba Branca".

"O envolvimento de seu nome é uma injustiça. Logo a verdade aparecerá", completa a nota enviada pela assessoria de comunicação do deputado.

A operação foi deflagrada em janeiro, com mandados de busca e apreensão em 16 prefeituras paulistas.

Leonel Julio, do antigo MDB, presidiu a Assembleia de São Paulo e foi cassado em 1976 pelo regime militar acusado de após ter suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas (na época, o caso ficou conhecido como "escândalo das calcinhas"). A operação afirma que seu filho, Marcel Julio, é um dos mentores da organização. Marcel está foragido.

Os mandados de prisão contra Leonel Julio e outros seis alvos da Alba Branca foram expedidos pela Comarca de Bebedouro, porque eles não têm foro privilegiado, como Capez. Além de Leonel Julio e Sebastião Miziara, a Justiça mandou prender também Carlos Eduardo da Silva, Aluísio Girardi, Emerson Girardi, Luiz Carlos da Silva Santos e Joaquim Geraldo Pereira da Silva. Procurada pela reportagem, a União dos Vereadores do Estado disse ainda não ter informações a respeito do mandado contra Sebastião Miziara.

A Justiça também decretou buscas e apreensões que estão sendo cumpridas pela Polícia Civil do Estado.

A Operação Alba Branca envolve ainda Luiz Roberto dos Santos, o Moita, ex-chefe de gabinete da Casa Civil do Governo Geraldo Alckmin.







quinta-feira, 10 de março de 2016

Morre capitão da Rota baleado 10 vezes em assalto em São Paulo

Marcos Henrique da Silva seguia internado desde o dia 20 de fevereiro.
Ele foi baleado durante tentativa de assalto à sua casa, no Rio Pequeno.

Do G1 São Paulo
Morreu nesta quinta-feira (10) o capitão das Rondas Ostensivas de Tobias de Aguiar (Rota) Marcos Henrique da Silva, informou a Polícia Militar. O policial ficou mais de duas semanas internado no Hospital Samaritano, em São Paulo, após ser baleado 10 vezes durante um assalto à sua residência, no Rio Pequeno, Zona Oeste, em 20 de fevereiro.
Segundo a corporação, o capitão estava em uma “confraternização familiar” quando quatro criminosos entraram em sua casa. Um quinto assaltante ficou dentro do carro. Eles aproveitaram que o filho do policial chegava no local para conseguir acesso á residência.
De acordo com a PM, Silva teria tentado ir chegar até seu carro para pegar uma arma, mas não teve sucesso. Os criminosos dispararam diversas vezes após descobrirem que se tratava de um policial militar. Três suspeitos foram presos e outros dois seguem foragidos.
Capitão da Rota Marcos Henrique da Silva levou dez tiros (Foto: TV Globo/Reprodução)Capitão da Rota Marcos Henrique da Silva levou dez tiros (Foto: TV Globo/Reprodução)
Suspeitos detidos
O primeiro suspeito foi preso por volta das 6h25 da manhã do dia 23 de fevereiro, depois que uma denúncia anônima levou à sua localização, na Rua Tom Jobim, no bairro de Santa Maria, em Osasco. Segundo a PM, ele estava dormindo na casa de sua mãe quando os policiais militares chegaram.
Ainda de acordo com a polícia, ele foi reconhecido por quatro familiares do capitão após ser levado ao 2º Distrito Policial da cidade. A ocorrência foi apresentada no 51º Distrito Policial de São Paulo, no Butantã, responsável pelas investigações do caso.
Já o segundo suspeito foi detido depois de apresentar-se ao distrito, no início da tarde do mesmo dia, de acordo com investigadores do 51º DP. Ele também teria sido reconhecido por familiares da vítima.
Ainda no dia 23, durante a noite, o terceiro detido, conhecido por Chick, se entregou à polícia. De acordo com a PM, o rapaz seria o responsável por disparar pelo menos 14 vezes contra o policial.
Em entrevista sobre o caso, secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou acreditar que os bandidos não sabiam que estavam entrando na casa de um policial.
“Foi uma invasão que se iniciou com roubo à residência. No momento em que descobriram que ele era policial, que era capitão, os criminosos passaram a efetuar uma série de disparos contra o capitão, mas a ocorrência foi um roubo à residência", disse.

Estudiosos da Operação Mãos Limpas alertam: Lava Jato não é a cura do Brasil

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília
 
  • PF cumpre mandados de busca e apreensão no escritório da construtora Odebrecht
    PF cumpre mandados de busca e apreensão no escritório da construtora Odebrecht
Tida como a "musa inspiradora" da Operação Lava Jato, a Operação Mãos Limpas, na Itália, completou 24 anos em 2016. A investigação descobriu uma rede de cobrança de propinas no país europeu, levou pelo menos 3.000 pessoas à cadeia e investigou cerca de 500 parlamentares, empresários e seis primeiros-ministros.
Mas especialistas italianos no combate e prevenção à corrupção alertam para o legado negativo da Mãos Limpas. Alberto Vannucci e Federico Varese dizem que a Itália não ficou menos corrupta depois da operação e lançam um alerta para o Brasil: a Lava Jato não vai curar o país.
A Operação Mãos Limpas começou em fevereiro de 1992 quando um funcionário público de pouca projeção chamado Mário Chiesa foi preso após receber propina de uma empresa que mantinha contratos com o governo. O que parecia um pequeno caso de corrupção logo se transformou no maior escândalo político da Itália.
Os juízes italianos descobriram uma rede de corrupção que cobrava propina em contratos públicos que beneficiava diversos partidos políticos. A operação durou pelo menos quatro anos e mudou o cenário político italiano até então dominado pelos partidos PSI (Partido Socialista), de centro-esquerda, e o DC (Democracia Cristã), de direita. Após a Mãos Limpas, os dois partidos perderam o monopólio da política italiana e foram extintos.
Com forte apoio popular, os juízes processaram e interrogaram políticos e empresários em sessões que eram televisionadas para todo o país. Alguns promotores e juízes do caso ficaram tão famosos que, anos depois, entraram para a política.
Alberto Vannucci é professor de ciência política na Universidade de Pisa, na Itália. Ele é um dos principais estudiosos dos efeitos da Operação Mãos Limpas. Seu trabalho foi citado pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, em um artigo publicado em 2004 na qual Moro afirma que a operação italiana é "guia" da Operação Lava Jato.

Comparação válida

Para Vannucci, a comparação entre a Mãos Limpas e a Lava Jato é justa.
"Há algumas similaridades, sim. As duas começaram investigando um crime pequeno e descobriram uma rede muito grande de corrupção. Além disso, esse fenômeno no qual os juízes e promotores do caso se tornaram verdadeiros heróis nacionais também aconteceu na Itália", afirma Vannucci.
Vannucci, que era um jovem estudante quando a Mãos Limpas começou, se lembra do sentimento de esperança que a operação deu ao povo italiano.
"As pessoas assistiam aos julgamentos na TV. Era um clima de comoção muito grande e muita gente pensou que a corrupção ia chegar ao fim", conta Vannucci.
Federico Varese, professor de criminologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, também lembra com nostalgia daquele período. Há 20 anos, ele estuda a corrupção e o crime organizado.
"Houve, sim, um sentimento de muita esperança naquela época. Havia pessoas poderosas sendo presas e isso nos deu essa impressão", afirma Varese.

Veja quem é investigado na Lava Jato81 fotos

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O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é apontado como beneficiário de desvios na Petrobras. Segundo depoimentos de delatores da Operação Lava Jato, o peemedebista recebeu US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sondas e também de um negócio fechado pela Petrobras na África. O presidente nega as acusações e afirma que sua acusação é uma estratégia partidária: "O governo quer desviar a mídia do processo de impeachment e quer colocar no PMDB e em mim a situação do assalto à Petrobras, que foi praticado pelo PT e por membros do governo". Entre os parlamentares com mandato, ele foi o primeiro a se tornar réu no STF, em março de 2016 Leia mais Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

O que deu errado?

Os especialistas italianos afirmam, porém, que mesmo depois de todo o clima de esperança em torno da Operação Mãos Limpas, a Itália, 24 anos depois, não ficou menos corrupta. De acordo com o último levantamento mais recente realizado pela ONG (organização não governamental) Transparência Internacional sobre a percepção do setor privado em relação à corrupção, a Itália está em 61º lugar entre 168 países, posição que a coloca no "pelotão do meio", próxima a países como Gana e Lesoto e distantes dos vizinhos europeus como Alemanha e Reino Unido (ambos na 10ª posição), França (23ª) e Espanha (36ª). O Brasil está na 76ª posição.
"Infelizmente, a Itália está tão corrupta hoje quanto ela estava em 1992. Talvez até mais", diz Federico Varese.
"Só prender não adianta. Por melhor que os juízes fossem, eles não teriam como fazer as mudanças estruturais que o país precisava. Era preciso fazer reformas políticas e administrativas no país, e isso não foi feito", explica Varese.
Alberto Vannucci diz que, em grande parte, a responsabilidade pela manutenção da corrupção na Itália pós-Mãos Limpas se deveu à classe política.
"Eles não estavam interessados em fazer as reformas que eram necessárias. O que aconteceu é que os partidos de oposição se aproveitaram da popularidade da Operação Mãos Limpas para desgastar o governo. Além disso, muitos juízes e promotores do caso acabaram sendo atraídos para a vida política e seguiram carreira política", afirmou.
Federico Varese diz que o financiamento político, uma das principais questões levantadas pela Mãos Limpas, também não foi alterado.
"O financiamento da política é algo problemático em todos os países democráticos, mas, na Itália, nós perdemos essa chance de discutir e mudar o sistema", lamenta Varese.
Vannucci diz ainda que a Mãos Limpas teve um efeito colateral dramático para Itália: o aperfeiçoamento dos corruptos.
"O que a gente percebeu é que a nova geração de corruptos ficou mais sofisticada. Eles criaram novos mecanismos para evitar serem pegos. Além disso, foram criadas leis que dificultaram o trabalho dos juízes e promotores. Hoje, eles até observam a corrupção, mas não têm muito como combatê-la", explica Vannucci.

Lições

Federico Varese é didático ao dizer que lições o Brasil poderia aprender a partir da experiência italiana.
"Vocês não devem acreditar que essa investigação vai resolver o problema da corrupção. A operação Lava Jato não é a cura do Brasil. Tomem cuidado com partidos populistas tentando atrair promotores e juízes nas próximas eleições. Façam as reformas políticas e administrativas que são necessárias. Modernizem a forma como governo contrata obras públicas", disse o professor.
Vannucci é mais enfático. "Não percam a chance de fazer as reformas necessárias. A corrupção não pode ser combatida apenas na Justiça, prendendo e processando pessoas. É preciso preveni-la", afirmou o professor. 
"O que aconteceu na Itália é que a opinião pública italiana, que ficou muito mobilizada durante os escândalos, pareceu esquecer o que aconteceu nas eleições seguintes. O maior legado da Mãos Limpas foi Sílvio Berlusconi (ex-primeiro-ministro), que surgiu na política e também foi envolvido em diversos casos de corrupção", disse Vannucci.