Eles alegam que ações pontuais não resolvem os problemas da comunidade localizada na zona sul de São Paulo
29 de outubro de 2012 | 17h 56
William Cardoso, O Estado de S. Paulo
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Nilton Fukuda/Estadão
Presença de policiais causou estranheza na
comunidade
SÃO PAULO - Moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, ficaram
surpresos com a operação policial realizada na manhã desta segunda-feira, 28, e
criticaram o fato de ninguém ter sido informado sobre os motivos da presença
ostensiva do batalhão de choque no bairro. Segundo eles, ações pontuais não
resolvem os problemas da comunidade e geram mais insegurança para quem vive no
local.
Líder comunitário, Gilson Rodrigues afirmou que a Operação Saturação é, na
prática, uma ocupação, e que os moradores foram acordados com a polícia na porta
sem saber o porquê. "Todas as operações sempre foram assim. A única diferente
seria a Virada Social, de 2009, quando recebemos 123 promessas, mas que nunca
foram cumpridas integralmente", disse. Entre os projetos estavam a construção de
mais um CEU, de Creas, Cras, CIC (Centro Integrado de Cidadania), um parque, uma
escola de música e um clube escola. "Vamos sair de uma ação pontual e esperar
pela próxima", completou.
Apesar da presença ostensiva da PM, os serviços essenciais funcionaram
normalmente na comunidade. No início da tarde, diretoras de escolas e de outras
unidades do serviço público procuravam lideranças comunitárias para saber se
deveriam permanecer com as portas abertas. "Na medida em que as organizações nos
procuram, informamos que é para manter tudo funcionando. Esperamos que a
Secretaria de Segurança Pública diga para a gente o que é que está acontecendo",
disse Rodrigues.
Segundo ele, a rádio local está aberta às autoridades para uma explicação
sobre o que está sendo feito. "Estou surpreso pelo fato de o secretário ter
vindo até o bairro e não ter conversado com a comunidade." Segundo a Secretaria
de Segurança Pública (SSP), o secretario Antonio Ferreira Pinto apenas passou
pela comunidade de manhã em uma viatura em meio a operação e não teve a
oportunidade de conversar com os moradores.
Rodrigues contou também que não ocorreu nenhum fato novo nos últimos dias que
justificasse uma intervenção policial dessa magnitude. Pelas ruas do bairro, a
presença de policiais a cavalo e também fortemente armados causou estranheza.
Até o início da noite, porém, nenhum estabelecimento comercial havia fechado as
portas e a rotina seguia dentro da normalidade, apesar do aparato policial.
Também não houve toque de recolher até as 18h.
A presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, Júlia Titz de
Rezende, afirmou que é fundamental um "posicionamento mais firme da PM" no
combate à criminalidade e por isso apoia a ação em Paraisópolis. "A operação é
muito bem vinda, porque sempre traz mais tranquilidade aos moradores. O que a
gente tem visto é um atrevimento muito grande dos bandidos. Eles não temem mais
nada."
Segundo Júlia, a ação da polícia é boa inclusive para moradores de
Paraisópolis. "Tenho certeza de que muitas pessoas que são residentes da favela
veem com bons olhos, porque também são vítimas e muitas vezes não podem falar
nada." A presidente do Conseg disse que a ação já era esperada. "Normalmente, a
gente sempre pede para que haja um reforço. Sabia que existia a intenção de se
fazer, mas não a data correta, até pelo fator surpresa. É uma estratégia da
polícia."
A SSP informou que a PM espera contar com o apoio da comunidade na operação e
disse que a ideia é não prejudicar o dia a dia dos moradores.
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