domingo, 5 de julho de 2015

Polícia apreende 1,5 t de maconha em Mogi das Cruzes


Caseiro Jonas de Jesus guardava em sua casa dezenas de pacotes de maconha prensada e embalada; ele foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecentes pelo delegado André Ikari, ontem / Foto: Eisner Soares


A Polícia Civil de Mogi das Cruzes e Região do Alto Tietê comemorava, no começo da noite de ontem (2), a apreensão de 1 tonelada e 588 quilos de maconha prensada e embalada com papel e fita adesiva. A carga de entorpecentes já estava pronta para ser distribuída e havia sido armazenada  em um dos quartos da residência do caseiro Jonas de Jesus, de 51 anos, na chácara localizada na Estrada da Moralogia, 900, no Bairro do Itapeti.
Após três meses de buscasrealizadas por policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) sob o comando dos delegados Marco Antônio da Silva (titular) e André Junji Ikari (assistente), do SIG, o ponto de armazenamento de drogas foi descoberto.
“Nós usamos equipamento avançado  nas  buscas”, disse o delegado Marco Antônio, ressaltando que o SIG segue nas investigações.
Foi a maior apreensão de maconha do ano na Região do Alto Tietê. “O esforço dos policiais apresentou um excelente resultado e quem ganha é a  Polícia Civil e a sociedade”, disse o delegado assistente Boanerges Braz  de Mello, da Seccional de Mogi das  Cruzes. Ele compareceu à chácara para ver de perto o desenvolvimento da ação policial. (Laércio Ribeiro)

PF proíbe uso de viaturas e agentes terão que fazer diligências no interior do Acre de ônibus

Contenção de gastos???



Uma medida tomada pelo superintendente da Polícia Federal no Acre, Araquém Alencar Tavares, vem gerando um enorme descontentamento entre agentes da instituição. É que segundo um memorando circular assinado pelo chefe da PF no Acre, a partir de agora os deslocamentos dos agentes ao interior do Estado ocorrerão em ônibus intermunicipais e não mais em viaturas policiais como sempre ocorreu. A desculpa de Araquém Tavares: contenção de gastos.

Mas para os agentes, além de absurda e desnecessária a medida põe em risco a vida do policial. “Essa atitude coloca em risco a segurança dos policiais federais e vai contra todos os procedimentos de segurança prescritos na doutrina policial”, disse um agente, que fez a denúncia e pede para que seu nome não seja revelado.

Na contramão da contenção de gastos, a mesma superintendência concedeu três ajudas de custo no valor de R$ 70 mil e o transporte de mobiliários e bagagens a um delegado que se transferiu de Rio Branco para Ponta Grossa, no Paraná.

Procurado para comentar a veracidade da denúncia, o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Acre ( Sinpofac), Franklin Albuquerque, confirmou a informação e disse que a entidade está tomando medidas em defesa da classe.

“O sindicato está tomando providências. Por que o delegado tem toda essa regalia, mas um agente é removido com essa regalia? O sindicato questiona”, diz.

Procurada por ac24horas, a superintendência da Polícia Federal informou através de sua assessoria de imprensa que a medida foi tomada por causa da crise financeira que atravessa o país e a elevação dos custos para manutenção de viaturas.

“Não é uma lei ou decreto, algo desse tipo. É um indicativo de que nessas missões policiais onde não haja transporte de presos, de coisas apreendidas ou de bens públicos que seja utilizado o ônibus, de fato, como medida, uma das medidas, de gestão de recursos diante da crise brasileira e por consequência uma contenção de despesa do governo federal. É algo normal, natural. É uma entre muitas outras medidas de gestão de recursos. O combustível tá mais caro, a manutenção das viaturas, tá tudo mais caro.”

Sobre a ajuda de custo ao delegado, a assessoria resumiu sem se estender: “Não vamos comentar porque é um direito do trabalhador.”

Fonte: AC 24 horas

PEC DA BENGALA É APROVADA


Aprovada aposentadoria compulsória aos 75 anos para todos os servidores públicos




O plenário do Senado aprovou hoje (1º) o projeto de lei que estende para todos os servidores públicos os efeitos da chamada PEC da Bengala, a emenda constitucional que determinou a aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores aos 75 anos.

Pelo texto aprovado, os funcionários públicos também passarão a se aposentar compulsoriamente cinco anos mais tarde – atualmente a aposentadoria deles é, no máximo, aos 70 anos. A lei, que ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, será aplicada aos servidores dos três Poderes, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal.

Autor da matéria, o senador José Serra (PSDB-SP) disse que o rojeto é benéfico para os funcionários, que poderão optar por se aposentar antes ou ter mais tempo de contribuição nos casos em que a proporcionalidade não permitir ainda a aposentadoria integral.

Ao falar no plenário do Senado, Serra destacou também que a mudança no tempo da aposentadoria compulsória trará economia para o governo. “As nossas estimativas mostram que o governo, nas três esferas, como um todo, Senador Eunício, vai economizar mais de R$1 bilhão por ano”, disse.  De acordo com o senador, com o aumento do tempo da aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos, diminui o gasto governamental. “É uma diminuição lenta, mas firme e segura”, afirmou.

O senador José Pimentel, no entanto, alegou que a lei poderá ser considerada inconstitucional por ter vício de iniciativa. Ele citou, como exemplo, outra lei que foi aprovada por unanimidade na Câmara e no Senado estabelecendo aposentadoria compulsória aos 65 anos para os policiais federais e policiais rodoviários federais e que, em seguida, foi considerada inconstitucional no Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, ele orientou favoravelmente à votação e colaborou para a aprovação do projeto.

O texto recebeu uma emenda para que os efeitos da lei sejam também aplicados aos membros da Defensoria Pública, que têm carreira independente. A matéria segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

QUEM QUISER QUE FAÇA MEU TRABALHO!



25/11/2014


Fonte: Blog Comunidade Policial
Como cidadão, que acredita na autodefesa, estou bastante incomodado. Como policial, que tem o dever de proteger as pessoas e o Estado, seus direitos e propriedades, eu estou impressionado, no pior sentido da palavra. E como instrutor de armamento e tiro, que tem a intenção de ensinar policiais a sobreviverem aos confrontos armados, eu estou pensativo.
A partir de agora, todas as instituições policiais brasileiras terão um desafio NUNCA imaginado. É um desafio fora do comum e que pode servir de base para um filme de ficção científica capaz de vencer todas as categorias do Prêmio Oscar. Se as polícias brasileiras conseguirem vencer esse desafio, todas as polícias e forças armadas no Planeta Terra, do Espaço Sideral e do Além nos enxergarão como exemplo único de eficiência e eficácia profissional.
Se tudo der certo, o FBI, o DEA, o U.S. Marshall, a Scotland Yard, o SAS, o U.S. Navy Seals, os Marines Corps, o GSG9, o Bundespolizei, o Mossad, a Mishteret Yisreal e a Royal Canadian Mounted Police, virão ao Brasil para aprender a extraordinária, nova e peculiar técnica de confronto armado com criminosos. Para isso, contamos com um país que agrega uma variedade de religiões que coexistem em completa tolerância e harmonia.
Nada de estandes de tiro, equipamentos de proteção individual, coletes balísticos, armas de fogo, pólvora, estampidos, comandos, treinamentos, repetições cansativas, sol ou chuva, sirenes, algemas. A nova técnica de reação policial precisará apenas de itens que não são controlados pela legislação: farofa, galinha preta, cachaça, vela, charuto, água benta, hóstia, terço, fita do Senhor do Bonfim, médiuns, oferendas, e muita, mas muita prece e oração.
De agora em diante, as escolas e centros de treinamento policial precisam desenvolver e aplicar uma técnica de tiro que permita ao policial REAGIR SOMENTE DEPOIS DE TER SIDO ALVEJADO. É isso mesmo: ele só pode usar sua arma depois de ter sido alvejado, gravemente ferido ou morto. E como pai (mas não mentor) dessa esplendorosa técnica de tiro e comportamento policial, vou chamá-la de “Técnica do Homem Morto” ou “Dead Man Drill”, para os estrangeiros.
Sete bilhões de habitantes no planeta Terra e ninguém pensou nisso antes?! A técnica é simples: o policial será alvejado por um tiro real. Se ele sobreviver, poderá reagir e atirar no alvo. Se ele morrer, poderá utilizar métodos de interação além-túmulo para reagir e atirar no alvo. O policial não pode entrar no túnel de luz (que conduz ao céu) e deve utilizar a pistola plasmo-fantasmagórica que surgirá em seu coldre. Se o policial morto não conseguir impedir a ação criminosa e prender o bandido, ele pode deixar que outro policial o faça, desde que sobreviva ao ferimento também. No final, dependendo da inabilidade dos policiais envolvidos na ocorrência, todos responderão processos disciplinares por trabalharem mal, intencionalmente ou não.
Quando os policiais, de países que possuem instituições públicas e privadas comprometidas com a segurança dos seus cidadãos e dos próprios policiais, assistirem a aplicação dessa nova metodologia, ela será imediatamente rebatizada de “Stupid Drill” ou “What a Fuck Drill”.
E então? Essa técnica faz sentido para você? Fique feliz se você respondeu “não”, pois ainda goza de alguma sanidade mental. E agora que eu recobrei minha capacidade de pensar com inteligência, deixarei que a “Técnica do Homem Morto” seja aplica apenas por quem acredita nela.
Excepcionalmente, quem crê na viabilidade desse comportamento antinatural nunca está na linha de frente quando é preciso ser forte para superar o estresse e a adversidade de um conflito com criminosos e aquilo que eles representam (medo, violência e dor). Esperar que qualquer ser humano freie seu instinto natural de sobrevivência e aguarde ser alvejado para, só depois, reagir não tem explicação legítima, técnica ou moral.
Talvez você não saiba a origem da “Técnica do Homem Morto”. Por isso, transcrevo a argumentação contida num vídeo que circula na Internet:
“Se vocês querem uma resposta jurídica da coisa, para dizer que vocês não tenham nenhuma consequência, não atirem! Vocês só podem atirar a partir do momento que vocês forem alvejados. Vocês não têm uma arma para atacar. Vocês têm uma arma para se defender!”
“Não coloquem a vida de vocês em risco nem a vida de terceiros em risco para pegar um criminoso!”
De algum modo, parte da argumentação tem lógica, ou seja, não faça nada e você não sofrerá consequências. Na verdade, um convite para todos os policiais navegarem na Internet ou jogarem conversa fora nas delegacias e quartéis. Considerando o perigo do trabalho policial, os baixos salários e o desrespeito que enfrentam em razão da profissão, essa ideia é bastante interessante. Segundo, armas nas mãos de policiais profissionais e cidadãos de bem são, sim, instrumentos de defesa. Porém, a mesma arma de fogo só serve para ataque quando está nas mãos dos delinquentes. Por último, não se deve colocar a vida de terceiros (inocentes) em risco para prender criminosos, pois o risco não vale o benefício. Entretanto, como o policial não vai colocar sua vida em risco se for obrigado a ser alvejado primeiro antes de se defender?
Em 2007, escrevi o artigo denominado “O desconhecimento que mata...a legítima defesa!” Desse texto selecionei alguns tópicos importantes.
[...] muitas pessoas acreditam que o risco de vida não existe até que a ameaça ou agressão seja imediata. Essa ideia perigosa força muitos policiais a esperarem até que os criminosos saquem e apontem suas armas para eles ou para pessoas inocentes antes que esses policiais possam neutralizá-los. Pesquisas americanas demonstram que um criminoso é capaz de sacar uma arma escondida e atirar contra um policial antes que esse policial consiga simplesmente apertar o gatilho de sua arma já apontada para o criminoso (Firearms Response Time by Thomas A. Hontz).
[...] a ação é mais rápida que a reação.
Já em 2008, publiquei o texto “Eu vou atirar na perna dele!
Informações sobre confrontos armados indicam que um policial acerta um em cada seis tiros disparados contra o alvo. Isso produz cerca de 17% de aproveitamento, e se já parece ruim, espere até você analisar outro dado que demonstra que aproximadamente 50% dos tiroteios ocorrem em distâncias de até 1,70 m entre o policial e o suspeito. Outros 20% ocorrem em distâncias entre 2 e 3,40 metros. Agora, um homem com uma faca – e com o caminho livre – é capaz de correr 5 m em apenas 1.28 segundo. Assim, não importa quantos disparos sejam feitos, você vai errar a maioria deles, mesmo à queima roupa. Então, quão realista seria se muitas das pessoas que tiveram a SORTE de acertar o criminoso em ação tivessem que calmamente mirar e disparar contra uma das menores partes do corpo? E se essa área ainda tivesse grande chance de estar em movimento? Então, quanto tempo sobraria para a visada perfeita na perna, no braço ou no ombro? NENHUM.
De qualquer maneira, a prática nas academias envolve dois conceitos. O primeiro deles refere-se ao centro de massa, significando apontar a arma para que o projétil vá de encontro à área mais ampla do alvo (o tronco) e, obviamente em cujo local as chances de acerto são maiores. O segundo conceito diz respeito à possibilidade de se atingir órgãos internos localizados nessa área e que permitam uma maciça perda de sangue, levando à inconsciência e à incapacitação.
A intenção de incapacitar, em nada tem a ver com atirar para matar ou mirar para ferir, pois ambas são irrelevantes, pois sua ação de autodefesa está centralizada na percepção de ameaça grave e na capacidade do criminoso matar ou tentar matar você. Se a simples presença da sua arma detiver a intenção do delinquente, o trabalho está feito! Se apenas um tiro no centro de massa persuadir o atacante a desistir, está ótimo! Contudo, se forem precisos 10 tiros pelo corpo para impedir que um criminoso mate você, então...!
Eu não estou defendendo o uso da força letal como forma de punição para criminosos. O que eu estou dizendo, é que você é uma pessoa sensata, com um inalienável direito à vida e à liberdade e que não se envolve em questões alheias, ou seja, você vive pacificamente. E então, alguém o ataca, tenta feri-lo ou matá-lo sem nenhuma razão a não ser com o interesse de tomar aquilo que é seu. Você não está tentando matá-lo, apenas tentando fazê-lo parar. E isso não é errado, é certo! Você tem o direito de fazer o que for necessário para estar a salvo, voltar para casa e para sua família. Mas se você esperar até conseguir a pontaria perfeita e “não letal”, talvez seja tarde demais para você!
Agora, imagine que você (policial, juiz, promotor ou cidadão armado) tenha que aguardar o criminoso alvejá-lo para, a partir daí, adotar uma reação armada. Quão realista isso parece? Quem pode garantir que esse ferimento não será fatal? Será que esse novo conceito será utilizado pelos delinquentes? Porque não realizam seminários nos presídios para avisar aos assassinos, estupradores, traficantes, torturadores, pedófilos, falsários e ladrões que eles também só podem atirar depois de serem alvejados? Afinal, são esses criminosos que nunca hesitam em tirar a vida dos bons brasileiros.
A própria norma que trata da legítima defesa, garante a autodefesa na iminência ou atualidade de um ataque injusto. Ora, se a lei permite uma defesa no prenúncio do ataque, porque esperar o pior desfecho?
Já disse e repito: quem entende o trabalho policial e sabe como ele deve ser feito é a polícia. Seminários, palestras, simpósios e outras reuniões sobre assuntos pertinentes ao universo policial e suas técnicas deveriam ser compostas por especialistas da polícia, salvo raras exceções. Por essa razão, as organizações policiais precisam compreender a importância e urgência na produção de dados e informações técnicas que balizem o trabalho e o comportamento policial na dura realidade dessa tarefa. Policiais que arriscam suas vidas diariamente em benefício de pessoas desconhecidas não podem ser abandonados e colocados na linha de tiro dos que acreditam que eles devem aceitar, CALADOS E IMÓVEIS, o alvejamento, o ferimento ou a morte.
Quem acredita na “Técnica do Homem Morto” não tem permissão para “achar”, interferir, julgar, decidir ou avaliar o instinto natural de sobrevivência que todo ser humano possui. Quem acredita nessa técnica deveria, por respeito ao próprio pensamento, ser unir aos policiais do Rio de Janeiro e enfrentar os traficantes nos morros cariocas. Deveria se unir, lado a lado, aos policiais de São Paulo que lutam contra o PCC, por exemplo. Deveria perguntar aos policiais, juízes, promotores, políticos e cidadãos de países desenvolvidos o que é melhor para o mundo: um policial vivo ou um criminoso.
A vida é preciosa demais para ser entregue de modo tão fácil. E quem acredita que a vida do policial não vale nada que faça o nosso trabalho, principalmente no pior momento.
SE ESPERARMOS QUE CADA POLICIAL SEJA ALVEJADO PARA QUE ELE POSSA REAGIR AO CRIME, EM BREVE NÃO TEREMOS MAIS POLICIAIS NO BRASIL.
Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor do livro Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais.

O crime organizado e suas engrenagens



Fonte: ANPR
Carta de Angra dos Reis - RJ
Procuradores da República apontam caminho para combate eficiente da corrupção e organizações criminosas: CARREIRA ÚNICA!

Em evento que reuniu mais de 350 membros do Ministério Público Federal(MPF), na tarde de sexta-feira, 31, procuradores da República discutiram melhorias que precisam ocorrer no combate à corrupção e às organizações criminosas. Ao final do 31º Encontro Nacional dos Procuradores da República (ENPR), a Carta de Angra dos Reis foi aprovada com 18 pontos que precisam ser aprimorados para que o enfrentamento ao crime seja mais eficiente.

No documento, os procuradores da República ressaltam que “é essencial e urgente” tornar a investigação criminal mais técnica e coordenada. Eles sugerem também a revisão e modernização dos procedimentos e da forma de organização das instituições envolvidas.

Além disso, na Carta de Angra dos Reis, o inquérito policial é classificado como “uma arcaica e ineficiente subespécie de procedimento investigatório injustificadamente judicialiforme”. Os procuradores defendem, ainda, a extinção do inquérito policial e sua substituição por procedimentos técnicos, rápidos, e sempre com absoluto respeito aos direitos fundamentais do investigado.

Ainda no que se refere à atividade policial, os procuradores da República destacaram a necessidade de a carreira ter entrada única, submetendo-se à estruturação hierárquica de acordo com experiência, mérito e formação técnica. Outra modificação proposta na Carta é a adoção do ciclo completo para as polícias militares e para a Polícia Rodoviária Federal nos casos dos delitos alcançados em flagrante e dos crimes em que suas estruturas e inserção facilitam a investigação.

Saiba mais – O Encontro Nacional dos Procuradores da República é realizado anualmente pela Associação Nacional dos Procuradores da República e, neste ano, chegou a sua 31ª edição. O tema do evento deste ano foi “O crime organizado e suas engrenagens”.

As palestras – proferidas por especialistas renomados, como o juiz Federal Sérgio Moro (responsável pela Operação Lava Jato) e o procurador Nacional Substituto da Direção Antimáfia da Itália, Maurizio de Lucia – ajudaram na elaboração do documento.
Confira a íntegra da Carta de Angra dos Reis 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

85% dos policiais brasileiros querem mudança de modelo



 
Fonte: O Tempo
 
Maioria dos policiais ouvidos por pesquisa defende a desmilitarização da polícia; estudo foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Censo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que apenas 14,22% dos policiais brasileiros acreditam que o melhor para a realidade brasileira seja a manutenção do atual modelo de polícias estaduais, com a Polícia Militar agindo de forma ostensiva e a Polícia Civil mantendo função judiciária.
 
A maioria dos policiais ouvidos pelo censo (27,10%) acredita que o ideal seja criar uma nova polícia, com caráter civil, com hierarquia e organizada em carreira única. Outros 7,88% dos policiais também defendem nova polícia civil, mas organizada em carreiras diferentes. Isso significa que a maioria dos policiais ouvidos defende a desmilitarização da polícia – pauta reivindicada por setores da esquerda e que foi bandeira do PSOL durante as eleições.

Além disso, 30,81% dos policiais que responderam ao questionário defendem a unificação das polícias civil e militar.

O levantamento foi feito pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 21.101 policiais, da Polícia Militar (52,9%), Polícia Civil (22%), Polícia Federal (10,4%), Corpo de Bombeiros (8,4%), Polícia Rodoviária Federal (4,1%) e Polícia Científica (2,3%), entre 30 de junho e 18 de julho deste ano.

Dificuldades

Questionados sobre os fatores que mais trazem dificuldades aos trabalhos das polícias, 84,7% definiram os baixos salários como fator muito importante. A renda líquida mensal de 27% dos policiais que responderam ao censo é de R$ 5.001 a R$ 10 mil; de 26,2%, é de R$ 2.001 a R$ 3.000 e de 20,9%, de R$ 3.001 a R$ 4.000.

O contingente insuficiente de policiais foi apontado como fator muito importante por 81,7% dos entrevistados. 80,6% falaram em formação e treinamento deficientes; 76,8% em falta de verba para equipamentos e armas; 71,9% em incapacidade das instituições para identificar potencial de cada profissional e 70,3% apontaram a corrupção policial como fator muito importante.

Outros problemas apontados pela categoria são leis penais inadequadas (muito importante para 82,1%), falta de política de segurança pública (81,4%) e mau funcionamento do sistema penitenciário (79,1%), dentre outros.

Cerca de metade dos policiais disse que Ministério Público e Justiça atuam com indiferença em relação às dificuldades do trabalho policial, apenas cobrando, mas sem colaborar .

Violência

Dentre os policiais ouvidos, 66% já terem sofrido discriminação por serem policiais. 42,7% dos policiais relatou ter sido vítima de violência física e 5,2% já foram baleados, em serviço ou de folga.

O estudo pode ser acessado na íntegra AQUI.

Outros estudos

Outro estudo feito pela FGV para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 81% dos brasileiros acham fácil desobedecer leis. O mesmo porcentual de pessoas também tem a percepção de que, sempre que possível, as pessoas escolhem “dar um jeitinho” no lugar de seguir as leis.O estudo, divulgado nesta segunda pelo jornal O Estado de S. Paulo , mostra ainda que 32% da população confia no Poder Judiciário e 33% confiam na polícia.

Além disso, pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) e divulgada nesta segunda pelo jornal O Globo aponta que a violência custa R$ 258 bilhões no Brasil, o equivalente a 5,4% do Produto Interno Bruto do país.
 

Simpósio sobre Modernização da Segurança Pública une policiais e procuradores


 
19/11/2014

Fonte: Agência Fenapef
O Auditório da Assembleia Legislativa do Maranhão esteve lotado na tarde de ontem, 17 de novembro de 2014, para assistir as palestras do I Simpósio sobre Modernização da Segurança Pública no Brasil.
Com iniciativa do Sindicato dos Policiais Federais do Maranhão (SISPFEM) e apoio da Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) o evento propiciou a integração de vários segmentos que operam a Segurança Pública. Policiais do Brasil, dos Estados Unidos (Chief Marcos Bonfim) e Procuradores debateram os principais problemas da Segurança Pública no Brasil, apresentando números da falência no combate à criminalidade e apresentaram diversas soluções, através de ações imediatas e propostas de modificações nas estruturas das polícias, através de projetos de lei (PLs) e propostas de emenda à Constituição (PECs).
O Agente Federal Danilo dos Santos, Diretor da Fenapef, abriu oficialmente o evento em nome dos Presidentes Jones Borges Leal, da Fenapef, e José Ribamar, do SISPFEM, saudando o imenso público e ressaltando a importância do tema em debate – a modernização da Segurança Pública brasileira. 
O Chefe de Polícia Marcos Bonfim, de Charlton, na Carolina do Norte, apresentou um painel sobre a estrutura policial nos Estados Unidos, evidenciando as diferenças entre a política de combate ao crime entre aquele país e o Brasil, principalmente no percurso da investigação criminal, desde a cena do crime até o (célere) encaminhamento do relatório policial ao Juiz.
Em sua animada palestra, mostrou com clareza a valorização de que desfrutam os policiais nos Estados Unidos, mesmo atuando de forma descentralizada e com várias agências de investigação, incluindo o FBI, mas ao mesmo tempo com uma eficiência muito superior à do Brasil.  
O Procurador Alexandre Camanho, Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, defendeu o ingresso único e implementação do ciclo completo na estrutura das polícias e apresentou uma oportuna e analítica visão do Ministério Público Federal sobre o sistema de investigação criminal no País. Lentidão, repetição e burocracia foram a palavras de ordem para classificar o arcaico e ineficiente inquérito policial como instrumento de formalização e centralização das investigações feitas pelas policias chamadas judiciárias (Polícia Civil e Policia Federal).
O Vice-Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federal destacou a importância da porta única de entrada para as policias e a aplicação da capacitação, tempo e meritocracia como elementos de evolução funcional da carreira policial. Anunciou a tramitação das Propostas de Emendas à Constituição (PECs) 51/2013 e 73/2013, no Senado Federal, as quais contemplam essa reengenharia, bem como a PEC 361/2013, que trata especificamente da porta única de entrada na Polícia Federal, e a recente PEC 431/2014, de autoria do Deputado Federal SubTenente Gonzaga, que trata do ciclo completo de polícia.
Luís Boudens alertou a todos sobre o discurso habitual dos atuais gestores das polícias que sempre apontam a necessidade de mais equipamento, mais policiais e mais viaturas como a principal necessidade da Segurança Pública para promover um combate mais efetivo contra a criminalidade. “Desconfiem dos gestores que anunciam estas como as principais medidas para conter o avanço do crime no Brasil. Sem uma remodelagem, uma reengenharia da estrutura policial, de carreira e funcional, e sem a valorização do material humano, dificilmente as polícias apresentarão resultados de eficiência.”
A Procuradora Federal Janice Ascari, da assessoria da Procuradoria Geral da República, trouxe uma criteriosa e interessante análise de situações práticas de aplicação do atual Código de Processo Penal, onde a lentidão e o excesso de burocracia foram obstáculos à aplicação efetiva da investigação criminal. Com exemplos da atuação do Ministério Público Federal no enfrentamento da ineficiência das investigações criminais, apontou sugestões para a condução rápida do trabalho de coleta de provas, da materialidade em si, e também de autoria dos crimes.
O Sub-Tenente Gonzaga, policial militar de carreira e Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais, apresentou dados estatísticos da violência e seus efeitos na sociedade. Com um mapa da violência de números alarmantes, o palestrante esmiuçou as questões gerais e as dificuldades do trabalho ostensivo-preventivo feito pela Polícia Militar, feito de forma separada e sem comunicação com a Policia Civil. Após citar exemplos de situações de prisão onde os policiais militares tiveram que deslocar cerca de 300Km até uma delegacia, para só então registrarem o flagrante, o Deputado Gonzaga apresentou como parte da solução a PEC 431/2014, de sua autoria, que prevê a atuação das policias estaduais em uma estrutura única de atuação, desde a sua parte preventiva até a parte de investigação propriamente dita.
Fechando as palestras, o ex-Secretário de Segurança Pública do Maranhão e Deputado Federal eleito, Aluísio Mendes, fez um apanhado dos problemas da criminalidade no Estado, com destaque para as recentes rebeliões no presídio de Pedrinhas (MA), e apontou as saídas que buscará agora no Congresso Nacional. Reafirmando seu compromisso de campanha, afirmou que não economizará esforços para promover uma grande união dos parlamentares oriundos das forças policiais, buscando conduzir de forma rápida e efetiva a tramitação de todas as propostas de interesse da Segurança Pública. 
Uma bancada de policiais militares, civis e federais já se prepara para encampar na próxima legislativa os projetos de lei e propostas de emenda à Constituição que versam sobre melhorias na forma de atuação policial e no modelo de investigação criminal.
O evento realizado em São Luis/MA foi considerado um sucesso tanto pela qualidade das palestras quanto pela presença de uma plateia qualificada e interessada na discussão sobre reformas na estrutura das policias e da Segurança Pública como um todo. Novos simpósios e seminários já estão sendo organizados e muitas cidades já se ofereceram para sediarem os eventos.
     
Diretoria do SISPFEM (Adailton Gaspari e Presidente José de Ribamar), Vice-Presidente da FENAPEF (Luis Boudens), Chief Marcos Bonfim, Vice-Presidente do SINDPOL-BA (José Mário) e o Diretor da FENAPEF e coordenador do evento Danilo Santos.