segunda-feira, 20 de julho de 2015

Para quando eu me for


Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem.
Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus).
Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 27 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha 8 anos e meio, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não haveriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai.
Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Hábito esse que eu levei para os meus filhos. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta.
Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele.
Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda.
E de repente o ano que vem acabou antes de começar.
Minha mãe me pegou na escola e fomos ao hospital. O médico deu a notícia com toda a sensibilidade que um médico deixa de ter com os anos. Minha mãe chorou. Ela também tinha um pingo de esperança. Como disse antes, todo mundo tem. Eu senti o golpe. Como assim? Não era só uma doença normal dessas que a gente toma injeção? Pai, como eu te odiei. Você mentiu pra mim. Não fiquei triste, pai, fiquei com raiva. Me senti traído. Gritei de raiva no hospital até perceber que meu pai não estava lá pra me colocar de castigo. Chorei.
Mas aí meu pai foi meu pai de novo. Trazendo uma caixa de sapato debaixo dos braços, uma enfermeira veio me consolar. Dentro, dezenas de envelopes lacrados com frases escritas onde deveriam ficar os nomes dos destinatários. Entre as lágrimas e os soluços não consegui entender direito o que estava acontecendo. E então a mesma enfermeira me entregou uma carta. A única fora da caixa.
“Seu pai me pediu pra entregar essa pessoalmente e te dizer pra abrir. Ele passou a semana inteira escrevendo tudo isso e disse que era pra você. Seja forte.” Disse a enfermeira com um abraço.
PARA QUANDO EU ME FOR dizia o envelope que ela me entregou. Abri.

Filho,
Se você está lendo eu morri. Desculpa, eu sabia.
Não queria te dizer que ia acontecer, não queria te ver chorar. Parece que consegui. Acho que um homem prestes a morrer tem o direito de ser um pouco egoísta.
Bom, como eu ainda tenho muito pra te ensinar, afinal você não sabe de nada, deixei essas cartas. Você só pode abrir quando o momento certo chegar, o momento que eu escrevi no envelope. Esse é o nosso combinado, ok?
Eu te amo. Cuida da sua mãe, você é o homem da casa agora.
Beijo, pai.

PS: Não deixei cartas para sua mãe, ela já ficou com o carro.

E com aqueles garranchos, afinal naquela época não era tão fácil imprimir como é hoje em dia, ele me fez parar de chorar. Aquela letra porca que uma criança de 8 anos mal entendia (eu, no caso) me acalmou. Me arrancou um riso do rosto. Esse era o jeito do meu pai de fazer as coisas. Que nem o castigo com uma piadinha para aliviar.
Aquela caixa se tornou a coisa mais importante do mundo. Proibi minha mãe de abrir, de ler. Mas elas eram minhas, só pra mim. Sabia decorado todos os momentos da vida em que eu poderia abrir uma carta e ler o que meu pai tinha deixado. Só que esses momentos demoraram muito pra chegar. E eu esqueci.
Sete anos e uma mudança depois eu não tinha ideia de onde a caixa tinha ido parar. Eu não lembrava dela. Algo que você não lembra não faz falta. Se você perdeu algo da sua memória, você não perdeu. Simplesmente não existe. Como dinheiro que depois você acha no bolso da bermuda.
E então aconteceu. Uma mistura de adolescência com o novo namorado da minha mãe desencadeou o que meu pai sabia que um dia aconteceria. Minha mãe teve vários namorados, sempre entendi. Ela nunca casou de novo. Não sei ao certo o motivo, mas gosto de acreditar que o amor da vida dela tinha sido meu pai. Mas esse namorado era ridículo. Eu sentia que ela se rebaixava pra ele. Que ele fazia pouco da mulher que ela era. Que uma mulher como ela merecia algo melhor do que um cara que ela tinha conhecido no forró.
Me lembro até hoje do tapa que veio acompanhado da palavra “forró”. Eu mereci, admito. Os anos me mostraram isso. Na hora, enquanto a pele da minha bochecha ardia, lembrei da minha caixa e das minhas cartas. De uma carta em específico que dizia PARA QUANDO VOCÊ TIVER A PIOR BRIGA DO MUNDO COM A SUA MÃE.
Corri para o quarto e revirei minhas coisas o suficiente para levar outro tapa na cara da minha mãe. Encontrei a caixa dentro de uma mala de viagem na parte de cima do armário. O limbo. Procurei entre os envelopes. Passei por PARA QUANDO VOCÊ DER O PRIMEIRO BEIJO e percebi que havia pulado essa, me odiei um pouco e decidi que a leria logo depois, e por PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE, uma que eu esperava abrir logo, logo. Achei o que procurava e abri.

Pede desculpa.
Eu não sei o motivo da briga e nem quem tem razão. Mas eu conheço a sua mãe. Então a melhor maneira de resolver isso é com um humilde pedido de desculpas. Do tipo rabinho entre as pernas.
Ela é sua mãe, cara. Te ama mais do que tudo nessa vida. Sabe, ela escolheu parto normal porque alguém disse que era melhor pra você. Você já viu um parto normal? Pois é, quer demonstração de amor maior que essa?
Pede desculpa. Ela vai te perdoar. Eu não seria tão bonzinho.
Beijo, pai.

Meu pai passava longe de um escritor, era bancário, mas as palavras dele mexeram comigo. Havia mais maturidade nelas do que nos meus quatorze anos de vida. O que não era muito difícil por sinal.
Corri para o quarto da minha mãe e abri a porta. Já estava chorando quando ela, chorando também, virou a cabeça pra me olhar nos olhos. Não lembro o que ela gritou pra mim, algo como “O que você quer?”, mas lembro que andei até ela e a abracei, ainda segurando a carta do meu pai. Amassando o papel já velho entre os meus dedos. Ela me abraçou de volta e ficamos em silêncio por não sei quantos minutos.
A carta do meu pai fez ela rir alguns momentos depois. Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre ele. Ela me contou umas manias estranhas que ele tinha, como comer salame com geleia de morango. De algum modo, senti que ele estava ali. Eu, minha mãe e um pedaço do meu pai, um pedacinho que ele deixou naquele papel. Que bom.
Não demorou muito e li PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE.

Parabéns, filho.
Não se preocupa, com o tempo a coisa fica melhor. Toda primeira vez é um lixo. A minha foi com a puta mais feia do mundo, por exemplo.
Meu maior medo é você ler o envelope e perguntar da sua mãe antes da hora o que é virgindade. Ou pior, ler o que eu acabei de escrever sem nem saber o que é punheta (você sabe, não sabe?). Mas isso também não será problema meu, não é mesmo?
Beijo, pai.

Meu pai acompanhou minha vida toda. De longe, sim, mas acompanhou. Em incontáveis momentos suas palavras me deram aquela força que ninguém mais conseguia dar. Ele sempre dava um jeito de me arrancar um sorriso em um momento de tristeza ou de clarear meus pensamentos num momento de raiva.
PARA QUANDO VOCÊ CASAR me emocionou, mas não tanto quanto PARA QUANDO EU FOR AVÔ.

Filho, agora você vai descobrir o que é amor de verdade. Vai descobrir que você gosta bastante da sua mulher, mas que amor mesmo é o que você vai sentir por essa coisinha aí que eu não sei se é ele ou ela. Sou um cadáver, não um vidente.
Aproveita. É a melhor coisa do mundo. O tempo vai passar rápido, então esteja presente todos os dias. Não perca nenhum momento, eles não voltam mais. Troque as fraldas, dê banho, sirva de exemplo. Acho que você tem condições de ser um pai tão incrível quanto eu.

A carta mais dolorida da minha vida foi também a mais curta do meu pai. Acredito que ele sofreu para escrever aquelas quatro palavras o mesmo que eu sofri por ter vivido aquele momento. Demorou, mas um dia eu tive que ler PARA QUANDO SUA MÃE SE FOR.

Ela é minha agora.

Uma piada. Um palhaço triste que esconde o choro por trás do sorriso de maquiagem. Foi a única carta que não me arrancou um sorriso, mas entendi a razão.
Eu sempre respeitei o combinado com meu pai. Nunca li nenhuma carta antes do momento certo. Tirando PARA QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIR GAY, claro. Nunca acreditei que o momento de ler essa carta chegaria, então abri muitos anos atrás. Ela foi uma das mais engraçadas, por sinal.

O que eu posso dizer? Ainda bem que morri.
Deixando as brincadeiras de lado e falando sério (é raro, aproveita). Agora semimorto eu vejo que a gente se importa muito com coisas que não importam tanto. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?
Não seja bobo, seja feliz.

Sempre esperei muito pelo próximo momento. Pela próxima carta. Pela próxima lição que meu pai tinha pra me dar. Incrível como um homem que viveu 27 anos teve tanto pra ensinar pra um senhor de 85 como eu.
Agora, deitado na cama do hospital, com tubos no nariz e na traqueia (maldito câncer), eu passo os dedos por cima do papel desbotado da última carta. PARA QUANDO SUA HORA CHEGAR o garrancho quase invisível diz.
Não quero abrir. Tenho medo. Não quero acreditar que a minha hora chegou. Esperança, lembra? Ninguém acredita que vai morrer hoje.
Respiro fundo e abro.

Oi, filho, espero que você seja um velho agora.
Sabe, essa foi a carta mais fácil de escrever. A primeira que eu escrevi. A carta que me livrou da dor de te perder. Acho que estar perto do fim clareia a cabeça pra falar sobre o assunto.
Nos meus últimos dias eu pensei na vida que eu levei. Na minha curta vida, sim, mas que me fez muito feliz. Eu fui seu pai e marido da sua mãe. O que mais eu poderia querer? Isso me deu paz. Faça o mesmo.
Um conselho: não precisa ter medo.
PS: Tô com saudade.
MANDEM MENSAGENS SOBRE O QUE ACHAM DO TRABALHO DA  POLÍCIA E  O QUE FARIAM PARA FAZÊ-LA MELHOR.

sábado, 18 de julho de 2015

Denarc apreende 1,6 tonelada de cocaína em mansão



Trata-se da maior apreensão de cocaína do país este ano.
Cinco pessoas foram presas, entre elas um chefe de associação criminosa.

Jamile Santana e Douglas PiresDo G1 Mogi das Cruzes e Suzano
Policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc) de São Paulo apreenderam 1,6 tonelada de cocaína, 898 kg de mistura para a produção da droga, além dos demais compenentes químicos usados para produzir a droga, em uma propriedade de alto padrão em Santa Isabel, nesta sexta-feira (17). As informações são da Secretaria de Segurança Pública (SSP). O secretário Alexandre de Moraes foi ao local para acompanhar o trabalho dos investigadores. Segundo ele, trata-se da maior apreensão de cocaína do país este ano, levando em conta a cocaína e a mistura apreendidas. Cinco pessoas foram presas, entre elas,  segundo o Denarc, um dos líderes de uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios paulistas.
Mansão abrigada fábrica de cocaína capaz de produzir 7 toneladas da droga por mês, em Santa Isabel (Foto: Jamile Santana/ G1)Mansão abrigada fábrica de cocaína capaz de
produzir 7 toneladas da droga por mês,
em Santa Isabel (Foto: Jamile Santana/ G1)
“O local era um dos principais pontos de produção e distribuição de cocaína para o estado de São Paulo. A mansão fica em um local estratégico, de fácil escoamento, perto da Dutra e da Ayrton Senna. Foi a maior operação realizada até agora, prendemos o principal traficante de cocaína de São Paulo. É um golpe importantíssimo contra a associação criminosa”, disse o secretário.
Foram encontrados outros produtos químicos usados para a produção da cocaína, como acetona e éter. Além disso, a casa tinha ainda 20 aparelhos microondas, usados para a produção de crack.
Toneladas de pasta base e cocaína refinada estavam em diversos pontos da mansão, em Santa Isabel (Foto: Jamile Santana/ G1)Toneladas de pasta base e cocaína refinada
estavam em diversos pontos da mansão,
em Santa Isabel (Foto: Jamile Santana/ G1)
Segundo o secretário de Segurança Pública, a produção no local poderia chegar a 7 toneladas de cocaína.
Além do entorpecente, a polícia ainda localizou um armamento pesado: quatro fuzis e uma pistola 9 milímetros. Entre os fuzis estavam uma AK-47 e uma Ponto 50. “Para se ter uma ideia, a Ponto 50 é um armamento usado para abrir carro-cofre, pode derrubar helicóptero não blindado e é usado até na caça de elefantes”, detalhou Moraes.
Weliton Xavier dos Santos, o Capuava, foi preso em Santa Isabel e, segundo Denarc é um dos chefes do tráfico (Foto: Divulgação/Denarc)Weliton Xavier dos Santos, o Capuava, foi preso em
Santa Isabel e, segundo Denarc é um dos
chefes do tráfico (Foto: Divulgação/Denarc)
Weliton Xavier dos Santos, o Capuava, de 50 anos, um dos chefes da facção criminosa que atua nos presídios paulistas foi preso na mansão. O G1 tentou o contato do advogado do acusado mas a polícia não forneceu.
Secretário de Segurança Pública analisa cocaína apreendida pelo Denarc na noite desta sexta-feira (17) (Foto: Jamile Santana/ G1)Secretário de Segurança Pública analisa cocaína apreendida pelo Denarc na noite desta sexta-feira (17) (Foto: Jamile Santana/ G1)
Investigação
O Denarc acompanhava a quadrilha havia quatro meses. “Soubemos, há cerca de 1 mês, que traficantes compraram esse imóvel por R$ 1, 5 milhão. Começamos a monitar a movimentação deles e aguardamos o momento certo para agir. Já esperávamos que eles começariam a fabricar no local. Montamos a operação e entramos na propriedade sem que eles percebessem e por isso não houve troca de tiros”, detalhou o diretor do Denarc, Ruy Ferraz Fonte.
O sítio fica em uma área rural, em uma estrada particular de difícil acesso. Além das drogas e das armas, a Polícia Civil também apreendeu 5 veículos, um deles com fundo falso que, segundo a investigação, era usado para transportar a droga. A polícia vai pedir o bloqueio dos bens apreendidos. A propriedade e os veículos encontrados no local devem ser confiscados.
Armas foram apreendidas no local (Foto: Jamile Santana/G1)Fuzis apreendidos podem derrubar helicóptero, segundo secretário de Segurança Pública (Foto: Jamile Santana/G1)

domingo, 5 de julho de 2015

Polícia apreende 1,5 t de maconha em Mogi das Cruzes


Caseiro Jonas de Jesus guardava em sua casa dezenas de pacotes de maconha prensada e embalada; ele foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecentes pelo delegado André Ikari, ontem / Foto: Eisner Soares


A Polícia Civil de Mogi das Cruzes e Região do Alto Tietê comemorava, no começo da noite de ontem (2), a apreensão de 1 tonelada e 588 quilos de maconha prensada e embalada com papel e fita adesiva. A carga de entorpecentes já estava pronta para ser distribuída e havia sido armazenada  em um dos quartos da residência do caseiro Jonas de Jesus, de 51 anos, na chácara localizada na Estrada da Moralogia, 900, no Bairro do Itapeti.
Após três meses de buscasrealizadas por policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) sob o comando dos delegados Marco Antônio da Silva (titular) e André Junji Ikari (assistente), do SIG, o ponto de armazenamento de drogas foi descoberto.
“Nós usamos equipamento avançado  nas  buscas”, disse o delegado Marco Antônio, ressaltando que o SIG segue nas investigações.
Foi a maior apreensão de maconha do ano na Região do Alto Tietê. “O esforço dos policiais apresentou um excelente resultado e quem ganha é a  Polícia Civil e a sociedade”, disse o delegado assistente Boanerges Braz  de Mello, da Seccional de Mogi das  Cruzes. Ele compareceu à chácara para ver de perto o desenvolvimento da ação policial. (Laércio Ribeiro)

PF proíbe uso de viaturas e agentes terão que fazer diligências no interior do Acre de ônibus

Contenção de gastos???



Uma medida tomada pelo superintendente da Polícia Federal no Acre, Araquém Alencar Tavares, vem gerando um enorme descontentamento entre agentes da instituição. É que segundo um memorando circular assinado pelo chefe da PF no Acre, a partir de agora os deslocamentos dos agentes ao interior do Estado ocorrerão em ônibus intermunicipais e não mais em viaturas policiais como sempre ocorreu. A desculpa de Araquém Tavares: contenção de gastos.

Mas para os agentes, além de absurda e desnecessária a medida põe em risco a vida do policial. “Essa atitude coloca em risco a segurança dos policiais federais e vai contra todos os procedimentos de segurança prescritos na doutrina policial”, disse um agente, que fez a denúncia e pede para que seu nome não seja revelado.

Na contramão da contenção de gastos, a mesma superintendência concedeu três ajudas de custo no valor de R$ 70 mil e o transporte de mobiliários e bagagens a um delegado que se transferiu de Rio Branco para Ponta Grossa, no Paraná.

Procurado para comentar a veracidade da denúncia, o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Acre ( Sinpofac), Franklin Albuquerque, confirmou a informação e disse que a entidade está tomando medidas em defesa da classe.

“O sindicato está tomando providências. Por que o delegado tem toda essa regalia, mas um agente é removido com essa regalia? O sindicato questiona”, diz.

Procurada por ac24horas, a superintendência da Polícia Federal informou através de sua assessoria de imprensa que a medida foi tomada por causa da crise financeira que atravessa o país e a elevação dos custos para manutenção de viaturas.

“Não é uma lei ou decreto, algo desse tipo. É um indicativo de que nessas missões policiais onde não haja transporte de presos, de coisas apreendidas ou de bens públicos que seja utilizado o ônibus, de fato, como medida, uma das medidas, de gestão de recursos diante da crise brasileira e por consequência uma contenção de despesa do governo federal. É algo normal, natural. É uma entre muitas outras medidas de gestão de recursos. O combustível tá mais caro, a manutenção das viaturas, tá tudo mais caro.”

Sobre a ajuda de custo ao delegado, a assessoria resumiu sem se estender: “Não vamos comentar porque é um direito do trabalhador.”

Fonte: AC 24 horas

PEC DA BENGALA É APROVADA


Aprovada aposentadoria compulsória aos 75 anos para todos os servidores públicos




O plenário do Senado aprovou hoje (1º) o projeto de lei que estende para todos os servidores públicos os efeitos da chamada PEC da Bengala, a emenda constitucional que determinou a aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores aos 75 anos.

Pelo texto aprovado, os funcionários públicos também passarão a se aposentar compulsoriamente cinco anos mais tarde – atualmente a aposentadoria deles é, no máximo, aos 70 anos. A lei, que ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, será aplicada aos servidores dos três Poderes, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal.

Autor da matéria, o senador José Serra (PSDB-SP) disse que o rojeto é benéfico para os funcionários, que poderão optar por se aposentar antes ou ter mais tempo de contribuição nos casos em que a proporcionalidade não permitir ainda a aposentadoria integral.

Ao falar no plenário do Senado, Serra destacou também que a mudança no tempo da aposentadoria compulsória trará economia para o governo. “As nossas estimativas mostram que o governo, nas três esferas, como um todo, Senador Eunício, vai economizar mais de R$1 bilhão por ano”, disse.  De acordo com o senador, com o aumento do tempo da aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos, diminui o gasto governamental. “É uma diminuição lenta, mas firme e segura”, afirmou.

O senador José Pimentel, no entanto, alegou que a lei poderá ser considerada inconstitucional por ter vício de iniciativa. Ele citou, como exemplo, outra lei que foi aprovada por unanimidade na Câmara e no Senado estabelecendo aposentadoria compulsória aos 65 anos para os policiais federais e policiais rodoviários federais e que, em seguida, foi considerada inconstitucional no Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, ele orientou favoravelmente à votação e colaborou para a aprovação do projeto.

O texto recebeu uma emenda para que os efeitos da lei sejam também aplicados aos membros da Defensoria Pública, que têm carreira independente. A matéria segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

QUEM QUISER QUE FAÇA MEU TRABALHO!



25/11/2014


Fonte: Blog Comunidade Policial
Como cidadão, que acredita na autodefesa, estou bastante incomodado. Como policial, que tem o dever de proteger as pessoas e o Estado, seus direitos e propriedades, eu estou impressionado, no pior sentido da palavra. E como instrutor de armamento e tiro, que tem a intenção de ensinar policiais a sobreviverem aos confrontos armados, eu estou pensativo.
A partir de agora, todas as instituições policiais brasileiras terão um desafio NUNCA imaginado. É um desafio fora do comum e que pode servir de base para um filme de ficção científica capaz de vencer todas as categorias do Prêmio Oscar. Se as polícias brasileiras conseguirem vencer esse desafio, todas as polícias e forças armadas no Planeta Terra, do Espaço Sideral e do Além nos enxergarão como exemplo único de eficiência e eficácia profissional.
Se tudo der certo, o FBI, o DEA, o U.S. Marshall, a Scotland Yard, o SAS, o U.S. Navy Seals, os Marines Corps, o GSG9, o Bundespolizei, o Mossad, a Mishteret Yisreal e a Royal Canadian Mounted Police, virão ao Brasil para aprender a extraordinária, nova e peculiar técnica de confronto armado com criminosos. Para isso, contamos com um país que agrega uma variedade de religiões que coexistem em completa tolerância e harmonia.
Nada de estandes de tiro, equipamentos de proteção individual, coletes balísticos, armas de fogo, pólvora, estampidos, comandos, treinamentos, repetições cansativas, sol ou chuva, sirenes, algemas. A nova técnica de reação policial precisará apenas de itens que não são controlados pela legislação: farofa, galinha preta, cachaça, vela, charuto, água benta, hóstia, terço, fita do Senhor do Bonfim, médiuns, oferendas, e muita, mas muita prece e oração.
De agora em diante, as escolas e centros de treinamento policial precisam desenvolver e aplicar uma técnica de tiro que permita ao policial REAGIR SOMENTE DEPOIS DE TER SIDO ALVEJADO. É isso mesmo: ele só pode usar sua arma depois de ter sido alvejado, gravemente ferido ou morto. E como pai (mas não mentor) dessa esplendorosa técnica de tiro e comportamento policial, vou chamá-la de “Técnica do Homem Morto” ou “Dead Man Drill”, para os estrangeiros.
Sete bilhões de habitantes no planeta Terra e ninguém pensou nisso antes?! A técnica é simples: o policial será alvejado por um tiro real. Se ele sobreviver, poderá reagir e atirar no alvo. Se ele morrer, poderá utilizar métodos de interação além-túmulo para reagir e atirar no alvo. O policial não pode entrar no túnel de luz (que conduz ao céu) e deve utilizar a pistola plasmo-fantasmagórica que surgirá em seu coldre. Se o policial morto não conseguir impedir a ação criminosa e prender o bandido, ele pode deixar que outro policial o faça, desde que sobreviva ao ferimento também. No final, dependendo da inabilidade dos policiais envolvidos na ocorrência, todos responderão processos disciplinares por trabalharem mal, intencionalmente ou não.
Quando os policiais, de países que possuem instituições públicas e privadas comprometidas com a segurança dos seus cidadãos e dos próprios policiais, assistirem a aplicação dessa nova metodologia, ela será imediatamente rebatizada de “Stupid Drill” ou “What a Fuck Drill”.
E então? Essa técnica faz sentido para você? Fique feliz se você respondeu “não”, pois ainda goza de alguma sanidade mental. E agora que eu recobrei minha capacidade de pensar com inteligência, deixarei que a “Técnica do Homem Morto” seja aplica apenas por quem acredita nela.
Excepcionalmente, quem crê na viabilidade desse comportamento antinatural nunca está na linha de frente quando é preciso ser forte para superar o estresse e a adversidade de um conflito com criminosos e aquilo que eles representam (medo, violência e dor). Esperar que qualquer ser humano freie seu instinto natural de sobrevivência e aguarde ser alvejado para, só depois, reagir não tem explicação legítima, técnica ou moral.
Talvez você não saiba a origem da “Técnica do Homem Morto”. Por isso, transcrevo a argumentação contida num vídeo que circula na Internet:
“Se vocês querem uma resposta jurídica da coisa, para dizer que vocês não tenham nenhuma consequência, não atirem! Vocês só podem atirar a partir do momento que vocês forem alvejados. Vocês não têm uma arma para atacar. Vocês têm uma arma para se defender!”
“Não coloquem a vida de vocês em risco nem a vida de terceiros em risco para pegar um criminoso!”
De algum modo, parte da argumentação tem lógica, ou seja, não faça nada e você não sofrerá consequências. Na verdade, um convite para todos os policiais navegarem na Internet ou jogarem conversa fora nas delegacias e quartéis. Considerando o perigo do trabalho policial, os baixos salários e o desrespeito que enfrentam em razão da profissão, essa ideia é bastante interessante. Segundo, armas nas mãos de policiais profissionais e cidadãos de bem são, sim, instrumentos de defesa. Porém, a mesma arma de fogo só serve para ataque quando está nas mãos dos delinquentes. Por último, não se deve colocar a vida de terceiros (inocentes) em risco para prender criminosos, pois o risco não vale o benefício. Entretanto, como o policial não vai colocar sua vida em risco se for obrigado a ser alvejado primeiro antes de se defender?
Em 2007, escrevi o artigo denominado “O desconhecimento que mata...a legítima defesa!” Desse texto selecionei alguns tópicos importantes.
[...] muitas pessoas acreditam que o risco de vida não existe até que a ameaça ou agressão seja imediata. Essa ideia perigosa força muitos policiais a esperarem até que os criminosos saquem e apontem suas armas para eles ou para pessoas inocentes antes que esses policiais possam neutralizá-los. Pesquisas americanas demonstram que um criminoso é capaz de sacar uma arma escondida e atirar contra um policial antes que esse policial consiga simplesmente apertar o gatilho de sua arma já apontada para o criminoso (Firearms Response Time by Thomas A. Hontz).
[...] a ação é mais rápida que a reação.
Já em 2008, publiquei o texto “Eu vou atirar na perna dele!
Informações sobre confrontos armados indicam que um policial acerta um em cada seis tiros disparados contra o alvo. Isso produz cerca de 17% de aproveitamento, e se já parece ruim, espere até você analisar outro dado que demonstra que aproximadamente 50% dos tiroteios ocorrem em distâncias de até 1,70 m entre o policial e o suspeito. Outros 20% ocorrem em distâncias entre 2 e 3,40 metros. Agora, um homem com uma faca – e com o caminho livre – é capaz de correr 5 m em apenas 1.28 segundo. Assim, não importa quantos disparos sejam feitos, você vai errar a maioria deles, mesmo à queima roupa. Então, quão realista seria se muitas das pessoas que tiveram a SORTE de acertar o criminoso em ação tivessem que calmamente mirar e disparar contra uma das menores partes do corpo? E se essa área ainda tivesse grande chance de estar em movimento? Então, quanto tempo sobraria para a visada perfeita na perna, no braço ou no ombro? NENHUM.
De qualquer maneira, a prática nas academias envolve dois conceitos. O primeiro deles refere-se ao centro de massa, significando apontar a arma para que o projétil vá de encontro à área mais ampla do alvo (o tronco) e, obviamente em cujo local as chances de acerto são maiores. O segundo conceito diz respeito à possibilidade de se atingir órgãos internos localizados nessa área e que permitam uma maciça perda de sangue, levando à inconsciência e à incapacitação.
A intenção de incapacitar, em nada tem a ver com atirar para matar ou mirar para ferir, pois ambas são irrelevantes, pois sua ação de autodefesa está centralizada na percepção de ameaça grave e na capacidade do criminoso matar ou tentar matar você. Se a simples presença da sua arma detiver a intenção do delinquente, o trabalho está feito! Se apenas um tiro no centro de massa persuadir o atacante a desistir, está ótimo! Contudo, se forem precisos 10 tiros pelo corpo para impedir que um criminoso mate você, então...!
Eu não estou defendendo o uso da força letal como forma de punição para criminosos. O que eu estou dizendo, é que você é uma pessoa sensata, com um inalienável direito à vida e à liberdade e que não se envolve em questões alheias, ou seja, você vive pacificamente. E então, alguém o ataca, tenta feri-lo ou matá-lo sem nenhuma razão a não ser com o interesse de tomar aquilo que é seu. Você não está tentando matá-lo, apenas tentando fazê-lo parar. E isso não é errado, é certo! Você tem o direito de fazer o que for necessário para estar a salvo, voltar para casa e para sua família. Mas se você esperar até conseguir a pontaria perfeita e “não letal”, talvez seja tarde demais para você!
Agora, imagine que você (policial, juiz, promotor ou cidadão armado) tenha que aguardar o criminoso alvejá-lo para, a partir daí, adotar uma reação armada. Quão realista isso parece? Quem pode garantir que esse ferimento não será fatal? Será que esse novo conceito será utilizado pelos delinquentes? Porque não realizam seminários nos presídios para avisar aos assassinos, estupradores, traficantes, torturadores, pedófilos, falsários e ladrões que eles também só podem atirar depois de serem alvejados? Afinal, são esses criminosos que nunca hesitam em tirar a vida dos bons brasileiros.
A própria norma que trata da legítima defesa, garante a autodefesa na iminência ou atualidade de um ataque injusto. Ora, se a lei permite uma defesa no prenúncio do ataque, porque esperar o pior desfecho?
Já disse e repito: quem entende o trabalho policial e sabe como ele deve ser feito é a polícia. Seminários, palestras, simpósios e outras reuniões sobre assuntos pertinentes ao universo policial e suas técnicas deveriam ser compostas por especialistas da polícia, salvo raras exceções. Por essa razão, as organizações policiais precisam compreender a importância e urgência na produção de dados e informações técnicas que balizem o trabalho e o comportamento policial na dura realidade dessa tarefa. Policiais que arriscam suas vidas diariamente em benefício de pessoas desconhecidas não podem ser abandonados e colocados na linha de tiro dos que acreditam que eles devem aceitar, CALADOS E IMÓVEIS, o alvejamento, o ferimento ou a morte.
Quem acredita na “Técnica do Homem Morto” não tem permissão para “achar”, interferir, julgar, decidir ou avaliar o instinto natural de sobrevivência que todo ser humano possui. Quem acredita nessa técnica deveria, por respeito ao próprio pensamento, ser unir aos policiais do Rio de Janeiro e enfrentar os traficantes nos morros cariocas. Deveria se unir, lado a lado, aos policiais de São Paulo que lutam contra o PCC, por exemplo. Deveria perguntar aos policiais, juízes, promotores, políticos e cidadãos de países desenvolvidos o que é melhor para o mundo: um policial vivo ou um criminoso.
A vida é preciosa demais para ser entregue de modo tão fácil. E quem acredita que a vida do policial não vale nada que faça o nosso trabalho, principalmente no pior momento.
SE ESPERARMOS QUE CADA POLICIAL SEJA ALVEJADO PARA QUE ELE POSSA REAGIR AO CRIME, EM BREVE NÃO TEREMOS MAIS POLICIAIS NO BRASIL.
Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor do livro Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais.