terça-feira, 25 de novembro de 2014

QUEM QUISER QUE FAÇA MEU TRABALHO!



25/11/2014


Fonte: Blog Comunidade Policial
Como cidadão, que acredita na autodefesa, estou bastante incomodado. Como policial, que tem o dever de proteger as pessoas e o Estado, seus direitos e propriedades, eu estou impressionado, no pior sentido da palavra. E como instrutor de armamento e tiro, que tem a intenção de ensinar policiais a sobreviverem aos confrontos armados, eu estou pensativo.
A partir de agora, todas as instituições policiais brasileiras terão um desafio NUNCA imaginado. É um desafio fora do comum e que pode servir de base para um filme de ficção científica capaz de vencer todas as categorias do Prêmio Oscar. Se as polícias brasileiras conseguirem vencer esse desafio, todas as polícias e forças armadas no Planeta Terra, do Espaço Sideral e do Além nos enxergarão como exemplo único de eficiência e eficácia profissional.
Se tudo der certo, o FBI, o DEA, o U.S. Marshall, a Scotland Yard, o SAS, o U.S. Navy Seals, os Marines Corps, o GSG9, o Bundespolizei, o Mossad, a Mishteret Yisreal e a Royal Canadian Mounted Police, virão ao Brasil para aprender a extraordinária, nova e peculiar técnica de confronto armado com criminosos. Para isso, contamos com um país que agrega uma variedade de religiões que coexistem em completa tolerância e harmonia.
Nada de estandes de tiro, equipamentos de proteção individual, coletes balísticos, armas de fogo, pólvora, estampidos, comandos, treinamentos, repetições cansativas, sol ou chuva, sirenes, algemas. A nova técnica de reação policial precisará apenas de itens que não são controlados pela legislação: farofa, galinha preta, cachaça, vela, charuto, água benta, hóstia, terço, fita do Senhor do Bonfim, médiuns, oferendas, e muita, mas muita prece e oração.
De agora em diante, as escolas e centros de treinamento policial precisam desenvolver e aplicar uma técnica de tiro que permita ao policial REAGIR SOMENTE DEPOIS DE TER SIDO ALVEJADO. É isso mesmo: ele só pode usar sua arma depois de ter sido alvejado, gravemente ferido ou morto. E como pai (mas não mentor) dessa esplendorosa técnica de tiro e comportamento policial, vou chamá-la de “Técnica do Homem Morto” ou “Dead Man Drill”, para os estrangeiros.
Sete bilhões de habitantes no planeta Terra e ninguém pensou nisso antes?! A técnica é simples: o policial será alvejado por um tiro real. Se ele sobreviver, poderá reagir e atirar no alvo. Se ele morrer, poderá utilizar métodos de interação além-túmulo para reagir e atirar no alvo. O policial não pode entrar no túnel de luz (que conduz ao céu) e deve utilizar a pistola plasmo-fantasmagórica que surgirá em seu coldre. Se o policial morto não conseguir impedir a ação criminosa e prender o bandido, ele pode deixar que outro policial o faça, desde que sobreviva ao ferimento também. No final, dependendo da inabilidade dos policiais envolvidos na ocorrência, todos responderão processos disciplinares por trabalharem mal, intencionalmente ou não.
Quando os policiais, de países que possuem instituições públicas e privadas comprometidas com a segurança dos seus cidadãos e dos próprios policiais, assistirem a aplicação dessa nova metodologia, ela será imediatamente rebatizada de “Stupid Drill” ou “What a Fuck Drill”.
E então? Essa técnica faz sentido para você? Fique feliz se você respondeu “não”, pois ainda goza de alguma sanidade mental. E agora que eu recobrei minha capacidade de pensar com inteligência, deixarei que a “Técnica do Homem Morto” seja aplica apenas por quem acredita nela.
Excepcionalmente, quem crê na viabilidade desse comportamento antinatural nunca está na linha de frente quando é preciso ser forte para superar o estresse e a adversidade de um conflito com criminosos e aquilo que eles representam (medo, violência e dor). Esperar que qualquer ser humano freie seu instinto natural de sobrevivência e aguarde ser alvejado para, só depois, reagir não tem explicação legítima, técnica ou moral.
Talvez você não saiba a origem da “Técnica do Homem Morto”. Por isso, transcrevo a argumentação contida num vídeo que circula na Internet:
“Se vocês querem uma resposta jurídica da coisa, para dizer que vocês não tenham nenhuma consequência, não atirem! Vocês só podem atirar a partir do momento que vocês forem alvejados. Vocês não têm uma arma para atacar. Vocês têm uma arma para se defender!”
“Não coloquem a vida de vocês em risco nem a vida de terceiros em risco para pegar um criminoso!”
De algum modo, parte da argumentação tem lógica, ou seja, não faça nada e você não sofrerá consequências. Na verdade, um convite para todos os policiais navegarem na Internet ou jogarem conversa fora nas delegacias e quartéis. Considerando o perigo do trabalho policial, os baixos salários e o desrespeito que enfrentam em razão da profissão, essa ideia é bastante interessante. Segundo, armas nas mãos de policiais profissionais e cidadãos de bem são, sim, instrumentos de defesa. Porém, a mesma arma de fogo só serve para ataque quando está nas mãos dos delinquentes. Por último, não se deve colocar a vida de terceiros (inocentes) em risco para prender criminosos, pois o risco não vale o benefício. Entretanto, como o policial não vai colocar sua vida em risco se for obrigado a ser alvejado primeiro antes de se defender?
Em 2007, escrevi o artigo denominado “O desconhecimento que mata...a legítima defesa!” Desse texto selecionei alguns tópicos importantes.
[...] muitas pessoas acreditam que o risco de vida não existe até que a ameaça ou agressão seja imediata. Essa ideia perigosa força muitos policiais a esperarem até que os criminosos saquem e apontem suas armas para eles ou para pessoas inocentes antes que esses policiais possam neutralizá-los. Pesquisas americanas demonstram que um criminoso é capaz de sacar uma arma escondida e atirar contra um policial antes que esse policial consiga simplesmente apertar o gatilho de sua arma já apontada para o criminoso (Firearms Response Time by Thomas A. Hontz).
[...] a ação é mais rápida que a reação.
Já em 2008, publiquei o texto “Eu vou atirar na perna dele!
Informações sobre confrontos armados indicam que um policial acerta um em cada seis tiros disparados contra o alvo. Isso produz cerca de 17% de aproveitamento, e se já parece ruim, espere até você analisar outro dado que demonstra que aproximadamente 50% dos tiroteios ocorrem em distâncias de até 1,70 m entre o policial e o suspeito. Outros 20% ocorrem em distâncias entre 2 e 3,40 metros. Agora, um homem com uma faca – e com o caminho livre – é capaz de correr 5 m em apenas 1.28 segundo. Assim, não importa quantos disparos sejam feitos, você vai errar a maioria deles, mesmo à queima roupa. Então, quão realista seria se muitas das pessoas que tiveram a SORTE de acertar o criminoso em ação tivessem que calmamente mirar e disparar contra uma das menores partes do corpo? E se essa área ainda tivesse grande chance de estar em movimento? Então, quanto tempo sobraria para a visada perfeita na perna, no braço ou no ombro? NENHUM.
De qualquer maneira, a prática nas academias envolve dois conceitos. O primeiro deles refere-se ao centro de massa, significando apontar a arma para que o projétil vá de encontro à área mais ampla do alvo (o tronco) e, obviamente em cujo local as chances de acerto são maiores. O segundo conceito diz respeito à possibilidade de se atingir órgãos internos localizados nessa área e que permitam uma maciça perda de sangue, levando à inconsciência e à incapacitação.
A intenção de incapacitar, em nada tem a ver com atirar para matar ou mirar para ferir, pois ambas são irrelevantes, pois sua ação de autodefesa está centralizada na percepção de ameaça grave e na capacidade do criminoso matar ou tentar matar você. Se a simples presença da sua arma detiver a intenção do delinquente, o trabalho está feito! Se apenas um tiro no centro de massa persuadir o atacante a desistir, está ótimo! Contudo, se forem precisos 10 tiros pelo corpo para impedir que um criminoso mate você, então...!
Eu não estou defendendo o uso da força letal como forma de punição para criminosos. O que eu estou dizendo, é que você é uma pessoa sensata, com um inalienável direito à vida e à liberdade e que não se envolve em questões alheias, ou seja, você vive pacificamente. E então, alguém o ataca, tenta feri-lo ou matá-lo sem nenhuma razão a não ser com o interesse de tomar aquilo que é seu. Você não está tentando matá-lo, apenas tentando fazê-lo parar. E isso não é errado, é certo! Você tem o direito de fazer o que for necessário para estar a salvo, voltar para casa e para sua família. Mas se você esperar até conseguir a pontaria perfeita e “não letal”, talvez seja tarde demais para você!
Agora, imagine que você (policial, juiz, promotor ou cidadão armado) tenha que aguardar o criminoso alvejá-lo para, a partir daí, adotar uma reação armada. Quão realista isso parece? Quem pode garantir que esse ferimento não será fatal? Será que esse novo conceito será utilizado pelos delinquentes? Porque não realizam seminários nos presídios para avisar aos assassinos, estupradores, traficantes, torturadores, pedófilos, falsários e ladrões que eles também só podem atirar depois de serem alvejados? Afinal, são esses criminosos que nunca hesitam em tirar a vida dos bons brasileiros.
A própria norma que trata da legítima defesa, garante a autodefesa na iminência ou atualidade de um ataque injusto. Ora, se a lei permite uma defesa no prenúncio do ataque, porque esperar o pior desfecho?
Já disse e repito: quem entende o trabalho policial e sabe como ele deve ser feito é a polícia. Seminários, palestras, simpósios e outras reuniões sobre assuntos pertinentes ao universo policial e suas técnicas deveriam ser compostas por especialistas da polícia, salvo raras exceções. Por essa razão, as organizações policiais precisam compreender a importância e urgência na produção de dados e informações técnicas que balizem o trabalho e o comportamento policial na dura realidade dessa tarefa. Policiais que arriscam suas vidas diariamente em benefício de pessoas desconhecidas não podem ser abandonados e colocados na linha de tiro dos que acreditam que eles devem aceitar, CALADOS E IMÓVEIS, o alvejamento, o ferimento ou a morte.
Quem acredita na “Técnica do Homem Morto” não tem permissão para “achar”, interferir, julgar, decidir ou avaliar o instinto natural de sobrevivência que todo ser humano possui. Quem acredita nessa técnica deveria, por respeito ao próprio pensamento, ser unir aos policiais do Rio de Janeiro e enfrentar os traficantes nos morros cariocas. Deveria se unir, lado a lado, aos policiais de São Paulo que lutam contra o PCC, por exemplo. Deveria perguntar aos policiais, juízes, promotores, políticos e cidadãos de países desenvolvidos o que é melhor para o mundo: um policial vivo ou um criminoso.
A vida é preciosa demais para ser entregue de modo tão fácil. E quem acredita que a vida do policial não vale nada que faça o nosso trabalho, principalmente no pior momento.
SE ESPERARMOS QUE CADA POLICIAL SEJA ALVEJADO PARA QUE ELE POSSA REAGIR AO CRIME, EM BREVE NÃO TEREMOS MAIS POLICIAIS NO BRASIL.
Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor do livro Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais.

O crime organizado e suas engrenagens



Fonte: ANPR
Carta de Angra dos Reis - RJ
Procuradores da República apontam caminho para combate eficiente da corrupção e organizações criminosas: CARREIRA ÚNICA!

Em evento que reuniu mais de 350 membros do Ministério Público Federal(MPF), na tarde de sexta-feira, 31, procuradores da República discutiram melhorias que precisam ocorrer no combate à corrupção e às organizações criminosas. Ao final do 31º Encontro Nacional dos Procuradores da República (ENPR), a Carta de Angra dos Reis foi aprovada com 18 pontos que precisam ser aprimorados para que o enfrentamento ao crime seja mais eficiente.

No documento, os procuradores da República ressaltam que “é essencial e urgente” tornar a investigação criminal mais técnica e coordenada. Eles sugerem também a revisão e modernização dos procedimentos e da forma de organização das instituições envolvidas.

Além disso, na Carta de Angra dos Reis, o inquérito policial é classificado como “uma arcaica e ineficiente subespécie de procedimento investigatório injustificadamente judicialiforme”. Os procuradores defendem, ainda, a extinção do inquérito policial e sua substituição por procedimentos técnicos, rápidos, e sempre com absoluto respeito aos direitos fundamentais do investigado.

Ainda no que se refere à atividade policial, os procuradores da República destacaram a necessidade de a carreira ter entrada única, submetendo-se à estruturação hierárquica de acordo com experiência, mérito e formação técnica. Outra modificação proposta na Carta é a adoção do ciclo completo para as polícias militares e para a Polícia Rodoviária Federal nos casos dos delitos alcançados em flagrante e dos crimes em que suas estruturas e inserção facilitam a investigação.

Saiba mais – O Encontro Nacional dos Procuradores da República é realizado anualmente pela Associação Nacional dos Procuradores da República e, neste ano, chegou a sua 31ª edição. O tema do evento deste ano foi “O crime organizado e suas engrenagens”.

As palestras – proferidas por especialistas renomados, como o juiz Federal Sérgio Moro (responsável pela Operação Lava Jato) e o procurador Nacional Substituto da Direção Antimáfia da Itália, Maurizio de Lucia – ajudaram na elaboração do documento.
Confira a íntegra da Carta de Angra dos Reis 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

85% dos policiais brasileiros querem mudança de modelo



 
Fonte: O Tempo
 
Maioria dos policiais ouvidos por pesquisa defende a desmilitarização da polícia; estudo foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Censo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que apenas 14,22% dos policiais brasileiros acreditam que o melhor para a realidade brasileira seja a manutenção do atual modelo de polícias estaduais, com a Polícia Militar agindo de forma ostensiva e a Polícia Civil mantendo função judiciária.
 
A maioria dos policiais ouvidos pelo censo (27,10%) acredita que o ideal seja criar uma nova polícia, com caráter civil, com hierarquia e organizada em carreira única. Outros 7,88% dos policiais também defendem nova polícia civil, mas organizada em carreiras diferentes. Isso significa que a maioria dos policiais ouvidos defende a desmilitarização da polícia – pauta reivindicada por setores da esquerda e que foi bandeira do PSOL durante as eleições.

Além disso, 30,81% dos policiais que responderam ao questionário defendem a unificação das polícias civil e militar.

O levantamento foi feito pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 21.101 policiais, da Polícia Militar (52,9%), Polícia Civil (22%), Polícia Federal (10,4%), Corpo de Bombeiros (8,4%), Polícia Rodoviária Federal (4,1%) e Polícia Científica (2,3%), entre 30 de junho e 18 de julho deste ano.

Dificuldades

Questionados sobre os fatores que mais trazem dificuldades aos trabalhos das polícias, 84,7% definiram os baixos salários como fator muito importante. A renda líquida mensal de 27% dos policiais que responderam ao censo é de R$ 5.001 a R$ 10 mil; de 26,2%, é de R$ 2.001 a R$ 3.000 e de 20,9%, de R$ 3.001 a R$ 4.000.

O contingente insuficiente de policiais foi apontado como fator muito importante por 81,7% dos entrevistados. 80,6% falaram em formação e treinamento deficientes; 76,8% em falta de verba para equipamentos e armas; 71,9% em incapacidade das instituições para identificar potencial de cada profissional e 70,3% apontaram a corrupção policial como fator muito importante.

Outros problemas apontados pela categoria são leis penais inadequadas (muito importante para 82,1%), falta de política de segurança pública (81,4%) e mau funcionamento do sistema penitenciário (79,1%), dentre outros.

Cerca de metade dos policiais disse que Ministério Público e Justiça atuam com indiferença em relação às dificuldades do trabalho policial, apenas cobrando, mas sem colaborar .

Violência

Dentre os policiais ouvidos, 66% já terem sofrido discriminação por serem policiais. 42,7% dos policiais relatou ter sido vítima de violência física e 5,2% já foram baleados, em serviço ou de folga.

O estudo pode ser acessado na íntegra AQUI.

Outros estudos

Outro estudo feito pela FGV para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 81% dos brasileiros acham fácil desobedecer leis. O mesmo porcentual de pessoas também tem a percepção de que, sempre que possível, as pessoas escolhem “dar um jeitinho” no lugar de seguir as leis.O estudo, divulgado nesta segunda pelo jornal O Estado de S. Paulo , mostra ainda que 32% da população confia no Poder Judiciário e 33% confiam na polícia.

Além disso, pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) e divulgada nesta segunda pelo jornal O Globo aponta que a violência custa R$ 258 bilhões no Brasil, o equivalente a 5,4% do Produto Interno Bruto do país.
 

Simpósio sobre Modernização da Segurança Pública une policiais e procuradores


 
19/11/2014

Fonte: Agência Fenapef
O Auditório da Assembleia Legislativa do Maranhão esteve lotado na tarde de ontem, 17 de novembro de 2014, para assistir as palestras do I Simpósio sobre Modernização da Segurança Pública no Brasil.
Com iniciativa do Sindicato dos Policiais Federais do Maranhão (SISPFEM) e apoio da Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) o evento propiciou a integração de vários segmentos que operam a Segurança Pública. Policiais do Brasil, dos Estados Unidos (Chief Marcos Bonfim) e Procuradores debateram os principais problemas da Segurança Pública no Brasil, apresentando números da falência no combate à criminalidade e apresentaram diversas soluções, através de ações imediatas e propostas de modificações nas estruturas das polícias, através de projetos de lei (PLs) e propostas de emenda à Constituição (PECs).
O Agente Federal Danilo dos Santos, Diretor da Fenapef, abriu oficialmente o evento em nome dos Presidentes Jones Borges Leal, da Fenapef, e José Ribamar, do SISPFEM, saudando o imenso público e ressaltando a importância do tema em debate – a modernização da Segurança Pública brasileira. 
O Chefe de Polícia Marcos Bonfim, de Charlton, na Carolina do Norte, apresentou um painel sobre a estrutura policial nos Estados Unidos, evidenciando as diferenças entre a política de combate ao crime entre aquele país e o Brasil, principalmente no percurso da investigação criminal, desde a cena do crime até o (célere) encaminhamento do relatório policial ao Juiz.
Em sua animada palestra, mostrou com clareza a valorização de que desfrutam os policiais nos Estados Unidos, mesmo atuando de forma descentralizada e com várias agências de investigação, incluindo o FBI, mas ao mesmo tempo com uma eficiência muito superior à do Brasil.  
O Procurador Alexandre Camanho, Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, defendeu o ingresso único e implementação do ciclo completo na estrutura das polícias e apresentou uma oportuna e analítica visão do Ministério Público Federal sobre o sistema de investigação criminal no País. Lentidão, repetição e burocracia foram a palavras de ordem para classificar o arcaico e ineficiente inquérito policial como instrumento de formalização e centralização das investigações feitas pelas policias chamadas judiciárias (Polícia Civil e Policia Federal).
O Vice-Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federal destacou a importância da porta única de entrada para as policias e a aplicação da capacitação, tempo e meritocracia como elementos de evolução funcional da carreira policial. Anunciou a tramitação das Propostas de Emendas à Constituição (PECs) 51/2013 e 73/2013, no Senado Federal, as quais contemplam essa reengenharia, bem como a PEC 361/2013, que trata especificamente da porta única de entrada na Polícia Federal, e a recente PEC 431/2014, de autoria do Deputado Federal SubTenente Gonzaga, que trata do ciclo completo de polícia.
Luís Boudens alertou a todos sobre o discurso habitual dos atuais gestores das polícias que sempre apontam a necessidade de mais equipamento, mais policiais e mais viaturas como a principal necessidade da Segurança Pública para promover um combate mais efetivo contra a criminalidade. “Desconfiem dos gestores que anunciam estas como as principais medidas para conter o avanço do crime no Brasil. Sem uma remodelagem, uma reengenharia da estrutura policial, de carreira e funcional, e sem a valorização do material humano, dificilmente as polícias apresentarão resultados de eficiência.”
A Procuradora Federal Janice Ascari, da assessoria da Procuradoria Geral da República, trouxe uma criteriosa e interessante análise de situações práticas de aplicação do atual Código de Processo Penal, onde a lentidão e o excesso de burocracia foram obstáculos à aplicação efetiva da investigação criminal. Com exemplos da atuação do Ministério Público Federal no enfrentamento da ineficiência das investigações criminais, apontou sugestões para a condução rápida do trabalho de coleta de provas, da materialidade em si, e também de autoria dos crimes.
O Sub-Tenente Gonzaga, policial militar de carreira e Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais, apresentou dados estatísticos da violência e seus efeitos na sociedade. Com um mapa da violência de números alarmantes, o palestrante esmiuçou as questões gerais e as dificuldades do trabalho ostensivo-preventivo feito pela Polícia Militar, feito de forma separada e sem comunicação com a Policia Civil. Após citar exemplos de situações de prisão onde os policiais militares tiveram que deslocar cerca de 300Km até uma delegacia, para só então registrarem o flagrante, o Deputado Gonzaga apresentou como parte da solução a PEC 431/2014, de sua autoria, que prevê a atuação das policias estaduais em uma estrutura única de atuação, desde a sua parte preventiva até a parte de investigação propriamente dita.
Fechando as palestras, o ex-Secretário de Segurança Pública do Maranhão e Deputado Federal eleito, Aluísio Mendes, fez um apanhado dos problemas da criminalidade no Estado, com destaque para as recentes rebeliões no presídio de Pedrinhas (MA), e apontou as saídas que buscará agora no Congresso Nacional. Reafirmando seu compromisso de campanha, afirmou que não economizará esforços para promover uma grande união dos parlamentares oriundos das forças policiais, buscando conduzir de forma rápida e efetiva a tramitação de todas as propostas de interesse da Segurança Pública. 
Uma bancada de policiais militares, civis e federais já se prepara para encampar na próxima legislativa os projetos de lei e propostas de emenda à Constituição que versam sobre melhorias na forma de atuação policial e no modelo de investigação criminal.
O evento realizado em São Luis/MA foi considerado um sucesso tanto pela qualidade das palestras quanto pela presença de uma plateia qualificada e interessada na discussão sobre reformas na estrutura das policias e da Segurança Pública como um todo. Novos simpósios e seminários já estão sendo organizados e muitas cidades já se ofereceram para sediarem os eventos.
     
Diretoria do SISPFEM (Adailton Gaspari e Presidente José de Ribamar), Vice-Presidente da FENAPEF (Luis Boudens), Chief Marcos Bonfim, Vice-Presidente do SINDPOL-BA (José Mário) e o Diretor da FENAPEF e coordenador do evento Danilo Santos.

Policiais militares sofrem atentado com tiros de fuzil em suzano/SP. Abaixo a nota do Cel. Telhada sobre o ocorrido.

19 de novembro, Saindo agora 18:30 horas da Câmara Municipal após mais um dia de trabalho.
Peguei esses dados com o amigo Sargento Galesco:
"Melhoras aos meus companheiros da Ronda escolar da Região de Suzano, principalmente o Souza, que tomou dois tiros de Fuzil...estão sendo tratados e a princípio não correm risco de morte...coragem desses marginais que pegam dois Pms rondando escola, e no meio dos alunos efetuam disparos de fuzil, muita covardia..."
Soube ainda que o Solda...do Souza é da minha igreja, encarregado de orquestra na CCB central de Suzano. Orando pelo pronto restabelecimento dos dois irmãos de armas.
Amigos, precisamos mudar nossas fracas leis com urgência, precisamos apoiar nossa Polícia no combate ao crime e enfrentar com todo rigor essa criminalidade que só recuará com ações fortes e diretas contra os criminosos.
Quem me dera ainda estar no comando da ROTA...
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Policial da Força Tática de Mogi das Cruzes é sequestrado e torturado antes de morrer. "Caça a esses lixos protegidos pela legislação nojenta desse País escroto"

'PM pode ter sido espancado antes de morrer', diz delegado seccional

Segundo a polícia, criminosos ainda usaram cartão de crédito da vítima.
Soldado estava desaparecido e corpo foi encontrado nesta terça (24).

Jenifer Carpani Do G1 de Mogi das Cruzes e Suzano
Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (25), o Delegado Seccional Marcos Batalha relatou que acredita que os criminosos que sequestraram o policial militar Rodrigo de Lucca Fonseca espancaram e torturaram a vítima antes de matá-la. O militar estava desaparecido desde sexta-feira (20). O corpo dele foi encontrado na última terça-feira (24), em um terreno em Suzano.
Segundo o delegado, foram cinco disparos encontrados em várias partes do corpo do policial. A localização dos tiros levam o policial a crer que houve tortura. "Há a informação que ele teria sido espancado antes de ser alvejado pelos disparos. Os próprios locais em que os disparos atingiram no corpo dele mostram que os bandidos queriam torturá-lo.", explica.
Polícias civil e militar acreditam que PM encontrado morto foi espancado. (Foto: Jenifer Carpani/G1)Polícias civil e militar acreditam que PM encontrado
morto foi espancado. (Foto: Jenifer Carpani/G1)
Ainda segundo o Delegado, De Lucca pode ter sido espancado antes de levar os cinco tiros que o mataram. "O caso mostra a ousadia dos criminosos, que acabaram tirando a vida do policial com requintes de crueldade. Foram vários disparos e além disso houve espancamento", salienta.
A principal linha de investigação, segundo as polícias militar e civil, é a de roubo. "Acreditamos que ele foi vítima de um roubo, e como ele usava um agasalho da Policia Militar e tinha uma arma da Policia Militar, ele foi identificado como PM e aí executado", relata o Coronel do Comando de Policiamento Metropolitano de Área 12 (CPAM/12) Nelson Celegatto, que também estava presente na coletiva.
Os policiais explicaram alguns possíveis passos dos criminosos, descobertos pela investigação. "Tudo leva a crer que ele permaneceu em cárcere privado, nas mãos dos criminosos, e obrigaram a vítima a fornecer o cartão de crédito e sua senha. "No mesmo dia em que eles renderam a vítima, na sexta e na sequência no sabado também, em lojas diferentes, utilizaram o cartão de crédito da vítima, gastaram cerca de R$ 400", disse o Delegado Seccional. O Policial Militar estava desaparecido desde sexta-feira (20). O corpo do policial foi encontrado na última terça-feira (24), em um terreno em Suzano.
O Delegado Seccional afirmou ainda que a sensação de impunidade pode ser o motivo de levar os criminosos a usar o cartão de crédito da vítima em vários estabelecimentos comerciais. "Hoje os criminosos não têm medo da justiça. Eles são ousados e essa é a verdadeira sensação da impunidade", opinou. "Ele sabe que se ele for preso, ele vai cumprir a pena. Mas que ele tem inúmeras garantias da lei", disse.
Enterro
O corpo do policial militar Rodrigo de Lucca Fonseca foi enterrado às 11h desta quarta-feira (25). O velório que começou na noite de terça-feira no Memorial do Alto Tietê movimentou um grande número de policiais, amigos e familiares do jovem.
Enterro de soldado Rodrigo de Lucca foi realizado nesta quarta (Foto: Tatiane Santos/G1)Amigos e familiares prestaram homenagem ao PM
nesta quarta no Cemitério da Saudade em Mogi
(Foto: Tatiane Santos/G1)
O cortejo composto por policiais militares em carros e motos, além de veículos que transportavam amigos e familiares do policial chegou ao Cemitério da Saudade por volta das 10h40 desta quarta. Emocionados todos entraram no cemitério para o sepultamento. “A Justiça tem que ser feita porque o que fizeram com ele é uma barbaridade. Ele não merecia. Ele era uma pessoa muita tranquila” contou a empresária Patrícia Morente. Ela disse que estudou com o policial desde a 5ª série e desde então eram amigos.
Segundo a Polícia Militar, Rodrigo de Lucca Fonseca fazia parte da corporação há quatro anos e estava na Força Tática há menos de um ano. Antes do enterro, os policiais da Força Tática fizeram uma cerimônia em homenagem ao policial. Eles estenderam uma bandeira do Brasil sobre o caixão ao som de um trompete tocado por um dos integrantes da Força. Depois, dobraram a bandeira e a recolheram. No momento da homenagem amigos e familiares presentes se emocionaram bastante.  A sepultura estava repleta de coroas de flores.
O comandante do Comando de Policiamento de Área Metropolitano, Nelson Celegatto esteve presente ao enterro. Ele reforçou que a investigação é feita pela Polícia Civil com apoio da Polícia Militar. “Várias linhas de investigação estão sendo analisadas pela Civil. Uma delas é a de roubo pelas características do crime. Afinal o soldado foi rendido no entorno de sua residência. Sabemos também que ele permaneceu alguns dias com os infratores. O laudo oficial não saiu ainda, mas as informações preliminares apontam que ele ficou vivo, provavelmente, até a madrugada de segunda-feira. Além das marcas de tiro, o corpo não apresentava sinais de tortura como queimadura e corte. O rosto do policial tinha sinais de agressão”, informou Celegatto.
Polícia do Alto Tietê procura por soldado desaparecido (Foto: Reprodução/TV Diário)Policial estava desaparecido desde sexta-feira (20).
(Foto: Reprodução/TV Diário)
Investigação
O Delegado Seccional Marcos Batalha afirmou na terça-feira que o policial militar da Força Tática Rodrigo de Lucca Fonseca pode ter sido morto com a própria arma. "Ao lado do corpo, foram encontrados cápsulas de armas usadas pela Polícia Militar. Ao que parece, ele foi executado pela própria arma", disse o Delegado Seccional. Ainda segundo ele, no local do crime não foram encontrados outros indícios para o crime ser solucionado.
O caso segue sob investigação: "As investigações começaram no mesmo dia em que o Boletim de Ocorrência do desaparecimento foi registrado. Elas estão sendo conduzidas pela Polícia Civil com a ajuda da Polícia Militar", afirmou Marcos Batalha. Segundo ele, ainda não há indícios dos culpados pelo crime. "Ainda não temos indícios de quem possa ter praticado esse crime, mas vamos investigar e queremos prender todos os criminosos envolvidos", disse.
Segundo ele, ainda é cedo para afirmar exatamente o que houve. "Não podemos afirmar o que houve, se foi roubo ou vingança. Mas acredito, com a minha experiência, que ele tenha sido vítima de uma tentativa de roubo e, quando souberam que se tratava de um policial militar, acabaram por executá-lo", explica.
O Policial Militar da Força Tática de Mogi das Cruzes, Rodrigo de Lucca Fonseca, de 28 anos foi visto pela última vez na sexta-feira (20), quando chegava de carro em sua residência, em Mogi das Cruzes. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 1º Distrio Policial, o PM chegava em casa de carro no final da tarde quando foi abordado por dois homens que pareciam estar armados.
Estrada que leva ao terreno onde corpo do policial foi encontrado em Suzano (Foto: Pedro Carlos Leite/ G1)Estrada que leva ao terreno onde corpo do policial
foi encontrado em Suzano
(Foto: Pedro Carlos Leite/ G1)
Encontro do corpo
O corpo do soldado, de acordo com as polícias Civil e Militar, estava em um terreno às margens da antiga Estrada Índio Tibiriça em Suzano. Uma mulher que passava pela estrada viu o corpo e avisou a polícia. A polícia informou que o corpo tinha marcas de tiro. O comandante do Comando de Policiamento Metropolitano 12 (CPM-12), coronel Nelson Celegatto esteve no local. “Pelas informações preliminares do perito, ele teria morrido nas últimas 24 horas.
O policial foi encontrado com um agasalho azul da Polícia Militar. Ele fazia parte da corporação há quatro anos e estava na Força Tática há menos de um ano. Era um bom policial com diversas prisões e apreensões. Estamos recebendo diversas denúncias a respeito desse caso e todas estão sendo verificadas”, concluiu o comandante. Ele disse ainda que neste momento a PM não acredita em retaliação porque o jovem trabalhava na Força Tática há pouco tempo. Mesmo assim, Celegatto destacou que as últimas ocorrências em que o policial se envolveu estão sendo verificadas.
Buscas
Na segunda-feira (23) após uma manhã inteira sem resultados, o Corpo de Bombeiros de Suzano encerrou as buscas em um córrego do Parque Maria Helena pelo corpo do soldado da Força Tática Rodrigo de Lucca.
No sábado (21) policiais que estavam em patrulhamento no Parque Maria Helena foram avisados por crianças do bairro sobre um carro no córrego. Após a retirada da água, o veículo foi identificado como sendo o que o policial de Mogi estava quando foi sequestrado.
De acordo com os policiais, o veículo encontrado no córrego pertence a namorada de Rodrigo. A perícia do carro foi feita na manhã deste domingo pelo Instituto de Criminalística (IC), de Mogi das Cruzes. Em seguida, ele foi encaminhado para o pátio da Prefeitura de Suzano.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Governo de São Paulo anuncia reajuste para policiais

 



 
O governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira um reajuste salarial para os policiais do Estado. O governador Geraldo Alckmin enviará o projeto de lei para a Assembleia Legislativa (Alesp) nesta quarta-feira.
A medida prevê aumento de 8% para policiais militares e de 6% para os científicos e civis. O reajuste contempla também os inativos e pensionistas. Delegados não estão contemplados no pacote.
“Serão investidos R$ 498 milhões a mais por ano com esse novo aumento, que valerá a partir de agosto”, afirmou o governador. Segundo a assessoria do governo, as categorias contempladas esbanjam, desde 2011, reajuste acima da inflação.
Além do reajuste, outras medidas de valorização das carreiras policiais devem ser enviadas amanhã à Alesp.