domingo, 30 de agosto de 2009

OS DILEMAS DA ATIVIDADE POLICIAL

Folha de S. Paulo
27/08/2009

CLAUDIO BEATO
O Secretário da Segurança de São Paulo tocou em ponto nevrálgico da estrutura das polícias brasileiras: sua ineficiência no controle da criminalidade. Não obstante os importantes resultados no controle de crimes alcançados em alguns Estados, tais como os homicídios em São Paulo ou os crimes violentos contra o patrimônio em Minas, os números ainda são tímidos se considerarmos a magnitude dos problemas no Brasil.
Seria ingenuidade relegar apenas à polícia esta tarefa. Contudo, temos um problema gerencial que merece discussão. Não por acaso, de 50% a 80% de policiais (civis, militares e guardas-civis) indicam a necessidade de mudança do modelo de polícia, segundo pesquisa divulgada pela Senasp. Daí que o tema da reforma das polícias surja recorrentemente na pauta de gestores e de especialistas.
O maior problema, sem dúvida, é a duplicidade organizacional das polícias, que as leva a serem, nas palavras de Marcos Rolim e Luiz Eduardo Soares, "polícias pela metade", frequentemente assumindo prerrogativas da outra e em eterno conflito latente.
Outra pesquisa, coordenada pelo carioca Michel Misse em vários Estados, apontou tema igualmente crucial: o inquérito policial. Só de 15% a 20% dos inquéritos de homicídios são solucionados nesses Estados. Nos casos de crimes contra o patrimônio, é provável que o resultado seja inferior a dois dígitos. E um dos motivos mais relevantes tem a ver com a forma como é desenvolvido o inquérito, no qual o formalismo passa a ser mais importante que a investigação propriamente dita.
Mas este é um verdadeiro dogma no interior das polícias civis. Trata-se de uma peça do século 19 que pretende enfrentar problemas do século 21. Foi criada em 1871 e ainda é usada para enfrentar a complexidade dos problemas contemporâneos, de terrorismo cibernético a redes criminosas internacionais. É um traço genético resiliente que marca nossa estrutura de polícia, mas que poderia ser concebida de forma distinta.
Em muito países, o que temos são investigações conduzidas, por exemplo, por Ministério Público ou juízes, que se encarregam dos procedimentos jurídicos formais e de salvaguarda dos direitos dos investigados, liberando os bons policiais para sua atividade fim. Além disso, temos a duplicidade de procedimentos, que leva vários juristas a se questionarem da racionalidade deste processo.
Mas seria injusto atribuir apenas ao inquérito todas as mazelas. Daí a necessidade de uma ampla reforma, inclusive no plano legislativo, que atinja de forma profunda nosso processo penal. O labirinto no qual reside a impunidade brasileira encontra expressão nas dezenas, talvez centenas, de subterfúgios ali existentes. Mas não se pode negligenciar a necessidade de microrreformas gerenciais que busquem conferir mais centralidade às bases territoriais, bem como o desenvolvimento de uma base mais técnica para as investigações.

sábado, 29 de agosto de 2009

A SEGURANÇA PÚBLICA É RESPONSABILIDADE DE TODOS, DIZ LULA

- Conseg
28/08/2009

Durante a abertura da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública realizada ontem (27), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o “empurra-empurra” entre os governos federal, estadual e municipal pela responsabilidade da segurança pública. “Nós, do presidente da República à pessoa mais humilde, precisamos assumir que é um problema de todos nós, dos 190 milhões de brasileiros.”
O presidente afirmou que a Conferência pode consolidar a nova metodologia em que se baseia o Pronasci – o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. Para Lula, o governo federal está no caminho certo com o Programa, criado há dois anos pelo Ministério da Justiça e implementado nas regiões mais violentas do país. O Pronasci articula todos os entes federados, valoriza o profissional de segurança pública e tem foco no jovem, “o mais vulnerável para ser vítima do crime organizado”, disse o presidente.
Lula enfatizou ainda a importância da qualificação do profissional da área, que deve ser treinado em ações de inteligência e preparado para usar a força apenas quando necessário. “Precisamos dar condições para que o policial não seja nosso inimigo”, disse o presidente. “Se ele estiver bem formado, numa boa casinha, com salário adequado, ele será o guardião que queremos para manter a ordem”.
Os investimentos na área também foram tema do discurso do presidente. Segundo ele, a segurança pública sempre foi um dos últimos a receber orçamento, mas, com o Pronasci, tem prioridade no governo federal. “Pela primeira vez discutimos investimentos em segurança pública e não gastos”. O presidente citou o bairro de Santo Amaro, em Recife (PE), como exemplo de sucesso do programa. “Tarso Genro (Justiça) me trouxe uma pesquisa que mostrou que, depois do Pronasci, diminuiu em 70% a criminalidade”, comemorou.
Para o ministro Tarso Genro, o Pronasci inicia a mudança de paradigma, mas essa mudança não seria assimilada pelos estados e pela sociedade sem a Conferência. E reforçou a importância da valorização do profissional da segurança pública. “O Pronasci tem os Direitos Humanos dos policiais como elemento central para a construção de uma política de segurança pública digna, de uma democracia que estamos construindo”.
Três mil pessoas participarão, até domingo (30), dos debates da 1ª Conseg, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O objetivo é propor princípios e diretrizes de uma política nacional para a área.
Presente no auditório lotado do Centro de Convenções, o major Dionísio Neto está confiante que levará boas notícias para o Amazonas. “Espero que a Conferência produza resoluções para atender não só a sociedade civil, mas também os profissionais de segurança pública”, afirmou.

LULA COMPARA POLICIAIS A DEUS DURANTE CONFERÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA

Fonte Uol
28/08/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou policiais a Deus em discurso na abertura da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada ontem (27) em Brasília.

"Tem muita gente que é ateu, mas só acredita em Deus quando está em perigo. Com a polícia é a mesma coisa", disse Lula.

O presidente fez um discurso de 17 minutos antes de embarcar para Bariloche, na Argentina, onde participará da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
Em um auditório repleto de profissionais da área, Lula defendeu estímulos à segurança pública, elogiou o trabalho do ministro da Justiça, Tarso Genro, e defendeu a remuneração alta de policiais, sem, contudo, apresentar qualquer proposta concreta.
Tarso fala de integração das polícias
Na conferência, que termina no domingo (30), Tarso Genro afirmou que deverá dar destaque à avaliação de questões relativas às funções e à natureza das polícias Militar e Civil e à possível integração de ambas.
O ministro descartou a hipótese de que os participantes cheguem a um consenso e façam constar, entre as 40 diretrizes e 10 princípios que irão compor o documento final da conferência, uma proposta definitiva sobre o tema.
"Essa questão vem da década de 1980, e a conferência não vai resolvê-la. Não há consenso sobre a integração, mas a discussão sobre as funções e sobre a natureza de ambas as polícias [deverá sobressair]. Nós, entretanto, não vamos valorizar essa controvérsia, porque não iremos resolvê-la", afirmou Tarso Genro, durante café da manhã com jornalistas, hoje (27), no ministério.
Ao elogiar a atual estrutura policial brasileira, o ministro disse que os países "com os mais modernos projetos de segurança pública" respeitam as especificidades de suas polícias e que a ideia de uma única força, desmilitarizada, está "superada".
"Nós temos a opinião de que a estrutura mais geral de polícia, com a existência das PMs e da Polícia Civil, pode ser muito melhorada, mas é boa. Até porque o Brasil é um país continental, com uma relação federativa de alta complexidade, e Estados com um bom grau de autonomia. Então, é preciso fazer uma adequação destas teses à nossa realidade", disse o ministro.
A ampliação do processo de integração entre as polícias está entre as "apostas centrais" do ministério para a conferência, bem como a discussão sobre novas formas de financiamento para a segurança pública, aspecto que o ministro também diz ter melhorado nos últimos anos, embora os recursos "continuem sendo insuficientes".
Ele pediu a ajuda da imprensa no sentido de "desmitificar" a conferência, para evitar que a sociedade crie falsas expectativas sobre os objetivos e o real alcance do evento, cujo objetivo é dar início a um processo de mudança.
Para que tal processo seja efetivo, são necessárias "duas gestões, ou dez anos, pois [isso] exige mudanças institucionais, culturais, nos padrões de financiamento do setor e nos salários dos servidores da área".
"Às vezes, joga-se sobre a conferência uma luz e uma expectativa e depois se diz que a conferência não resolveu tal questão. Não é esse o objetivo da conferência. Seu objetivo é propor outro padrão de elaboração de políticas públicas de segurança e iniciar um processo de mudança, o que estamos certos de que irá ocorrer. A conferência inicia um processo de transição, cujos contornos serão trabalhados em conferências posteriores."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Três suspeitos morrem e seis são presos após arrastão em prédio de SP


26/08/09 - 07h27 - Atualizado em 26/08/09 - 09h47
(fonte G1)
15 moradores foram feitos reféns por duas horas na Lapa na terça (25). Além das prisões, PM também conseguiu recuperar objetos roubados.
Do G1, com informações do Bom Dia São Paulo
Três homens morreram e outros seis foram presos após um arrastão em um prédio na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, na noite de terça-feira (25). Durante duas horas, 15 moradores foram mantidos reféns. Após a chegada da polícia, houve tiroteio e três dos suspeitos foram baleados.
A quadrilha não se intimidou com as câmeras de segurança do prédio, que fica na Rua Croata. Os assaltantes chegaram armados, renderam o porteiro e entraram com um carro na garagem. A invasão foi pouco depois das 19h, horário em que muitos moradores voltavam para casa. Quem chegava ao prédio era rendido e colocado na escada de emergência. Nesse momento, os criminosos aproveitavam para roubar bolsas a e carteiras, e depois seguiam para os apartamentos das vítimas.

“Eles estavam em nove ou dez assaltantes e os primeiros [moradores] foram as vítimas que entraram nos apartamentos. Depois, já começou a ficar muita gente e eles já estavam se preparando para ir embora, quando o policiamento chegou e fez um trabalho perfeito”, contou o administrador de empresas Márcio Mafra.
Condomínio na Lapa foi invadido na noite de terça-feira (25) (Ilustração: Arte/G1)
Um morador que conseguiu se esconder chamou a polícia. Os policiais militares conseguiram libertar os reféns e prenderam seis suspeitos dentro do prédio. Outros três homens tentaram fugir pelos fundos. “Eles atiraram nos policiais, houve um revide por parte dos policiais em legítima defesa e vieram a falecer os três”, explicou o tenente-coronel da PM Cláudio Longo. A polícia apreendeu duas pistolas, dois revólveres e uma metralhadora. A arma, de fabricação artesanal, estava carregada com munição de uso restrito das Forças Armadas. A quadrilha era organizada: um dos presos estava vestido com um terno para não levantar suspeitas dos moradores que chegavam ao prédio. Os PMs também recuperaram os bens roubados dos moradores. Apenas este ano, 34 arrastões foram registrados em todo o estado, 15 deles na capital. Os moradores de condomínios estão cada vez mais preocupados. “É uma agressão muito grande, né? Qualquer brasileiro se sente. É uma insegurança, uma agressão muito grande, é uma agressão moral. E o medo, enfim”, disse o engenheiro Agilufo Dias.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Corrupção faz Brasil virar paraíso de megatraficantes



Lavagem de dinheiro e suborno de policiais são facilitados, dizem especialistas
A cooptação de laranjas e a compra de bens com dinheiro vivo também são motivos; em 11 dias,dois colombianos foram presos
MARIO CESAR CARVALHO(Folha de SãoPaulo)
O Brasil tornou-se um dos destinos prediletos de megatraficantes de cocaína. A principal evidênciada mudança são as prisões dos colombianos Juan Carlos Ramírez Abadía e Gustavo Durán Bautistanum período de 11 dias -o primeiro no último dia 7, o outro, no dia 18. Se esticar o prazo para o anopassado, pode acrescentar mais um traficante de porte internacional na conta: o também colombianoPablo Rayo Montano, preso em maio de 2006 pela PF em São Paulo.
A lista pode aumentar. A PF e policiais dos Estados Unidos têm indicações de que companheirosde cartel de Abadía podem estar no Brasil. Um dos suspeitos integra o grupo dos cinco traficantes maisprocurados pelos EUA.
Não há uma única razão para explicar por que os traficantes preferem o Brasil. Mas há um motivoque atravessa todas essas razões: a corrupção. O motivo é apontado por especialistas da PolíciaFederal, por juízes federais e procuradores. Segundo eles, é a corrupção que facilita a lavagem dedinheiro em grande escala, o suborno de policiais, a cooptação de laranjas e a compra de bens comdinheiro vivo.
As prisões de Abadía, apontado pelos EUA como o maior traficante em atividade do mundo, e
Durán Bautista são uma espécie de resumo da ópera das facilidades que o país oferece a traficantes.
Abadía comprou uma mansão na Grande São Paulo, casas de praia em Jurerê Internacional, em
Florianópolis, e em Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro, um sítio em Minas Gerais e uma lancha deR$ 2 milhões sempre com dinheiro vivo. Só com imóveis, o traficante teria gasto cerca de R$ 8 milhões,segundo depoimentos de laranjas do traficante.
Não eram laranjas quaisquer os de Abadía. Um deles tinha uma loja de jet-ski em São Paulo. O
outro era piloto e tinha quatro empresas que o traficante usava para movimentar o dinheiro sujo no país.
País das facilidades
"É muito fácil lavar dinheiro no Brasil. O controle é muito precário", diz o delegado da PF Luiz
Roberto Ungaretti Godoy, que trabalha na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e ajudou a
investigar Durán Batista até sua prisão no Uruguai.
O Brasil, na opinião do delegado, é mais atraente para traficantes do que países supostamente
mais seguros, como a Venezuela, que não tem escritório do DEA (Drug Enforcement Administration, aagência antidrogas dos EUA) por causa do anti-americanismo do presidente Hugo Chávez.
Abadía estava na Venezuela antes de vir para o Brasil há quatro anos. Aparentemente, saiu de lá
porque temia ataques de seus inimigos colombianos, vizinhos de fronteira. Lá também não há a
diversidade de negócios que existe no Brasil.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ALGEMAS DESCARTÁVEIS

(fonte: blog caso de policia do concurso ao operacional.com)



As chamadas algemas de plástico são excelentes para a função de rua, principalmente porque são bem mais leves; além disso volta e meia durante a confusão das operações e condução para DP as algemas se perdem, e o policial se ferra para comprar outra, e como as de plástico são descartáveis, não tem problema.
Mas tem que ser uma algema plástica decente, não essas porqueiras que muitos policiais compram, que são difíceis mas não impossíveis de arrebentar...
Ela é extremamente forte, e foi feita para isso mesmo, não é improviso. É como aquelas que ficam penduradas nos uniformes dos policiais da SWAT americana e outras polícias com recursos materiais...
Claro, mesmo sendo resistentes, não se pode confiar plenamente nestas braçadeiras especiais, por isso, nada de dar mole. A trava pode ser levantada com auxílio de uma ferramenta, mas isso se faz facilmente também nas algemas de aço mais baratas, que são as que usamos.
Por outro lado, isso faz com que o material não seja tão descartável, e retirado com cuidado dos punhos do conduzido, pode ser usada novamente. Jeitinho brasileiro, mas adaptado aos recursos dos mal pagos agentes da lei daqui.

Amanhã já será tarde demais! Pensem nisso!

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar...
(Martin Niemöller, 1933)

UOL esconde enquete em que PT é o partido mais sério

24/agosto/2009 17:40 (Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim)

Estava em uma página interna
O UOL não faria uma enquete para dizer que o PT é sério.
Mas, fez. E teve de escondê-la.
Colocou na página interna e o resultado é esse aqui (às 17h33):

PT – 35,53%

PSDB – 23,11%

PMDB – 11,94%

Nenhum – 11,04%

PSB – 5,39%

PSOL – 3,84%

DEM – 2,88%

PV – 2,54%
(total de votantes: 20.933, às 17h33)
Veja íntegra da enquete no UOL.

REPRESSÃO ÀS DROGAS É QUESTIONADA EM DEBATE

O Globo
24/08/2009
A estratégia do uso de armas e da repressão não vem dando resultados no combate ao tráfico e ao uso de drogas no Brasil, além de contribuir para o aumento da violência. Essa foi uma das opiniões debatidas ontem por especialistas no primeiro encontro da Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia (CBDD), que reuniu pesquisadores, políticos, médicos, artistas e representantes da sociedade civil num auditório da Fundação Oswaldo Cruz.
Entre os convidados, estavam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a atriz Lília Cabral e o jornalista Zuenir Ventura. Para o diretor executivo do Viva Rio, o antropólogo Rubem César Fernandes, o desafio do novo grupo de trabalho será mudar a mentalidade da sociedade e
incentivar a ideia de que o pequeno usuário deve ser tratado como paciente, não mais como bandido: — Queremos que o trabalho da polícia seja focado apenas nos grandes criminosos.
A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, declarou que a lei teve avanços, mas ainda é muito difícil para um juiz fazer a distinção entre o usuário e o pequeno traficante.
— A distinção é muito delicada, até porque o usuário, para sustentar o vício, muitas vezes se torna um traficante — afirmou, acrescentando que o Brasil obedece a acordos internacionais no combate às drogas.
Participaram do encontro, entre outros, Peter Reuter, coordenador do relatório da União Europeia a respeito da política internacional sobre drogas, apresentado na Convenção de Viena, em março; e Mike Trace, presidente do International Drug Policy Consortium. Já Glenn Greenwald, autor do relatório sobre a descriminalização das drogas em Portugal, não pôde comparecer por estar com gripe.
minha opinião:
Lá vem os teóricos de plantão com os mesmos blas, blas, blas de sempre. Cada vez querendo dar mais liberdade para quem não tem um pingo de cidadania e não está nem aí para o resto da sociedade. Será que não enxergam que estamos nesse caos justamente por vivermos num país onde há falta de regras e excesso de liberdade? Como acabar como tráfico sem punir o consumo? O usuário tem que saber que se for pego com droga será punido exemplarmente e não como acontece hoje. A maioria dos policiais nem leva mais esses usuários pra delegacia pois sabem que o Delegado torce o nariz pra esse tipo de ocorrência e que o usuário sai de lá antes dele e o pior, rindo dele. Um país onde se permite um aluno agredir um professor, onde as periferias estão assoladas por gente sem o que fazer, ou melhor, gente que usa e vende drogas em plena luz do dia, sabendo que as leis são brandas e as autoridades ao invés de reprimí-los passam as mãos em suas cabeças, e na maioria das vezes punem o policial que tenta fazer seu serviço. Precisamos dar um basta nisso. O que essas pessoas conhecem das ruas? Passar as mãos nas cabeças dessas pessoas é empurrar ainda mais esse país para o fundo do poço. Temos que valorizar quem é digno de ser valorizado, proteger quem mereçe proteção. Professores, policiais, médicos... e não essa cambada de sem o que fazer, tratando-os como doentes coitadinhos.
José Sanches

domingo, 23 de agosto de 2009

"Eles assaltam porque querem ficar ricos"

Uma pesquisa inédita sobre a motivação dos criminosos revela como eles calculam friamente o risco de seus atos

Mariana Sanches

Qual é a semelhança entre o visionário Barão de Mauá, que construiu a primeira ferrovia do Brasil, e os criminosos que, em 2005, cavaram um túnel até a sede do Banco Central, em Fortaleza, e surrupiaram de lá cerca de R$ 160 milhões? Segundo a antropóloga Jania Perla de Aquino, o barão e os ladrões têm em comum o gosto pelo risco. O empreendedor arrisca dentro da lei. O assaltante não vê problema em se arriscar fora dela. Essa é apenas uma das polêmicas conclusões expostas por Jania em uma pesquisa inédita sobre grandes assaltantes. Jania passou os últimos seis anos viajando por dezenas de cidades para entrevistar 41 criminosos, boa parte deles milionários e foragidos da Justiça depois de anos de crimes. Ela falou a ÉPOCA sobre como agem e vivem esses criminosos.

ENTREVISTA - JANIA PERLA DE AQUINO

QUEM É Antropóloga, estuda assaltos a bancos há nove anos. Nos últimos seis, conviveu com 41 assaltantes responsáveis por vários crimes milionários desde os anos 1990. O QUE FEZ Graduou-se em ciências sociais na Universidade Federal do Ceará (UFC) e acaba de concluir seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP)
ÉPOCA – Qual é o perfil dos grandes assaltantes?
Jania Perla de Aquino – Há pessoas pobres e de classe média. A maioria deles terminou o segundo grau. Eles só organizam assaltos contra instituições financeiras. Pelo menos metade dos assaltantes que entrevistei já acumulou um patrimônio superior a R$ 1 milhão. Os mais bem-sucedidos estão na cifra de dezenas de milhões. Dizem com desdém que tirar R$ 300 mil em um assalto é “roubar banquinho”.
ÉPOCA – Como eles planejam um assalto?
Jania – Eles levam até três meses para articular uma operação. Depois da escolha do alvo há todo um planejamento, com captação de informações e o recrutamento das pessoas que vão compor o grupo. As quadrilhas são circunstanciais. Dificilmente um mesmo grupo atua junto em mais de um assalto. E os assaltantes de bancos não costumam cometer outros crimes. Eles não roubam armas nem carros, preferem alugá-los ou comprá-los de outras quadrilhas.
ÉPOCA – Por que eles viram assaltantes?
Jania – Ouvi de um assaltante uma explicação: a pessoa não entra no crime porque ser pobre é ruim, mas porque ser rico é muito bom. Eles não querem ser só de classe média, querem entrar em lojas finas e ser bajulados. Querem ser a elite, consumir mais, circular em meios sofisticados. O mundo dos assaltos é uma espécie de porta da felicidade: muito dinheiro, muito rápido.
"Os assaltantes sabem que precisam trabalhar como atores. O pânico deles não é ser preso, é ficar pobre"
ÉPOCA – Como eles escondem e investem o dinheiro que roubam?
Jania – Alguns enviam o dinheiro para paraísos fiscais, mas a maioria usa laranjas no Brasil. Quanto aos investimentos, há dois perfis. Os assaltantes originários da zona rural costumam ter fazendas, imóveis, comércios em pequenas cidades no interior. Esses gostam de usar relógios grandes dourados, correntes grossas de ouro, têm predileção por caminhonetes 4 por 4. Os tipos urbanos têm como ícones dois dos personagens do filme Onze homens e um segredo, o Danny Ocean (interpretado por George Clooney) e o Rusty Ryan (Brad Pitt). Eles compram grandes apartamentos em áreas nobres, carros esportes, roupas de grife de bom gosto, mas discretas.
ÉPOCA – Eles fazem extravagância com o dinheiro que roubam?
Jania – Ao contrário. Aqueles que esbanjam dinheiro são considerados indisciplinados. É comum entre os assaltantes uma certa utopia de ter um conjunto de negócios legais viável para poder abandonar a ilegalidade. O “negócio” é lucrativo enquanto eles estão em liberdade, e a prisão significa prejuízo. Quando estão na prisão, não só deixam de roubar dinheiro, como também seus gastos aumentam – com advogados, por exemplo.Nos últimos anos, alguns assaltantes têm conseguido lucrar mesmo na prisão. Os mais renomados têm dado consultoria a outros assaltantes. Algumas quadrilhas, sem muita experiência, ligam para o celular do assaltante consultor, dentro da prisão, e pagam por conselhos.
ÉPOCA – Os assaltantes agem como empresários?
Jania – Há analogias que podem ser feitas entre os assaltantes e os empreendedores descritos pelo economista Joseph Schumpeter. O empreendedor de Schumpeter é um sujeito criativo, capaz de criar novos métodos para gerar dinheiro, de investir em atividades inovadoras sem garantias de lucro, de construir um império e escrever seu nome na posteridade. Um exemplo de empreendedor no Brasil é o Barão de Mauá. A exemplo da ferrovia de Mauá, a construção de um túnel que desemboca dentro do cofre do Banco Central é um empreendimento arriscado, custoso e com boas chances de altos lucros. Um grande assaltante chega a investir R$ 300 mil para criar uma operação e se arrisca a perder não só o dinheiro, mas a liberdade e a vida. A cada assalto ele busca inovar em tecnologia e em infraestrutura. Empreendedores fazem isso no mundo legal; assaltantes, no ilegal.
ÉPOCA – Estabelecer uma distinção entre esses dois mundos não é fundamental?
Jania – Um empreendedor de Schumpeter é um marco na história de um país ou do mundo. O grande assaltante será, no máximo, um mito no mundo da ilegalidade. Mas é equivocado imaginar que, na prática, existe um mundo do crime e um mundo da legalidade distintos e bem delimitados. A vida dos assaltantes não se baseia só em ações ilegais. Eles são também empresários legais que investem em negócios. E a percepção dos assaltantes sobre a sociedade em que vivem é que ela é corrupta. Eles não se veem como honestos, mas não se consideram mais criminosos que a maior parte das pessoas ricas. Eles me desafiavam a checar o Imposto de Renda das pessoas ricas para saber se elas não sonegaram nada ao Fisco ou não escondiam dinheiro no exterior.
ÉPOCA – Os assaltantes não têm medo da morte?
Jania – Alguns têm mais medo que outros. Mas todos acham que não vale a pena voltar à classe média depois de ter atingido um padrão de vida muito alto. O que não quer dizer que eles vão se arriscar em métodos suicidas para obter dinheiro. Pelo contrário, eles buscam formas cada vez mais sofisticadas de crime, que envolvam menos riscos. Há uma migração entre tipos de criminalidade. Matadores de aluguel têm migrado para os assaltos a bancos, porque essas ações dão mais dinheiro com menos risco de morte. E grandes assaltantes têm virado estelionatários. A partir do momento em que um criminoso participa de operações que não têm um conflito armado, é muito improvável que ele queira voltar à modalidade que envolve sangue.
ÉPOCA – Os assaltantes se preocupam com a assepsia dos crimes?
Jania – Isso tem a ver com o desejo de evitar que um assalto acabe se tornando um latrocínio (roubo seguido de morte), com pena maior, que crie uma grande comoção social e uma perseguição mais ferrenha da polícia. Mas não é só isso. No mundo dos grandes assaltos, quem comete latrocínio é visto como incompetente. Se o sucesso do assalto estiver em risco, eles vão matar. Mas eles não têm nenhuma vontade de fazer isso. É por isso que desenvolvem habilidades dramáticas para convencer a vítima do risco que ela corre sem dar nenhum tiro. Eles pensam em métodos para ser mais convincentes diante das vítimas. Eles portam armas potentes, porque uma metralhadora é muito mais persuasiva que um revólver. Trocam informações sobre os palavrões que geram mais impacto, em que parte da cabeça da vítima devem encostar a arma, como se aproximar do refém, o tom de voz para cada situação. Eles sabem que precisam trabalhar como atores.
ÉPOCA – O combate aos assaltos é eficaz?
Jania – O problema está nas técnicas de inteligência da polícia. O Estado não consegue mapear o patrimônio dos assaltantes. Quando há ondas de assaltos, as secretarias de segurança aumentam o efetivo policial nas ruas e efetuam prisões. A polícia sente que a resposta à sociedade foi dada. Mas a repressão ao crime só seria eficaz se a Justiça conseguisse confiscar o dinheiro lavado pelos assaltantes. O pânico dos assaltantes não é ser preso, é ficar pobre.

Temos que mudar...Isso é fato!

Caros amigos, escrevo pra dizer da minha decepção quanto ao TJ a respeito desse tal Pedro Tobias. Afinal segundo o TJ o que ele disse foi no calor do debate. Legal, vamos começar a dizer tudo o que der na telha sabendo que não seremos responsáveis por nada... Que absurdo! Que vergonha! País de acordos e conchavos... Em quem acreditar, se nem nossos Juizes e Desembargadores são isentos (com exceções é claro)... Decidem as custas de um PATRÃO que ordena e comanda. Sujeitinho deprimente esse tal de Pedro. Brasileiro não é, sujeito sem identidade e sem coragem, e agora quer decidir sobre nossas vidas? Quem é você Pedro? Pra mim não é nada de nada. Infelizmente brasileiros e paulistanos ignorantes e miseráveis votaram em vc(sic) as custas Deus sabe o porquê ou em troca de quê . De resto é uma pena saber que nosso tribunal não é independente como deveria, mas nós policiais civis temos que ser inteligentes e votar o ano que vem por mudanças !
Chega dessa "gozolândia" que a 16 anos está aí mandando e desmandando neste Estado. Unidos mudaremos essa história!
Um abraço a todos que acreditam!

sábado, 22 de agosto de 2009

TJ concede habeas corpus por falta de justa causa em ação promovida pela Adpesp

SP: (190809)


O Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio da 3ª Câmara de Direito Criminal concedeu, no último dia 23 de junho, ordem de Habeas Corpus, por falta de justa causa, para trancar a ação penal e julgar extinto o Processo em relação ao associado Roberto Monteiro de Andrade Junior, que na época exercia o cargo de Delegado Seccional de Polícia de São José dos Campos.
Promovida pela ADPESP, a ação foi elaborada com base na ausência de provas em desfavor do colega. Em seu voto, o Desembargador Luiz Pantaleão afirma que a “denúncia deveria ter explicitado, com suficiente clareza, a maneira que a eventual participação do paciente teria ocorrido, possibilitando, assim, o necessário amoldamento típico indireto” e concluiu afirmando que o “ex-Delegado Seccional de Polícia não poderia ser denunciado somente porque era superior hierárquico dos funcionários supostamente criminosos”.
Clique aqui para ver íntegra do Acórdão

PM DE SÃO CARLOS USARÁ ARMA DE DESCARGA ELÉTRICA

Portal G1 - 21/08/2009
Pistola imobiliza suspeito com choque de até 50 mil volts. Outras três cidades de SP receberam equipamento importado.

A Polícia Militar de São Carlos, a 232 km de São Paulo, apresentou na manhã de quinta-feira (20) uma arma não-letal. Em vez de ferir ou matar, o novo material imobiliza o suspeito com um choque elétrico de até 50 mil volts. A arma pode ser usada de duas maneiras. Se o policial estiver próximo da pessoa, basta encostar e acionar a descarga elétrica. À distância, pode ser disparado um cartucho com duas agulhas na ponta. Elas vão conduzir a eletricidade a um alcance de 10 metros. A imobilização dura cinco segundos.
“Toda a arma não-letal e que seja usada para a preservação da vida é muito importante”, afirmou o tenente-coronel João Scozzafave, comandante da Polícia Militar de São Carlos. As cidades de Porto Ferreira, Descalvado e Dourado, na região central do estado, também receberam a arma, que é importada e pesa cerca de meio quilo.

STF GARANTE A RÉU ACESSO A ESCUTA TELEFÔNICA

Conjur - 21/08/2009

Acusados que foram alvo de escutas telefônicas por parte da polícia têm o direito de ouvir o conteúdo dos áudios. Foi com esse fundamento que o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, concedeu o pedido liminar no Habeas Corpus de Alexis Lemos Costa, réu numa ação penal baseada em provas obtidas por interceptações telefônicas. A defesa alegou que o réu não teve acesso aos dados sobre as escutas, como as datas em que foram autorizadas pela Justiça e quando foram gravadas.
O ministro suspendeu o processo-crime que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro, no qual Costa é acusado de participar de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. A decisão do ministro Marco Aurélio acolhe os argumentos da defesa de que não conhecer as escutas caracteriza “violação ao exercício de ampla defesa” e ao direito constitucional de produzir prova para contestar a acusação.
O ministro afastou a incidência da Súmula 691 do Supremo, que impede os ministros da Corte de julgarem HC que teve o pedido liminar negado em tribunal superior e cujo mérito ainda não tenha sido analisado na mesma instância. O afastamento da súmula aconteceu porque o ministro viu ilegalidade no processo que exporia o réu a constrangimento ilegal.
A ilegalidade, segundo o ministro Marco Aurélio, foi verificada no fato de ter sido transferida à defesa uma atividade impossível: a de conseguir, por iniciativa própria, os elementos que cercaram a interceptação para constatá-la fiel, ou não, à determinação judicial. Ou seja, no caso, o acusado teria de produzir a prova da sua inocência para se livrar da condenação.
Marco Aurélio destacou o risco de uma sentença condenatória ser proferida sem que se esgote todo o direito de defesa. “Então, a reversão do quadro poderia mostrar-se mais dificultosa para a defesa presente a importância que alguns dão, no Brasil, ao fato consumado, a pretexto, até mesmo tendo em conta a jurisdição, de evitarem-se movimentos inúteis desta última, salvando-se o que já formalizado”, disse na decisão, que ainda terá o mérito analisado pela 1ª Turma, após a chegada ao Supremo do parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o caso.
A defesa destacou, também, ser “de grande importância o esclarecimento acerca dos procedimentos de interceptação”. Entre essas informações supostamente sonegadas, estariam as datas em que foram expedidas as decisões judiciais autorizando as interceptações telefônicas; a data em que efetivamente foi oficiada a empresa de telefonia para exercer o monitoramento e a data de conclusão dos trabalhos.

Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DELEGADOS CLASSE ESPECIAL ACUSADOS DE VENDA DE PESQUISAS CRIMINAIS PARA A PETROBRAS

O Estado de São Paulo
20/08/2009
Policiais de SP são acusados de vender dados de 60 milSão Paulo – Delegados de classe especial da polícia teriam recebido dinheiro para quebrar o sigilo de dados criminais de 60 mil pessoas supostamente a pedido de funcionários da Petrobras.
A acusação de uso indevido da máquina da polícia em favor da empresa estatal motivou denúncia assinada por dez policiais da Divisão de Capturas.
Eles encaminharam a acusação à Corregedoria da Polícia Civil, que abriu inquérito sobre o caso.
De acordo com a denúncia, a remuneração seria paga por ficha criminal consultada.
A existência do caso foi confirmada ao Estado pelo diretor da Divisão de Capturas da Polícia Civil, delegado Sérgio Abdalla, que afirmou ter determinado a imediata cessação das pesquisas. “Achei irregular e determinei que parassem.” Abdalla negou, no entanto, que o serviço fosse feito em troca de dinheiro e disse que se tratava de prática havia cerca de 15 anos no setor.
Na denúncia dos agentes, eles alegaram aos corregedores que foram obrigados a pesquisar os dados das fichas criminais de pessoas sob coação de seus chefes.
Disseram que, caso não obedecessem, seriam transferidos para outros setores da polícia.
Em anexo à denúncia, eles encaminharam à corregedoria cópias das fichas criminais pesquisadas.
Ao realizar uma pesquisa, o sistema de computadores da Polícia Civil registra a senha de quem solicitou os dados.
A corregedoria abriu inquérito para apurar possíveis crimes de quebra de sigilo, improbidade administrativa e outras supostas irregularidades.
Segundo o delegado Abdalla, chefe do setor onde tudo teria se passado, “a Petrobras pedia “terminais” (fichas) de empregados e eles eram tirados, puxados para ver se tinham alguma passagem pela polícia”. “Eu mandei parar”, afirmou. Os nomes dos delegados supostamente denunciados pelos agentes não foram divulgados. O Estado procurou a estatal e explicou o caso, mas até as 23h30 de ontem não houve resposta. A divisão chefiada por Abdalla é subordinada ao Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird).

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PROJETO DE LEI TRANSFORMA DELEGADOS EM CONCILIADORES

Conjur
19/08/2009

O deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) apresentou para a Comissão de Segurança Pública da Câmara Projeto de Lei em que os delegados passam a agir como conciliadores em causas de menor potencial ofensivo. O projeto, que modifica a lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, pretende reduzir o números de ações que chegam à Justiça. Caso aprovado por essa comissão, o texto deve passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania antes de ir para o Senado.
“A gente vê pela imprensa que pesssoas ficam presas anos seguidos por pequenos furtos, por briga de marido e mulher. Com a conciliação feita pelo próprio delegado, o problema se resolve muito mais rapidamente e não corre o risco de ficar parado na Justiça por meses ou até anos”, explica o deputado Regis de Oliveira, autor do projeto.
Segundo Oliveira, a ideia é que o delegado faça um acordo entre as partes na própria delegacia e redija um relatório a ser homologado pelo juiz. “Com o projeto, se ocorre o furto de uma manteiga no mercadinho, o delegado pode, por exemplo, sugerir que o acusado preste serviços ao dono do estabelecimento para pagar pelo crime”, explica.
O deputado participou nesta terça-feira (18/8) de uma reunião com delegados, que aprovaram a ideia. Ele também conversou com o presidente da Associação Paulista de Magistrados, desembargador Nelson Calandra, que também afirmou que os juízes estão receptivos à ideia. “Os delegados só precisarão se empenhar no texto do relatório, retratando bem os fatos firmados. Eles estão devidamente preparados para a função, já que vivenciam casos todos os dias”.
Além de reduzir o número de processos judiciais, o projeto também prevê uma redução na burocracia das próprias delegacias. Para que o caso chegasse a Justiça, era preciso passar por várias etapas. Com a aprovação da lei, pode ser reduzido a apenas um relatório. Pelo texto do projeto, “o acordo firmado pelas partes, conduzido pelo delegado de polícia, que é bacharel em Direito, quando homologado pelo magistrado, acarretará a renúncia ao direito de queixa ou representação”.
"De acordo com a legislação em vigor, os delitos de menor potencial ofensivo deveriam ser imediatamente analisados pelos Juizados Especiais Criminais. Essas unidades judiciais, contudo, não foram estruturadas para funcionar ininterruptamente durante 24 horas, não só no Estado de São Paulo, mas em todo país”, afirma o deputado na exposição de motivos de seu projeto de lei. Para o deputado, o projeto pretende também “aproveitar a estrutura, bem como os recursos materiais e humanos existentes nas delegacias de polícia”.
Leia a íntegra do Projeto de Lei
PROJETO DE LEI Nº 5117 , DE 2009
Altera a redação dos artigos 60, 69, 73 e 74, da Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispões sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, possibilitando a composição preliminar dos conflitos decorrentes dos crimes de menor potencial ofensivo pelos delegados de polícia.
O Congresso Nacional decreta:
“Art. 1º Esta lei altera a redação dos artigos 60, 69, 73 e 74, da Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispões sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, possibilitando a composição preliminar dos conflitos decorrentes dos crimes de menor potencial ofensivo pelos delegados de polícia.
Art. 2º Os artigos 60, 69, 73 e 74, da Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte alteração:
Art. 60 – O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados, togados e leigos e delegados de polícia, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.
§ 1º – Cabe ao delegado de polícia, com atribuição para formalizar a ocorrência, a composição preliminar do conflito decorrente dos crimes de menor potencial ofensivo.
§ 2º - Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis.
Art. 69 – A autoridade policial, após tomar conhecimento da ocorrência, lavrará termo circunstanciado sobre os fatos e tentará a composição do conflito decorrente dos crimes de menor potencial ofensivo.
§ 1º - Na hipótese de restar infrutífera a tentativa de composição preliminar, o delegado de polícia encaminhará ao Juizado o termo circunstanciado elaborado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.
§ 2º - Ao autor do fato que, após a lavratura do termo e a tentativa de composição do conflito, for encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.
Art. 73 – Na fase inquisitiva, a composição do conflito será realizada pelo delegado de polícia; e, na etapa do contraditório, a conciliação será conduzida pelo juiz ou por conciliador sob sua orientação.
§ 1º - A composição preliminar do conflito realizada pelo delegado de polícia será homologada pelo juiz competente para julgar o delito.
§ 2º - Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recrutados, na forma da lei local, entre bacharéis em Direito.
Art. 74 – A composição dos danos civis, realizada pelos delegados de polícia e outros conciliadores, será reduzida a escrito e, homologada pelo juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.
Parágrafo único – Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, a composição do conflito realizada pelo delegado de polícia ou outros conciliadores, homologada pelo juiz, acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.” (NR)
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

LUTO


Policial morre confrontando traficantes

Tiroteio aconteceu no bairro Bandeirante, em Ferraz
Um policial civil de Ferraz de Vasconcelos morreu e outro ficou ferido em um confronto com bandidos no fim da tarde de ontem na divisa do município com a zona leste de São Paulo. Durante a ofensiva, um traficante também foi baleado. O investigador Carlos Augusto Marques foi atingido durante o tiroteio e morreu no local. O policial Roberto Apolinário, (e não Marcelo como dito anteriormente)conhecido como Batata, também teria sido atingido. Levado ao Hospital Regional, ele não corre risco de morte."O policial (Marques) era muito experiente e preparado. Ele e mais dois investigadores estavam de colete e o que ocorreu foi uma fatalidade. Lamentamos os fatos e vamos investigar o caso. Sabemos que o indiciado era refugiado do presídio de Presidente Prudente", afirmou o delegado titular da Polícia Civil de Ferraz, Wagner Lombisani.Uma equipe de investigadores da Delegacia Central de Ferraz apurava uma denúncia de tráfico de drogas no bairro Bandeirante, na divisa com Guaianases. Por volta das 18 horas, os policiais montaram uma operação em busca de traficantes, quando foram recebidos a balas, na avenida das Palmeiras. Segundo a polícia, o local é ponto de venda de drogas. Assim que os criminosos abriram fogo contra a equipe, os policiais revidaram. Marques foi alvejado duas vezes e, mesmo utilizando colete à prova de balas, não resistiu aos disparos. O acusado que foi baleado apresentava ferimentos na barriga e no peito. Segundo Lombisani, o que realmente ocorreu ainda será apurado. "A arma do policial Marques estava intacta, com todas as balas". A reportagem apurou que pode ter ocorrido luta corporal antes do tiroteio.Segundo a polícia, não foi possível saber quantos bandidos trocaram tiros com os investigadores. Conforme foi apurado, Marques trabalhava na polícia há mais de 20 anos.
Um dos traficantes também foi atingido e encaminhado ao hospital onde veio a falecer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nova Súmula assegura diferença de vencimentos a servidor em desvio de função

(120809) Jurídico
Situação corriqueira na Administração Pública, o desvio de função tem sido analisado pela Justiça brasileira sob alguns aspectos polêmicos. Um deles foi transformado em súmula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) depois de reiteradas decisões no mesmo sentido. De acordo com a Terceira Seção, uma vez “reconhecido o desvio de função, o servidor faz jus às diferenças salariais decorrentes”.
A súmula é uma síntese do entendimento do Tribunal a respeito de um tema. No caso do STJ, não tem efeito vinculante, mas serve como orientação para as demais instâncias sobre como a questão vem sendo tratada pelos ministros, o que pode abreviar a disputa judicial, já que, quando chegar ao STJ, aquela será a posição final. O relator da nova súmula, que recebeu o número 378, foi o ministro Arnaldo Esteves Lima.
Em um dos precedentes tidos como referência para a súmula, a Quinta Turma garantiu o direito a uma ex-servidora do Ministério da Saúde lotada no Rio Grande do Sul de receber diferenças por desvio de função (Resp 759.802). Entre 1988 e 2001, mesmo sendo titular do cargo de agente administrativo, ela exerceu função de assistente social. Por isso, pediu o pagamento das diferenças entre os vencimentos de ambos.
O relator do recurso, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou que, sendo comprovado o desvio funcional, em que a servidora desempenhou atribuições inerentes ao cargo de assistente social, são devidas as diferenças remuneratórias por todo o período do desvio, sob pena de locupletamento ilícito da Administração Pública.
Especificamente neste caso, a Quinta Turma ainda reconheceu que a União seria parte legítima para responder à ação proposta pela servidora, ainda que a reivindicação de pagamento de diferenças fosse relativa a período em que ela esteve cedida ao Governo do Estado gaúcho e a município, por força de convênio celebrado pelo Ministério da Saúde. Isso porque o vínculo foi mantido com o pagamento da remuneração da servidora.
Recurso Repetitivo
O mais recente julgamento que serviu como referência para a Súmula 378 ocorreu em novembro do ano passado. Nele, a Terceira Seção analisou um caso segundo o rito dos recursos repetitivos (Lei n. 11.672/2008), o que obriga os demais tribunais a acompanhar o entendimento em causas idênticas.
No precedente julgado (Resp 1.091.539), a relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, afirmou que, nos casos de desvio de função, o servidor tem direito às diferenças nos vencimentos decorrentes do exercício desviado, apesar de não lhe ser assegurada a promoção para outra classe da carreira.
Na hipótese, o recurso era de uma professora do Amapá. Ocupante do cargo de professor classe A, sua atribuição deveria ser ministrar aulas para as turmas de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. No entanto, a servidora desempenhou as funções típicas do cargo de professor classe B, cuja atribuição é lecionar para as turmas de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental. O desvio de função teria ocorrido em três períodos diferentes, somando mais de cinco anos. O estado do Amapá nunca lhe pagou vencimentos correspondentes à função que efetivamente desempenhou.
A Terceira Seção ainda reconheceu, neste caso, que ela teria direito aos valores correspondentes aos padrões que, por força de progressão funcional, gradativamente se enquadraria caso efetivamente fosse servidora daquela classe, e não ao padrão inicial, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da isonomia e de enriquecimento sem causa do estado.
Outros precendentes considerados: Agravo Regimental (AgRg) no Resp 270.047, AgRg no Resp 396.704, Resp 442.967, AgRg no Resp 439.244, Resp 130.215, AgRg no Resp 683.423.
O que é um enunciado de súmula:
O enunciado editado pelo STJ não obriga as polícias ou os tribunais dos estados a cumpri-la, mas é um sinal de que todas os julgamentos sobre esse tema que chegarem ao STJ terão sua decisão idêntica ao que está estabelecido na súmula. O juiz de 1º grau e os tribunais dos estados, diante de uma demanda proposta pelo policial, tem uma forte tendência a aplicar para todos os casos o que está previsto na súmula, pois sabe que se decidir de forma diferente sua sentença será alterada posteriormente.
Como não é obrigatório que o Poder Executivo cumpra a súmula e como isso gerará grandes transtornos administrativos às polícias, que desviam corriqueiramente seus intergrantes, só vão ter direito à diferença salarial aqueles policiais que ingressarem em juízo pedindo que seja reconhecido o desvio de função e o pagamento da diferença salarial.
Importante ressaltar que o direito ao pagamento da diferença salarial não depende de que exista previsão desse pagamento na lei de vencimentos da respectiva corporação.
Como pleitear:
Se você se encontra desviado de função, exercendo atribuição de superior hierárquico ou de servidor de outro cargo com maior salário que o seu, pegue cópias de suas escalas de serviço dos últimos 5 anos ou do boletim que lhe classificou na função, procure no regulamento de sua PM e no edital de seu concurso as atribuições do seu cargo e leve tudo a um advogado de confiança. Se o desvio de função estiver realmente caracterizado é quase certeza que você ganhará na Justiça o direito a receber as diferenças salariais.
A diferença de vencimentos de um soldado para um sargento ou de um tenente para um capitão pode ser pequena em algumas polícias. Mas ao longo de anos a fio trabalhando desviado, em função de superior hierárquico, isso pode render alguns milhares de reais a mais no bolso.
Mas se prepare para segurar o rojão dos comandantes incompetentes que vão se rasgar de raiva de você, pois achavam que você era marionete e lhe colocavam para trabalhar na função que bem entendiam, mas sem quererem lhe pagar o que é devido.
Fábio Gaudêncio Delegados.org

BRASIL TEM 7,5 MIL TELEFONES GRAMPEADOS COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA -

JusBrasil
17/08/2009


O Brasil tem 7,5 mil telefones grampeados com autorização da Justiça. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e mostram uma redução em comparação ao ano passado, quando havia 12 mil linhas telefônicas nessa situação. As informações são do site G1.
Segundo o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, o número mostra que não existe "grampolândia" no país. Na CPI dos Grampos foi divulgada a suspeita de que no Brasil haveria 400 mil interceptações de telefones. Dipp editou resolucao em setembro de 2008 que obriga os tribunais a informarem mensalmente o número de grampos autorizados pela Justiça.
- Os dados revelam que a grampolândia nunca existiu. Em um país de dimensões continentais, esse dado não é nenhum exagero - avaliou Dipp.
O corregedor salientou que a maior parte das interceptações telefônicas refere-se a investigações sobre tráfico de drogas e crimes hediondos. O Estado com maior número de grampos telefônicos permitidos pela Justiça é Goiás.

MP apura desvio de verba de operações sigilosas em São Paulo

O Estadode São Paulo
Dinheiro da verba de operações sigilosas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi desviado e usado para pagar contas pessoais dos chefes de gabinete. A acusação é a de que o rombo atingiu R$ 2,26 milhões na gestão Saulo Abreu Filho (2002-2006) e R$ 700 mil, no período em que Ronaldo Bretas Marzagão dirigiu a pasta (2007 a 2009). Despesas da secretaria teriam sido cobertas com notas frias e até uma reforma fictícia no prédio justificou o desvio do dinheiro. O caso está sob apuração dos promotores de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público Estadual (MPE).
A nova investigação sobre o suposto desvio da verba começou quando o oficial administrativo Carlos Jorge Santana, o Jorginho, procurou a Assessoria Militar da secretaria. Dizia ter graves denúncias a fazer sobre desvio de recursos. Funcionário da pasta desde 1979, Jorginho afirmava ter provas de tudo e pedia para ser ouvido pelo secretário Antônio Ferreira Pinto, que assumiu o cargo em março. Trazia cópias de 333 cheques, com os quais sacara o dinheiro supostamente desviado, e das despesas particulares dos chefes de gabinete que ele dizia ter pago – cumprindo ordens – com o dinheiro da secretaria.
Em sigilo, Jorginho foi ouvido em 14 de maio pelo secretário e pelo capitão da Polícia Militar (PM) João Carlos Chaves. “Contei o que sabia”, disse Jorginho. Seu depoimento começa com a suposta descoberta, em fevereiro de 2008, feita por Marzagão, de que o chefe de gabinete, Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho, guardaria irregularmente dinheiro num cofre na secretaria. Marzagão, disse Jorginho, mandou que Tadeu abrisse o cofre na frente de testemunhas e achou R$ 127 mil, que ele determinou que fossem recolhidos aos cofres públicos.
Carvalho, que deixou o cargo em março de 2008, alegou que o dinheiro era sobra da verba de operações policiais. O que ele não explicou foi a razão de ter informado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que havia gasto todo a verba do segundo semestre de 2007. Na verdade, R$ 98 mil daquele período estavam, segundo o chefe, entre os R$ 127 mil do cofre. Uma apuração foi aberta pela Corregedoria Geral da Administração. Jorginho foi ouvido.
O depoimento dele na Corregedoria foi lacônico. Pouco depois, a investigação ali foi arquivada. Só agora ele contou que “foi chamado pelo coronel Valério (João Cláudio Valério, que se tornou chefe de gabinete, substituindo Carvalho), que disse: “Vou lhe pedir uma gentileza: não fale nada que respingue no doutor Ronaldo Marzagão, porque se você falar poderá sobrar para ele”.” O funcionário deu outros detalhes. “Por diversas vezes, ao entregar os valores sacados mensalmente ao doutor Tadeu (Carvalho), este separava determinadas quantias e determinava ao declarante que com elas pagasse contas particulares, entre elas despesas de energia elétrica, carnês de faculdade e outras contas”. Na gestão de Carvalho, ele sacou R$ 700 mil.
Segundo Jorginho, ele dava o dinheiro ao chefe de gabinete. Ele apresentou cópias de 75 cheques e de 24 recibos de quantias supostamente entregues ao chefe. Segundo o funcionário, em uma conversa, Carvalho admitiu que o que fazia era “irregular” e lhe revelou que cumpria “ordens” de Lauro Malheiros Neto, então secretário adjunto. Malheiros nega. Ele deixou a secretaria em maio de 2008 em meio a acusações de beneficiar o investigador Augusto Pena, que em delação premiada o acusou de montar um esquema de venda de cargos na polícia e de sentenças de absolvição em processos de policiais corruptos.
Logo em seguida, Jorginho passou a contar que também “essa sistemática de saques indevidos era posta em prática em larga escala” na época em que Luiz Hélio da Silva Franco foi chefe de gabinete da secretaria (2002-2006, gestão de Saulo). Tudo sem que o dinheiro sacado (R$ 2,2 milhões) fosse usado “para despesas de operações policiais ou despesas de serviços de manutenção do prédio”.
Defesa
Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho e Luiz Hélio da Silva França, ex-chefes de gabinete da Secretaria da Segurança, negaram as acusações feitas por Jorginho, de desvio de cerca de R$ 3 milhões da verba de operações policiais do gabinete. “São mentiras e calúnias”, afirmou Luiz Hélio. Ele contou que tinha conhecimento do depoimento de Jorginho. Disse que contratou advogado e ia tomar providências e apresentar defesa. Luiz Hélio anunciou que vai processar por danos morais o oficial administrativo. Ele chegou a ser nomeado em 13 de julho para um cargo na Corregedoria Geral da Administração do Estado, um ato do governador José Serra. Luiz Hélio nem chegou a assumir. Em 22 de julho, o próprio governador tornou sem efeito a nomeação.
Carvalho disse que não tinha conhecimento das acusações de Jorginho e do depoimento de Marlene. Negou que tivesse usado dinheiro público para pagar contas pessoais. “Imagina!”, exclamou. Funcionário público de carreira, ele disse que todo o episódio do dinheiro no cofre já foi investigado pela Corregedoria Geral da Administração, que chegou à conclusão de que não houve irregularidade. Disse ainda que prestou todas as informações ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que aprovou tudo.
Sobre para quem ele entregava o dinheiro da verba, Carvalho afirmou que só prestará esse esclarecimento caso seja chamado para depor. “Como é verba do gabinete, é preciso que se ouça o secretário (Marzagão)”, afirmou. As demais pessoas, segundo ele, “eram meros instrumentos”. “O secretário é que é responsável, pois essa verba era para operações policiais do gabinete”, afirmou. Carvalho não quis falar sobre a suposta conversa relatada por Jorginho em que ele teria dito obedecer ordens do então secretário adjunto Lauro Malheiros Neto para sacar a verba. Mas negou qualquer tipo de irregularidade. “Imagina!”, exclamou novamente.
O computador onde estariam supostas provas do uso indevido da verba, segundo ele, foi entregue a uma coronel da PM, para que fosse examinado e nada foi achado. Por fim, ele disse que pediu exoneração do cargo. O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, disse que seu cliente nega peremptoriamente qualquer participação no uso de verba secreta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Investigadores são presos acusados de extorquir dinheiro de grupo de Abadia


Policiais trabalhavam em delegacias de SP e de Diadema.Outros três policiais suspeitos seguem foragidos, segundo delegado.
Marcelo Mora Do G1, em São Paulo


Dois investigadores foram presos neste sábado (15) pela Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo acusados de extorquir dinheiro de integrantes da quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Abadia, preso em 2007 no interior de São Paulo. Segundo o titular da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria, Paulo Caetano Filho, foram expedidos nesta sexta-feira (14) seis mandados de busca e prisão, sendo que dois desses mandados eram para um único policial. Desta forma, outros três policiais suspeitos ainda estão foragidos. De acordo com Caetano Filho, foram instaurados quatro inquéritos na Corregedoria para apurar o envolvimento de policiais nos crimes de extorsão, extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha.
“Estes fatos só vieram à tona após a prisão de Abadia (em agosto de 2007). As investigações começaram no dia 16 de agosto de 2007, mas os fatos são referentes ao primeiro semestre de 2006. Todos os policiais que estiverem envolvidos, independentemente da classe, estão sendo investigados. Os maus policiais serão expurgados”, disse Caetano Filho, durante entrevista coletiva na tarde deste sábado. Ao menos 20 pessoas já foram indiciadas nos inquéritos, sendo 17 policiais e três supostos informantes da polícia, os chamados “gansos”. Segundo Caetano Filho, um dos investigadores presos é acusado de sequestrar o piloto de Abadia e exigir uma moto como resgate. O outro policial preso é acusado de extorquir dinheiro de um “laranja” que fazia lavagem de dinheiro para o traficante. Além de R$ 400 mil em espécie, ele ainda exigiu um carro. Na época, um trabalhava no 41º Distrito Policial, na Vila Rica, na Zona Sul de São Paulo, e o outro em Diadema, no ABC. O delegado divisionário disse que os policiais negaram os crimes ao serem presos. Os policiais suspeitos ficarão detidos na carcerageram da própria Corregedoria.

Abadia foi extraditado para os Estados Unidos na madrugada de 22 de agosto de 2008. Ele foi retirado do Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e levado para uma unidade prisional nos Estados Unidos. No Brasil, o traficante colombiano foi acusado de lavagem de dinheiro, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção ativa.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

POLÍCIA: Ordem, Fraternidade e Interatividade para a Paz Social

por Archimedes Marques
(050809) Jurídico
Dentro de um País em que a sociedade clama por uma Segurança Pública mais eficaz e mais presente, nota-se que os organismos estatais sentem-se impotentes e incapazes para debelar a crescente onda de violência que assola todos os lugares. A Polícia como figura principal encarregada de manter a ordem publica para a conseqüente prestação da paz social precisa da conscientização e cooperação de toda a sociedade para alcançar os seus objetivos, entretanto, entende-se perfeitamente que o povo, na sua maioria, ainda tem a Polícia como se fosse então essa instituição a única responsável pelo assolamento da violência no país. Como se fosse então a principal responsável pelo recrudescimento da criminalidade. Como se fosse então a Toda Poderosa, Onipotente e Onipresente para estar em todos os lugares a todo o momento a fim de evitar ou descobrir crimes como num passe de mágica.Do Policial o povo exige e espera sempre ações corretas e adequadas. Do Policial a sociedade cobra atos primorosos. Do Policial a comunidade quer um ser perfeito. Do Policial todos primam por decisões rápidas e justas. Do Policial a população não aceita erros, nem sequer culposo. Nesse sentido é acolhido o pensamento do Cel. JOSE VICENTE DA SILVA quando de um dos seus textos publicado no Jornal da Tarde: “Nenhuma atividade humana lida tanto com o lado mais difícil do ser humano, em suas mais grotescas expressões e seus piores sofrimentos. Ao lado dos riscos, tanto físicos como de comprometimento funcional nas dezenas de complexas decisões instantâneas de seu dia-a-dia, o policial precisa sufocar seus sentimentos pessoais de medo, raiva e nojo para cuidar da paz na sociedade, protegendo vidas e propriedades. O ser humano que existe no policial, de quem se espera qualidades sobre-humanas, está sempre sujeito ao estresse e ao desencantamento com a sociedade, vivendo num mundo de violência e desrespeito a todas as normas que regulam a vida social.” A violência que atinge ao povo atinge também a Polícia, o Governo. Atinge a toda a sociedade. Todos nós estamos nessa aflição!...Buscando complementar as necessidades desta questão é de bom alvitre alinhavar o pensamento da colega policial MARISA DREYS, Inspetora da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro, Mestranda em Antropologia, quando expressa num dos seus artigos: “É preciso ter em mente que a sociedade em que vivem os movimentos sociais é a mesma em que vivem os policiais. Não há “partes”: a paz e a vida com dignidade é o desejo de todos. Somos vizinhos, amigos, parentes, pais e mães no choro pela dor da perda dos entes queridos, vítimas da violência. Somos todos - negros, idosos, crianças, policiais, gays, lésbicas e outros grupos vulneráveis - seres humanos.”Os antigos defendiam a paz como a tranqüilidade da ordem. A noção ainda hoje vale desde que haja acordo a respeito da ordem. Ordem, lei e disciplina.A paz é a aspiração, o desejo fundamental do ser humano, entretanto só é atingida com a ordenação da potencialidade da sociedade e do poder público em torno do ideal digno de uma segurança justa, cooperativa e interativa. A paz deve estar em constante ação no seio da sociedade, de maneira duradoura, não fugaz.A Lei entrega a Policia o poder do uso da força. Essa exclusividade da violência legal visa tão somente ajudar a regular as interações sociais e o que passa disso é excesso. Através desse poder legitimado e da função específica de manter a ordem pública, a sociedade espera da sua Polícia toda a proteção possível e até impossível, entretanto, pouco ou nada faz para ajudá-la.O estudo das relações humanas constitui uma verdadeira ciência complementada por uma arte, a de se obter e conservar a cooperação e a confiança das partes envolvidas, por isso o apelo necessário de uma verdadeira interatividade entre a Polícia e a sociedade para melhor se combater a violência e a criminalidade reinante no país.Mesmo com mais de vinte anos em vigor da atual Constituição que reza no seu artigo 144 que a segurança publica é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, sempre foi essa assertiva vista apenas como questão da Polícia. Cada Estado fazendo a sua Polícia com pouca participação e interferência do Governo Federal e nenhuma participação da Sociedade. Agora que a violência e a criminalidade tomaram proporções imensuráveis englobando o País do Oiapoque ao Chuí, abre-se uma frente de perspectivas de melhoras. A preocupação da União, dos Estados e dos Municípios é constante. A própria sociedade já se mostra também interessada em por fim ao drama. Já existem inúmeros movimentos contra a violência. Finalmente agora, depois de muito tempo, a sociedade atenta para essa grave problemática, entendendo-se enfim o verdadeiro sentido desse artigo constitucional e então não só os Governos estão a lutar pela segurança do povo. Diversos organismos não estatais da sociedade organizada já buscam alternativas para soluções adequadas desse item aterrador. É com bons olhos que a Polícia vê os movimentos em prol da Segurança Publica crescerem e multiplicarem-se por todo o Brasil. Instituições diversas já somam esforços com a Polícia. É a mobilização da sociedade civil em busca de soluções pertinentes para combater o problema. O preceito constitucional de que a Segurança Pública é direito e responsabilidade de todos, finalmente já ganha terreno. Os Conselhos de Segurança dos Estados, das cidades, dos bairros, dos povoados crescem e se unem à Polícia. Organizações não governamentais multiplicam-se e ajudam a Polícia a evitar ou desvendar crimes. A Igreja Católica como uma dessas entidades do povo também procura fazer a sua parte.A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que tem entre muitos atributos estudar assuntos de interesse comum para chegar a boas soluções de ajuda à coletividade resolveu de bom alvitre adotar a campanha com o tema “Fraternidade e Segurança Publica” cujo lema é “A Paz é Fruto da Justiça”.Durante o ano por todo o Brasil vêm ocorrendo seminários, congressos e debates sobre a campanha com a participação do povo e das Autoridades constituídas, traçando os planos de ação e conscientização a serem aplicados com a conseqüente ajuda para todas as pessoas envolvidas para viverem a fraternidade em compromissos e gestos concretos no processo de mudança da sociedade para esse problema específico que atinge todas as classes.A campanha, conforme o texto base da CNBB tem por objetivo primordial: “suscitar o debate sobre a Segurança Pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da Justiça social que seja garantia de segurança para todos”.“A paz buscada com o lema da campanha é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao próximo e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas.”A Igreja Católica mostra assim, para o próprio bem de todos, que não se conforma com a realidade da violência em que se tornam vítimas pessoas e famílias inocentes, por isso lançou essa brilhante campanha que além de procurar conscientizar a sociedade para melhorias na área, ainda busca uma maior interatividade com a Polícia na sua tão árdua e difícil missão de manter a ordem pública. A fraternidade é um conceito filosófico profundamente ligado às idéias de liberdade e igualdade configuradas nos princípios da revolução francesa, que serviram de parâmetro séculos depois para a Declaração Universal dos Direitos do Homem e em conseqüência, mais recentemente, para a nossa Constituição cidadã.A fraternidade expressa a dignidade de todos os homens, considerados iguais e assegura-lhes plenos direitos sociais, políticos e individuais. A idéia de fraternidade estabelece que o ser humano fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal conceitua junto ao seu semelhante uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie.Com a chegada da nossa Constituição cidadã nasceu então a Polícia cidadã que preza também por atos fraternos a despeito do cidadão.Entretanto, a fraternidade tão sonhada e esperada pela Igreja e pelos homens sensatos, continua distante de ser alcançada.Nesse sentido, há de acolher-se o entender do Professor Emérito da UFS, ODILON CABRAL MACHADO, ao discorrer seu pensamento num dos seus textos recentemente publicado: “A fraternidade é um sonho, uma busca permanente, é uma conclamação apaziguadora do ser. Os homens, todos os homens, deveriam ser fraternos, se compreenderem e se tolerarem uns aos outros. (...) Tolerância deveria ser o grande mote norteador do agir humano desarrimado de armas e agressividades. No entanto a fraternidade, a convivência com o outro, este “outro” que nos desagrada, é difícil. Não fosse assim não existiriam os crimes torpes, não se veria o fratricídio e o ódio entre irmãos.” A ordem no âmbito interno da segurança pública e a manutenção da ordem pública relacionadas à Polícia são essenciais e jamais podem ser desrespeitadas sob pena de geração do caos administrativo e social.Não se pode imaginar a segurança pública sem ordem, disciplina, império da lei e eficiência do Estado em ação.Não se pode imaginar a segurança pública com desordem e improvisação, muito menos com anarquia, desvirtuando a democracia.Não se pode imaginar a ordem pública sem a participação ativa da segurança pública, sem a participação da Polícia.No dizer do escritor JAVIER BARCELONA LOPP: “ A manutenção da ordem pública é essencial para a existência da sociedade e realização de seus objetivos. O Estado deve organizar e manter forças que estejam voltadas para a preservação da ordem pública, que expressa uma situação de tranqüilidade material, de ausência de perturbações. É um estado oposto a desordem, um estado de paz em que está ausente a perturbação”...A atividade policial está voltada para a preservação da ordem pública, e se caracteriza pelo combate ao crime. Quando o Estado não consegue impedir a prática do ilícito, deve reprimi-lo, colhendo os elementos necessários para a propositura da ação penal. A ação da Polícia deve estar voltada para a defesa dos direitos do cidadão, mas isso não impede o uso legítimo da força que deve se afastar da arbitrariedade e do abuso.Para concluir esse item é acolhido o entendimento do Juiz de Direito da Justiça Militar do Estado de Minas Gerais, PAULO TADEU RODRIGUES ROSA, quando de um artigo pertinente: “Os administrados devem confiar em suas forças policiais, que tem como missão a preservação da segurança pública e dos direitos e garantias fundamentais. Os agentes policiais devem estar preparados para exercerem suas funções respeitando os limites estabelecidos pela lei, afastando-se do uso indevido da força e da prática de atos ilegais. (...)A sociedade precisa da atuação das forças policiais que devem estar preparadas para exercerem suas funções, respeitando o cidadão e sua dignidade. A força deve ser utilizada pelo Estado quando necessário, sem que isso signifique o desrespeito à lei, ou a prática do abuso do poder.”O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI) anda a passos largos com bons projetos na tentativa de minorar a problemática da violência no país, principalmente na área preventiva, sendo esse também, um dos objetivos da 1ª CONSEG.O jornalista CLAUDIO BRITTO no seu texto intitulado opção pela paz, publicado recentemente no Jornal Zero Hora, expressa o seu entendimento quanto aos chamados Territórios de Paz, alicerçares do PRONASCI: “Vencido o modelo da repressão e superadas as repetidas “operações de guerra” nos morros cariocas, o Brasil escolheu a construção da paz como forma de enfrentar a criminalidade com melhores resultados. (...)A opção pela paz também passa pelas polícias. Que terão recursos e projetos de articulação com ações sociais e de prevenção, sem esquecer da repressão, é claro. Esta, no entanto, na medida do indispensável, pois a prioridade será antecipar-se ao crime, evitá-lo.”Defendendo a sua administração bem intencionada, o Ministro da Justiça, TARSO GENRO, explica as suas metas quanto ao tema preocupante da violência em ascensão num artigo pertinente, também publicado no Jornal Zero Hora: (...) “O papel do cidadão precisa ser potencializado, principalmente em relação a projetos de natureza preventiva... (...) é necessário combater o crime, a marginalidade, mas, sobretudo, desenvolver políticas para cortar as raízes alimentadoras e constitutivas do delito. Se o Brasil não tiver políticas de segurança pública que levem em conta ações sociais, o país corre o risco de caminhar, cada vez mais, para uma situação de barbárie crescente, pois as cidades serão apropriadas por aqueles que desejam substituir o Estado pelo crime organizado. Por esse motivo, é urgente valorizar o trabalho dos trabalhadores da segurança pública. Outra mudança de paradigma gerada pelo PRONASCI é o policiamento comunitário, uma filosofia de segurança pública baseada na interação constante entre a corporação policial e a população.”As louváveis palavras do Ministro merecem aplausos, principalmente no que tange a questão de valorizar os trabalhadores da área da segurança publica e o resgate da Polícia comunitária que em vários Estados praticamente sucumbiu ou está em fase terminal. A Polícia comunitária é, sem sombras de dúvidas, a melhor forma de interatividade da sociedade com a Polícia.Em destaque principal dessa preocupação com a problemática do aumento da violência, o Ministério da Justiça organizou a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª CONSEG), que é um marco histórico na política nacional e que contará com a participação, além das forças instituídas, com o próprio povo para a efetivação da segurança pública como direito e responsabilidade de todos conforme estatui a Constituição Federal. O Fórum objetiva definir princípios e diretrizes que servirão de orientação para novos projetos e planos de ações específicas e efetivas na área de controle da violência.A movimentação e a expectativa para formação de bons projetos é vivida pela sociedade. Os municípios, os Estados e diversas outras organizações estatais e não estatais se prepararam em etapas para esse grande evento do Governo Federal e espera-se com a sua concretização a colheita de bons frutos saindo da retórica para a realidade com a consolidação de uma séria política nacional para o setor de forma efetiva e concreta.A questão salarial das Policias no Brasil é problema crucial para os governantes dado ao fato das desigualdades existentes entre as classes, entre as Instituições e entre os Estados. Neste item, é necessário que se criem mecanismos hábeis e haja vontade política em busca de soluções adequadas para o bem geral, vez que, a segurança pública é composta por um conjunto de Polícias, cada qual com as suas funções definidas na Constituição, mas que, todas elas se completam e se complementam para formar a força contra o crime em busca da sonhada paz social.Felizmente agora, alguns dos Estados brasileiros já evoluíram percebendo que a valorização da Polícia assegura meios para uma melhor prestação de serviços à sociedade.Falando técnica e verdadeiramente, sem qualquer cunho político, verifica-se perfeitamente que o Estado de Sergipe, o menor da nação brasileira, é exemplo vivo dessa evolução. O Governo vem dando claras mostras do relevo que se credita à segurança pública. A Polícia estadual, como um todo, vem sendo representada gradativamente com investimento de forma efetiva na estruturação orgânica, material e, fundamentalmente, humana nas suas instituições, o que motiva cada vez mais todos os seus componentes a trabalhar cada dia com mais afinco, contudo, devido ao descaso passado de décadas à fio, muito ainda falta para se chegar ao ideal, principalmente no que tange às instalações físicas e condições de trabalho das delegacias do interior do Estado que estão em verdadeiras ruínas. Em contrapartida, quanto a questão salarial, vemos com tristeza os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, dentre outros grandes centros, donos das maiores e mais importantes capitais do país, locais onde imperam os grandes traficantes de drogas, colegas profissionais da área de segurança pública desmotivados financeiramente, estando entre os piores salários do país, fazendo assim com que cresça, além da violência urbana, a violência policial e o conseqüente índice de corrupção no âmbito das corporações policiais.Partindo do princípio de que as Policias são formadas por grupos da própria sociedade... De que a Polícia continua trabalhando com ordem e defendendo a ordem social dentro das suas limitações, mas com perspectiva de melhoras... De que a Polícia tem reais esperanças de ser mais valorizada profissional e financeiramente... De que a Polícia de hoje também procura trabalhar fraternalmente e de forma justa... De que a paz é realmente fruto da Justiça... De que a sociedade está caminhando para um verdadeiro trabalho interativo com a Polícia no combate ao crime... De que a junção de todos esses predicativos eleva o orgulho do bom Policial e faz com que ele trabalhe com mais afinco em prol da sociedade... Então, o sonho de melhoria da paz social tão almejada pode virar realidade. Pode sair da retórica e transformar-se numa premissa verdadeira ou mais presente no seio do povo brasileiro.

SEGURANÇA APROVA RESTRIÇÃO DO BENEFÍCIO DE PRISÃO ESPECIAL

Agência Câmara
13/08/2009


A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira medida que restringe a prisão especial apenas a casos em que a vida ou a integridade física do preso estejam ameaçadas e àqueles previstos na Constituição. Esta é uma das alterações propostas pelos senadores ao Projeto de Lei 4208/01, do Executivo, aprovado pela Câmara em junho do ano passado. Parte de um conjunto de sete propostas sobre a reforma processual penal, o projeto promove uma série de alterações no Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/41).
Pelo texto, categorias como titulares de diploma de curso superior, advogados, vigilantes, militares e políticos perdem o direito ao benefício. Por força de leis complementares, têm hoje direito à prisão especial integrantes do Ministério Público, magistrados e defensores públicos da União e, por isso, não podem ter esse direito revogado por legislação ordinária.
No geral, as demais alterações promovidas pelo Senado são pontuais, a maioria apenas de redação. Uma alteração significativa aprovada foi a mudança nos critérios de concessão de fiança. O texto aumenta significativamente os valores da fiança.
A proposta original cria três patamares:
- de 1 a 10 salários mínimos de referência para casos que receberam condenação à pena privativa de até dois anos;
- de 5 a 20 salários mínimos de referência para casos com condenação a pena privativa de liberdade de dois a quatro anos; e
- de 10 a 200 salários mínimos de referência para casos com pena privativa de liberdade superior a quatro anos.
O Senado reduziu a fiança a apenas duas faixas:
- de 1 a 100 salários mínimos de referência para casos com condenação a pena privativa de liberdade de até quatro anos; e
- de 10 a 200 salários mínimos de referência para casos com condenação a pena privativa de liberdade superior a quatro anos.
Pelo projeto aprovado na Câmara, em função da situação econômica do réu, a fiança pode ser dispensada, reduzida até o máximo de 2/3 ou aumentada pelo juiz até cem vezes. Na versão do Senado, prevê-se que, na definição do valor, o juiz deverá levar em conta o prejuízo causado ou o proveito obtido com a prática julgada. Mantém-se a dispensa e a redução até 2/3, mas o aumento poderá ser de até mil vezes.
Com essas mudanças, o relator da proposta na Comissão de Segurança, deputado João Campos (PSDB-GO), acredita que a fiança passará a ter significado no sistema judicial brasileiro. "Hoje o valor é irrisório, a fiança é apenas simbólica, o que significa impunidade. O indiciado consegue a liberdade por nada", argumenta o relator, que acatou parte das emendas do Senado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Academia de Polícia em Mogi das Cruzes será campo de treinamento de técnicas operacionais








Oito laboratórios compõem o conjunto de dependências da nova unidade da Academia de Polícia “Dr. Coriolano Nogueira Cobra”, inaugurada ontem, 6 de agosto, em Mogi das Cruzes. O campus II possui infraestrutura detalhada para treinar os mais de 40 mil homens e mulheres que hoje integram a Polícia Civil de São Paulo.
O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, e o delegado geral de polícia, Domingos Paulo Neto, juntamente com as demais autoridades policiais e políticas presentes, dentre elas, todo o Conselho da Polícia Civil e o prefeito de Mogi das Cruzes, Marco Aurelio Bertaiolli, acompanharam após o descerramento da placa inaugural as apresentações de alunos e funcionários da Acadepol e de policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), Grupo Especial de Resgate (Ger) e Setor de Operações Especiais – do Denarc (SOE), do treinamento que será realizado em cada uma das unidades laboratoriais.
Em “Condicionamento Físico e Defesa Pessoal” houve demonstração da prática de artes marciais e simulação de situações de risco envolvendo armas brancas e de fogo. Em “Local de Crime”, uma espécie de cenário montado para a aprendizagem de procedimentos investigativos, as autoridades entraram em contato com dispositivos tecnológicos usados por policiais e peritos em ocorrências.
No laboratório de “Antropologia Policial” foram descritos os passos das fases de decomposição do corpo humano. E no setor de “Gerenciamento de Crises” policiais encenaram um roubo a estabelecimento comercial com presença entre as vítimas de policiais civis. O objetivo do exercício é a resolução pacífica de conflitos em ocorrências criminais, e durante o mesmo são medidos os batimentos cardíacos e a oxigenação do sangue dos agentes para determinar o seu nível de estresse durante situações de pressão.
Foram visitados ainda o campo das práticas de “Direção Defensiva e Operacional” e “Conduta Policial”, onde o Grupo de Motos F-13, do Garra, fez uma apresentação, e integrantes do SOE, GOE e Garra demostraram maneiras corretas de abordagem e revista de pessoas e de veículos em vias públicas, respeitando-se a privacidade, intimidade e imagem individuais.
Em campo aberto foi ainda demonstrada uma situação de resgate de reféns, com utilização do helicóptero Pelicano, de atiradores de elite e de policiais “olheiros”, e também foi simulada a tomada correta de um cativeiro. Trabalho do laboratório de “Tiro de Precisão para Legítima Defesa de Terceiros”. Finalmente, nos estandes de tiro, em “Redução da Letalidade”, os policiais efetuaram vários disparos utilizando-se de revólveres, espingardas, pistolas, submetralhadoras e carabinas, ambas FAMAE.
O campus II da Academia de Polícia, de 304.358,47 m² área útil, recebeu do Estado um investimento total de R$ 4.759.062,00, e o trabalho de terraplanagem e limpeza do local foi feito pela Prefeitura de Mogi das Cruzes.

CENSURA JUDICIAL

Folha de S. Paulo
12/08/2009
A CENSURA imposta por um desembargador ao jornal "O Estado de S. Paulo" não é um ato isolado. Decisões desse tipo, que introduzem um dispositivo expressamente vedado pela Constituição, banalizam-se de modo preocupante no país.
No dia 30 de julho, o magistrado Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito federal, proibiu o jornal paulista de publicar fatos relacionados à chamada Operação Faktor, da polícia federal. O desembargador atendeu a um recurso da defesa de Fernando Sarney, investigado pela PF -o pedido de censura havia sido exemplarmente rechaçado na primeira instância.
A reportagem do jornal revelou o teor de diálogos envolvendo Fernando, sua filha e seu pai, José Sarney. Negociavam um cargo de confiança no Senado para o namorado da neta de José Sarney -nomeação mais tarde efetivada por um ato secreto.
A justificativa para a decretação da censura foi a de que a investigação da PF transcorria sob sigilo. Trata-se de um bom argumento para punir a autoridade ou a parte eventualmente responsável pelo vazamento da informação. Jamais poderia servir como pretexto, entretanto, para impedir jornalistas de veicularem informação de notório interesse público, como é o caso.
Esse último aspecto foi enfatizado pela Associação Mundial de Jornais e pelo Fórum Mundial de Editores anteontem, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente do Supremo, Gilmar Mendes, condenando a tutela sobre o diário paulista. A nota conjunta tampouco deixa de salientar a série de convenções internacionais afrontadas pela decisão do desembargador brasileiro, a começar da Declaração dos Direitos Humanos.
Primeira a ser atropelada no episódio, a Carta brasileira bane a censura prévia, e o faz imbuída de uma decantada sabedoria acerca da propensão, natural nos poderosos, para calar qualquer crítica. É em nome do direito da sociedade de ser informada que a Constituição finca um marco definitivo contra a censura.
É estranho que comecem a surgir do próprio Judiciário decisões que negam esse princípio.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

*Inversão de valores*


Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na tv: De mãe para mãe...

*Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.
*Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.
*Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc...
*Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro.
*Enorme é a distância que me separa do meu filho. *Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.
*Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.
*Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual..
*Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
*No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...
*Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.
*No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas 'Entidades' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar 'Os meus direitos' !

A EDUCAÇÃO

"Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única." Albert Schweitzer
Um dia desses lemos em um adesivo colado no vidro traseiro de um veículo a seguinte advertência: "minha educação depende da tua"!
Ficamos a imaginar qual seria o conceito de educação para quem pensa dessa forma.
Ora, se nossa educação dependesse dos outros, certamente seria tão instável quanto a quantidade de pessoas com as quais nos relacionamos.
Ademais, se assim fosse, não formaríamos jamais o nosso caráter. Seríamos apenas o resultado do comportamento de terceiros. Refletiríamos como se fôssemos um espelho.
A educação é a arte de formar caracteres, e por conseguinte, é o conjunto de hábitos adquiridos. Assim sendo, como fica a nossa educação se refletir tão somente o comportamento dos outros como uma reação apenas?
O verdadeiro caráter é forjado na luta, na luta por dominar as más tendências, por não revidar uma ofensa, por retribuir o mal com o bem.
Um amigo tinha o costume de dizer: "bateu, levou!" Um dia perguntamos se ele admirava os mal-educados que tanto criticava. Imediatamente ele se posicionou em contrário.
- É claro que eu não aprovo pessoas mal-educadas. Então questionamos outra vez:
- Se não os admira, porque você os imita?
Ele ficou um tanto confuso, pensou um pouco e respondeu:
- É, de fato deveríamos imitar somente o que achamos bonito.
Dessa forma, a nossa educação não deve jamais depender da educação dos outros, menos ainda da falta de educação dos outros.
Todos os ensinamentos do Cristo, a quem a maioria de nós diz seguir, recomendam apresentar a outra face. Imaginemos se Jesus tivesse ensinado: "se alguém te bater numa face, esmurra-lhe a outra", ou então "faz aos outros tudo aquilo que não desejas que te façam". Nós certamente não O aceitaríamos como modelo a ser seguido.
Assim sendo, lutemos por nos educar segundo os preceitos do Mestre de Nazaré, que diante dos momentos mais dolorosos de Sua vida manteve a calma e tolerou com grandeza todas as agressões sofridas.
Não nos espelhemos nos que não são modelos nem de si mesmos. Construamos o nosso caráter com os exemplos nobres.
Quando tivermos que prestar contas às leis que regem a vida, não encontraremos desculpas para a nossa falta de educação, nem poderemos jogar a culpa nos outros, já que Deus nunca deixou a Terra sem bons exemplos de educação e dignidade.
Não adotemos os constumes comuns que nada tem de normais. O normal é cada um buscar a melhoria íntima com os recursos internos e externos que Deus oferece.
As rosas, mesmo com as raízes mergulhadas no estrume, se abrem para oferecer ao mundo o seu inconfundível perfume.
O sândalo, por ser uma árvore nobre, deixa suave fragrância impregnada no machado que lhe dilacera as fibras.
Assim, nós também podemos dar exemplos dignos de serem imitados

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

POLÍCIA FEDERAL QUER ATLETAS

Correio Braziliense
10/08/2009

Testes de resistência previstos no edital de seleção eliminarão muita gente
O exame de aptidão física do concurso da Polícia Federal tira o sono dos candidatos antes mesmo das provas objetivas e discursivas. As exigências estão maiores do que na última seleção, ocorrida em 2004. A preocupação dos concurseiros é estarem preparados a tempo para as avaliações de 18 de outubro próximo. “A preparação tem que começar imediatamente. O perfil dos candidatos dessa prova é de uma turma mais velha e que, muitas vezes, não tem um bom condicionamento e isso dificulta o treinamento”, diz o professor Carlos Magno Vieira Filho, conhecido como treinador Kito. Ele ressalta que as pessoas sedentárias precisam de três a seis meses para encarar as exigências previstas no edital. Para os quem têm condicionamento fraco, o prazo é de dois a três meses. E a contagem regressiva já começou.
Que o diga a bióloga Lorena Gonçalves Simões, 26 anos. Ela cursou toda a faculdade com o objetivo de ser perita da Polícia Federal. Mas o cargo que ela deseja não fará parte do concurso — são 400 vagas para escrivães e 200 para agentes. Mesmo assim, Lorena se prepara há quatro meses para a prova objetiva e discursiva e, há 10 dias, começou os treinos físicos. “Estou sedentária há três anos e tem sido difícil nesse começo”, revela. As principais dificuldades estão no salto e na barra. “A barra será o mais difícil. Ainda não consigo subir e descer como manda o edital”, conta.
A dedicação terá de ser intensa. No mesmo dia das provas, homens e mulheres passarão por quatro etapas de avaliação (veja quadro): barra fixa, impulsão horizontal (salto), corrida de 12 minutos e natação (50 metros). A Instrução Normativa nº 4/2009 da Polícia Federal orienta que, no dia previamente marcado, os candidatos convocados apresentem um atestado médico original com validade de, no máximo, 15 dias, ou cópia autenticada em cartório do documento. Também são exigidas roupas adequadas para prática da atividade física.
A mesma instrução informa que, se forem contatados “casos de alteração psicológica e/ou fisiológica temporárias (estados menstruais, indisposições, cãibras, contusões, luxações, gravidez, fraturas, etc) que atrapalhem a realização do teste ou diminuam a performance nos testes”, eles “serão desconsiderados”.
Jogo duro
Em 2004, os homens precisavam fazer duas flexões para ter nota mínima na barra fixa. Agora, são necessárias três. Já as mulheres tinham que ficar suspensas no equipamento por 10 segundos, pelo menos. Com a alteração, o teste passa a ser como o dos homens, mas com uma flexão no mínimo. “Não mudou tanto, levando em consideração que se trata da Polícia Federal, mas é um movimento complicado para as candidatas”, comenta o treinador Kito.
Na impulsão horizontal, as distâncias mínimas foram aumentadas: de 1,70 para 2,14 metros entre os homens e de 1,30 para 1,66 metro no caso das mulheres. O mesmo ocorreu com as marcas mínimas na corrida de 12 minutos: de 2 mil para 2.350 metros para os candidatos do sexo masculino e de 1.600 para 2.020 metros para as mulheres. “É um esforço e tanto. A PF parece querer um atleta profissional”, observa a fisioterapeuta Amanda Fullin Resottore, 30.
A maior surpresa do edital ficou por conta da prova de natação. A marca que concede a pontuação máxima aos homens é de 29 segundos para a piscina de 50 metros. “O campeão mundial de natação, César Cielo, faz 21,32 segundos. Como podem pedir esse índice para os candidatos?”, questiona o treinador Kito, avaliando que o mínimo para a pontuação, de 41 segundos, também é um exagero.
Amanda treina lutas marciais há anos e percebe a dificuldade do desafio que vai enfrentar. “É impossível deixar para a última hora. Abri mão das lutas para não correr o risco de ter lesões. Estou me preparando de forma mais específica.” Ela terá que nadar 50 metros em uma piscina de 25 metros em menos de 51 segundos para não ser desclassificada. Para marcar seis pontos, o máximo da avaliação, terá que cravar menos de 35 segundos. O recorde nacional é de 24,36 segundos para a mesma prova. “Em outros casos, esperamos que existam recursos na Justiça para melhorar as cobranças. Mas, independentemente disso, estou treinando forte para chegar o mais perto possível”, afirma a fisioterapeuta.

Competência
O exame de aptidão física, segundo a instrução normativa nº 4/2009 da Polícia Federal, é o conjunto de testes de caráter eliminatório, com pontuações mínimas e máximas. Os exercícios são realizados em ordem pré-determinada por candidatos habilitados por atestado médico específico. Essas provas são determinantes para selecionar aqueles que estarão apto a suportar as exigências do Curso de Formação Profissional e as competências técnicas necessárias para desempenhar as atribuições da carreira de policial federal.